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The BRIEF

Google vê pressão crescer nas buscas com avanço da IA e perda de talentos

Concorrência de chatbots, migração de usuários para alternativas sem IA e saída de pesquisadores ampliam desafios para o principal negócio da companhia

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule23/06/2026, às 15:15

O Google continua liderando com folga o mercado global de buscas, mas o avanço da inteligência artificial (IA) começa a criar novos desafios para o negócio que sustenta a companhia. Mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, a empresa enfrenta concorrência crescente de plataformas baseadas em IA, ao mesmo tempo em que vê parte dos usuários migrar para alternativas que prometem justamente uma experiência de navegação sem IA. As informações são da CNBC.

A mudança de comportamento ocorre em meio ao fortalecimento de concorrentes. O Bing, da Microsoft, alcançou pela primeira vez a marca de 1 bilhão de usuários no último trimestre. Já dados da plataforma de análise Ahrefs indicam que o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu mais de 1% no último mês, enquanto o ChatGPT registrou um leve crescimento no período. O chatbot da OpenAI também segue entre os aplicativos gratuitos mais baixados da App Store, da Apple.

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Apesar disso, o Google ainda mantém cerca de 90% do mercado de buscas. As ações da Alphabet, controladora da companhia, mais que dobraram de valor no último ano, enquanto a receita da empresa registrou no primeiro trimestre seu ritmo de crescimento mais acelerado desde 2022. 

Além da concorrência dos modelos de IA, o Google também enfrenta resistência de usuários que preferem navegar na internet sem recursos automatizados. Um estudo divulgado em março pelo Pew Research Center apontou que aproximadamente metade dos americanos afirma sentir mais preocupação do que entusiasmo em relação à presença da IA no cotidiano.

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Nesse cenário, o DuckDuckGo lançou neste mês uma versão de seu mecanismo de busca voltada para usuários que desejam evitar resultados gerados por IA, além de extensões para navegadores que direcionam automaticamente para a plataforma sem recursos de IA. Segundo a empresa, as taxas de instalação do buscador aumentaram até 75% desde o Google I/O, conferência para desenvolvedores realizada pelo Google em maio.

“Muitas pessoas usam o Google porque ele é como a página inicial da internet, mas elas querem fazer essas buscas, clicar e pesquisar por conta própria e tomar suas próprias decisões”, afirmou Lily Ray, vice-presidente de otimização de mecanismos de busca e busca com IA da empresa de marketing Amsive.

A executiva explicou que o Google precisa encontrar um equilíbrio entre inovação e experiência do usuário. “Se exagerar na IA, vai perder seus usuários”, disse. Embora considere a participação de mercado do DuckDuckGo pequena, Ray afirmou que o buscador tem registrado bastante crescimento.

Disputa por especialistas preocupa mercado

O Google também enfrenta uma intensa competição por profissionais especializados em IA. Na semana passada, Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e um dos líderes do Gemini, anunciou sua saída da companhia para se juntar à OpenAI. Dias depois, John Jumper, vice-presidente e engenheiro sênior do DeepMind, informou que passaria a integrar a Anthropic.

As saídas ocorreram em um momento em que startups de IA, impulsionadas por grandes rodadas de investimento, disputam especialistas com empresas já estabelecidas. Em relatório recente, analistas da Jefferies afirmaram que “não interpretam as recentes demissões como um sinal de que o Google está investindo menos em IA, mas sim como mais um dado em uma guerra por talentos em todo o setor, na qual laboratórios de ponta estão competindo agressivamente”.

A reação do mercado foi imediata. Na segunda-feira, 22, as ações da Alphabet registraram queda de 5%, o pior desempenho diário da companhia em mais de um ano.

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Busca passa pela maior mudança em 25 anos

Para responder à transformação provocada pela IA, o Google vem reformulando seu principal produto. Durante o Google I/O, realizado no mês passado, a empresa anunciou mudanças na página de buscas e posicionou o novo botão “Modo IA” diretamente dentro da tradicional caixa de pesquisa.

“Esta é a maior atualização da nossa icônica caixa de pesquisa desde sua estreia, há mais de 25 anos”, afirmou Elizabeth Reid, responsável pela divisão de buscas do Google, durante o evento.

A empresa também passou a integrar recursos como o gerador de imagens Nano Banana diretamente à experiência de pesquisa. A estratégia reflete a aposta da companhia em uma busca mais conversacional, inspirada no formato popularizado por plataformas como ChatGPT e Claude.

O desafio, porém, vai além da concorrência tecnológica. Cerca de três quartos da receita do Google ainda vêm da publicidade. A preocupação de investidores é que a migração dos usuários para interfaces baseadas em IA reduza a relevância do modelo tradicional de anúncios exibidos nos resultados de busca.

Dados das empresas de análise digital SparkToro e Similarweb mostram que aproximadamente 68% das pesquisas realizadas no Google terminam sem que o usuário clique em um site externo. Ao mesmo tempo, editoras e empresas de mídia vêm relatando quedas no tráfego vindo das buscas, em parte devido aos resumos gerados por IA que aparecem no topo dos resultados.

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