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The BRIEF

Por que EUA suspenderam Fable 5 e Mythos 5? Bastidor revela impasse

Polêmica envolve imagem do modelo de linguagem da Anthropic, dona do Claude, que é ao mesmo tempo visto como promissor e perigoso.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule16/06/2026, às 12:45

O mercado foi pego de surpresa nos últimos dias pela suspensão dos modelos de linguagem Fable 5 e Mythos 5 após uma ordem do governo dos Estados Unidos. Repentinamente, um dos serviços mais promissores do setor de inteligência artificial (IA) teve as atividades suspensas em todo o mundo.

Dias depois da ação, a polêmica que envolve a empresa Anthropic e a administração de Donald Trump está longe de ser resolvida e continua ganhando novos capítulos.

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Reportagens da Axios e do The Washington Post sugerem que o governo já tinha a dona do Claude na mira há algum tempo, mas uma ação específica foi considerada a gota d'água na relação — que agora a companhia testa restabelecer para voltar a explorar comercialmente um produto tão antecipado.

O que são os modelos Mythos 5 e Fable 5?

O Mythos 5 é uma atualização do Claude Mythos Preview, a versão experimental do grande modelo de linguagem (LLM) criado pela Anthropic. No anúncio do serviço, a companhia chegou a dizer que ele seria "perigoso demais para a humanidade" e que, por isso, teria o lançamento limitado.

O motivo seria a alta capacidade da ferramenta em detectar brechas de cibersegurança — o que tornaria ele útil para empresas do setor, mas também traz um uso potencialmente criminoso nas mãos de agentes mal intencionados.

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Os modelos da Anthropic ficaram apenas quatro dias no ar. (Imagem: Wellington Arruda/TecMundo)

Para comercializar o Mythos, a Anthropic lançou o chamado Project Glasswing. Essa é uma iniciativa de parceria da empresa com companhias interessadas, com o objetivo de fornecer acesso ao modelo de linguagem de forma controlada e para usos específicos em proteção digital.

Já o Fable 5 é uma variante robusta do Mythos em termos de desempenho, porém com mecanismos de segurança complementares para evitar o uso malicioso e uma disponibilização mais ampla para o público.

Superando inclusive as atuais versões do Opus e vencendo GPT-5.5 e Gemini 3.1 Pro em benchmarks, ele era considerado "a IA mais poderosa e de acesso aberto da Anthropic".

As brigas entre Trump e Anthropic

Os tais modelos perigosos não foram a primeira desavença entre o governo dos EUA e a empresa de IA. Anteriormente, ambos já tiveram uma grande desavença por uma negociação mal sucedida.

  • Tudo começou no fim de fevereiro de 2026, quando a Anthropic dificultou a renovação de contratos com o governo Trump para uso militar da IA;
  • A discordância estaria em requisitos colocados pela empresa no acordo, incluindo impedir o uso do Claude em armas autônomas e em vigilância de massa sobre cidadãos estadunidenses — dois tópicos rejeitados pelo Departamento de Defesa;
  • Como resultado, Trump chamou a Anthropic de "empresa radical, de esquerda e woke", encerrou as negociações e proibiu o uso do Claude por agências federais, além de classificá-la como uma ameaça à segurança nacional e a cadeia de suprimentos do país;
  • Entretanto, rumores indicam que o Claude foi usado para "avaliações de inteligência, identificar alvos e simular cenários de guerra" no início do conflito com o Irã, mesmo com a Anthropic já banida dos contratos públicos;
  • Como resultado da desavença, a Anthropic processou o governo dos EUA por considerar a classificação ilegal e ser prejudicada pelo comunicado de Trump;
  • A rival OpenAI fechou um contrato militar de R$ 1 bilhão com governo dos EUA no lugar da concorrente, topando inclusive as demandas do Pentágono sobre decisões finais no uso da IA.

A nova briga comprada pela dona do Claude

A suspensão do Fable 5 e do Mythos teria se desenhado há algumas semanas, quando a companhia liberou o Mythos Preview para mais de 150 empresas. Neste ponto, foi registrado um possível acesso não autorizado às IAs avançadas — um grupo ligado à China que não foi nomeado, mas teria relação com uma empresa sul-coreana aprovada para usar a ferramenta e depois banida do acordo.

Com as relações já desgastadas, um estudo da Amazon sobre os riscos do Mythos e suas variantes também teria assustado o governo — por mais que ele já estivesse ciente da capacidade do modelo de linguagem, pois conversou com a Anthropic sobre usá-lo internamente.

De acordo com relatos do The Verge, o governo ligou para a Anthropic na última sexta-feira (12) e deu 90 minutos para que a suspensão fosse oficializada, sob o risco de "controles de exportação" contra todos os serviços da empresa pelo Departamento de Comércio em caso de descumprimento. O CEO da empresa, Dario Amodei, participou da chamada.

Pessoas ouvidas na reportagem alegam que a administração Trump foi "traída" nos bastidores, enquanto a dona do Mythos alega que teve autorização do governo inclusive para liberar o modelo Fable e se diz surpresa com a mudança de tom após outras conversas sobre segurança nacional.

"A Anthropic não tem se esforçado muito para dialogar com a administração e compreender as diferenças ideológicas", disse uma fonte ao Axios, citando que a sensação é de que as duas partes "parece que falam idiomas diferentes". Uma reunião foi realizada na segunda-feira (15), mas sem resultados imediatos, o que significa que os dois modelos poderosos seguem suspensos por tempo indeterminado.

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