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'A IA só ameaça o medíocre': especialistas discutiram futuro da música no SPIW

A inteligência artificial já faz parte da indústria musical e vem transformando desde processos criativos até a produção e distribuição de conteúdo.

Avatar do(a) autor(a): Diana Pordeus

schedule18/05/2026, às 14:45

A inteligência artificial já faz parte da indústria musical e vem transformando desde processos criativos até a produção e distribuição de conteúdo. Ao mesmo tempo em que amplia possibilidades para artistas e produtores, a tecnologia também levanta debates sobre autenticidade, originalidade e os limites da criação humana na música.

Esse foi o tema do painel “Inteligência Artificial na Música: Ferramenta criativa ou ameaça à autenticidade?”, realizado durante o São Paulo Innovation Week. O debate reuniu Lobão, Tico Fernandes, diretor criativo da KondZilla, e Talita Ferraz Zioli, CEO da Sonora Digital, que compartilharam diferentes perspectivas sobre o impacto da IA no futuro da música e o uso consciente da ferramenta no mercado criativo.

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IA como ferramenta criativa

Apesar das preocupações envolvendo o avanço da inteligência artificial, os participantes do painel destacaram que a tecnologia também pode funcionar como uma aliada no processo criativo, desde que exista intervenção humana por trás das ferramentas.

Talita Ferraz Zioli afirmou que a IA pode ampliar possibilidades dentro da produção musical, mas ressaltou que a criatividade humana continua indispensável. “É uma ferramenta incrível, mas precisa da criatividade por trás dela”, explicou.

Na visão de Tico Fernandes, a autenticidade ainda é um elemento impossível de ser reproduzido integralmente pela tecnologia. “O recurso que é necessário para a música a IA não consegue entregar: a autenticidade (...) Ela pode ajudar a sua criatividade a ter mais braços”, comentou.

O diretor de criação da KondZilla também destacou o potencial experimental da ferramenta para artistas e produtores. “Quando tem um uso humano por trás, para quem é curioso e criativo, é um parque de diversões.”

Já Lobão defendeu o valor dos processos criativos tradicionais e da experiência humana dentro da arte. “Eu mesmo gosto de realizar os processos, até de errar. É lúdico”, afirmou.

Talita ainda apontou que, apesar da evolução tecnológica, músicas produzidas por IA continuam apresentando limitações perceptíveis para profissionais da área. “Elas apresentam falhas técnicas que nós da música conseguimos identificar.”

Ela vai substituir os humanos na indústria musical?

O debate também abordou os impactos da IA no mercado da música e os receios envolvendo substituição profissional, produção em massa e precarização da indústria criativa.

Tico Fernandes ponderou que, ao menos atualmente, o uso de inteligência artificial ainda não domina determinados segmentos musicais. “No nosso dia a dia no mercado de funk não é algo comum fazer música com IA”, comentou.

Ainda assim, ele alertou para possíveis impactos econômicos da tecnologia. “Mas mais do que quebrar a criatividade, ela pode quebrar o mercado”, disse, citando o risco de produções em massa feitas apenas para gerar royalties.

A preocupação também foi compartilhada por Talita, que destacou possíveis consequências para profissionais da área musical. “Ela também é uma ferramenta que coloca em risco anos de luta da nossa classe.”

Mesmo reconhecendo os desafios, Lobão argumentou que fraudes e distorções sempre existiram no mercado artístico. “As falcatruas existem desde que o homem é homem (...) Cabe a nós ter inteligência e criatividade para lidar com isso. O erro seria se negar a lidar e apenas ceifar.”

O músico ainda minimizou a ideia de que a tecnologia substituirá completamente os artistas. “A IA só ameaça o medíocre.”

É preciso se adaptar

Os participantes também defenderam que o avanço da inteligência artificial é inevitável e que profissionais do setor precisarão acompanhar as transformações tecnológicas para continuar competitivos no mercado.

Tico Fernandes comentou sobre a velocidade com que novas ferramentas surgem no setor. “Todo dia sai uma coisa nova. É meio absurdo ficar em dia com todas as novidades (...) Eu não sei prever o que vai acontecer no futuro.”

Segundo ele, o ritmo acelerado da inovação afeta até mesmo profissionais que trabalham diretamente com tendências digitais. “Isso aquece tanto o mercado que é difícil até para alguém como eu, que precisa estar atualizado, acompanhar.”

Na avaliação de Talita Ferraz Zioli, transformações tecnológicas inevitavelmente provocam mudanças profundas na indústria. “Não tem como ter uma revolução tecnológica sem perdas. Nós precisamos estar atentos, se a sua cadeia está em perigo, é preciso se reinventar.”

Tico reforçou que resistir completamente à tecnologia pode acabar afastando profissionais do mercado. “Não dá mais para desplugar da tomada. Quem vai perder o emprego é quem torcer o nariz e se recusar a aprender. Mesmo você não se adaptando, o mundo vai.”

Apesar das incertezas sobre o futuro, ele acredita que o fator humano continuará sendo essencial dentro da criação artística. “Quanto mais a tecnologia avança, mais importante será o ser humano por trás.”

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