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The BRIEF

IA impulsiona competitividade e amplia debate sobre soberania digital no Brasil; entenda

Especialistas discutiram infraestrutura, qualificação profissional e uso estratégico de dados durante painel no ESX Innovation Experience, em Vitória.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule17/06/2026, às 16:15

O TecMundo esteve no ESX Innovation Experience, evento realizado entre os dias 11 e 13 de junho, em Vitória-ES, onde acompanhou o painel “Empresas que Performam: o papel da IA na nova competitividade”. O debate reuniu especialistas de tecnologia, pesquisa e comunicação para discutir como a inteligência artificial (IA) está transformando negócios, impulsionando a competitividade e ampliando a discussão sobre soberania digital no Brasil. 

Participaram do painel Vinicius Kfuri, professor do Instituto Latino-Americano de Inteligência Artificial; Pedro Emboava, Territory Manager da Oracle; Keslley Lima, coordenador de e-Ciência da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); e João Galdino, diretor de Tecnologia Multiplataforma do Portal R7. Ao longo da conversa, os palestrantes destacaram os desafios relacionados à infraestrutura, armazenamento de dados, formação de talentos e adoção de IA nas empresas. 

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Um dos temas centrais foi a soberania digital. Para Keslley Lima, o Brasil precisa fortalecer a cooperação entre governo, academia e iniciativa privada para reduzir dependências tecnológicas externas e criar condições para o desenvolvimento de soluções nacionais. Segundo ele, a competitividade do País depende da articulação entre esses três setores em torno de objetivos comuns. 

“O primeiro ponto que a gente tem que refletir é que grande parte dessa competitividade precisa acontecer para o Brasil ter a soberania digital, uma tríade”, afirmou Lima. O especialista explicou que essa tríade é formada por indústria, academia e governo. “Para a soberania digital a gente tem que, independente da posição que você ocupa, seja governo, seja indústria, seja o mundo acadêmico, colaborar”, disse.

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Ao detalhar a atuação da RNP, Lima destacou iniciativas voltadas à transferência de grandes volumes de dados e ao compartilhamento de infraestrutura computacional para pesquisa científica. Como exemplo, citou projetos desenvolvidos por empresas como a Petrobras em parceria com universidades, que exigem processamento de imagens e dados em larga escala. Segundo ele, redes de alto desempenho reduzem o tempo necessário para transferir e analisar informações estratégicas. 

O crescimento da demanda por dados também foi apontado como um dos principais desafios da era da IA. Lima afirmou que o volume de informações trafegadas e armazenadas alcançou níveis sem precedentes nos últimos anos. “A gente tem um volume assustador do aumento de transferência de dados e de armazenamento de necessidade nos últimos cinco anos”, afirmou. Para ele, a infraestrutura computacional não pode se tornar um obstáculo ao desenvolvimento econômico e científico do País. 

Representando a Oracle, Pedro Emboava destacou que a IA está promovendo uma transformação comparável à popularização dos smartphones. O executivo relembrou a trajetória da companhia no mercado de computação em nuvem e explicou que o segmento de infraestrutura para IA se tornou uma das principais frentes de crescimento da empresa. Segundo ele, organizações de todos os portes precisarão incorporar essas tecnologias para aumentar eficiência e produtividade. 

No setor de comunicação, João Galdino apresentou exemplos práticos de como a IA já alterou rotinas produtivas dentro do Grupo Record, e explicou que ferramentas automatizadas passaram a auxiliar processos como edição de vídeo, criação de títulos, descrições, legendas e distribuição de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Atualmente, segundo ele, a empresa publica cerca de mil vídeos por dia com apoio de IA. 

Ao encerrar o debate, os participantes defenderam que a adoção da IA deve ser acompanhada por programas de capacitação profissional e mudanças culturais dentro das organizações. A avaliação comum foi de que a tecnologia deixou de ser uma tendência futura para se tornar um fator decisivo de competitividade. 

Na visão dos palestrantes, empresas e profissionais que não incorporarem essas ferramentas correm o risco de perder espaço em um mercado cada vez mais acelerado e orientado por dados. 

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