Nesta quinta-feira (30), as principais empresas de tecnologia do mundo divulgaram seus balanços trimestrais, encerrados em 31 de março, com resultados acima das expectativas impulsionados pelo crescimento da computação em nuvem, publicidade digital e produtos ligados à inteligência artificial (IA).
Até o momento, apenas as big techs Microsoft, Meta, Amazon, Alphabet (Google) e Samsung publicaram seus resultados. Os dados revelaram altos investimentos em IA, chips de memória e data centers, informação que deixou investidores preocupados com o futuro desse mercado.
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Veja a seguir os resultados dos balanços das principais empresas de tecnologia do mundo.
Microsoft
A Microsoft reportou uma receita de US$ 82,89 bilhões no trimestre encerrado em março, valor com alta de 18% na comparação anual e acima das estimativas do mercado. O lucro líquido atingiu US$ 31,78 bilhões, também superando o desempenho do mesmo período do ano anterior.
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O principal motivo desse crescimento foi seu setor de armazenamento em nuvem. A receita do Azure e de outros serviços em nuvem cresceu 40%, enquanto o segmento Intelligent Cloud somou US$ 34,68 bilhões, valor acima das expectativas dos analistas. A empresa também destacou seus avanços na área de produtos de IA com uma receita esperada de US$ 37 bilhões e mais de 20 milhões de licenças do Microsoft 365 Copilot.
Apesar dos números altos, a empresa indicou um cenário de pressão para os próximos meses, e a previsão de receita para o trimestre seguinte ficou um pouco abaixo do esperado, e a margem operacional (indicador que mede a porcentagem de lucro que uma empresa gera a parte de suas operações principais) deve cair para 44%.
O principal ponto de atenção é o aumento dos investimentos, considerando que a companhia planeja gastar US$ 190 bilhões em capital em 2026, sendo US$ 25 bilhões reservados para a alta no preço de peças, como memória.
Além disso, a empresa também indicou que deve reduzir seu número de funcionários até 2027, como parte de um movimento de aumento de eficiência.
Meta
A Meta registrou receita de US$ 56,31 bilhões neste primeiro trimestre, um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. O lucro líquido avançou 61%, indo para US$ 26,77 bilhões, com margem operacional de 41%.
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O desempenho da empresa foi sustentado pela evolução do negócio de publicidade, considerando que as visualizações de anúncios cresceram 19%, enquanto o preço médio por anúncio subiu 12%. A base de usuários ativos por dia também aumentou, alcançando 3,56 bilhões de pessoas.
Por outro lado, os custos aumentaram em ritmo maior que o da receita, com alta de 35%, totalizando US$ 33,44 bilhões. A Meta também ampliou sua previsão de investimentos para 2026, que pode chegar a US$ 145 bilhões, refletindo principalmente o aumento nos preços de peças e a expansão da infraestrutura de data centers.
A companhia projeta receita entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões no segundo trimestre, e segue monitorando riscos regulatórios nos EUA e na União Europeia, que podem impactar seus resultados.
Alphabet
A Alphabet, controladora do Google, apresentou um dos desempenhos mais fortes entre as big techs no período. A receita cresceu 22%, chegando a US$ 110 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou 81%, para US$ 62,6 bilhões.
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O destaque foi o segmento de nuvem, cuja receita cresceu 63%, totalizando US$ 20 bilhões, e esse desempenho indica ganho de participação em um mercado altamente competitivo, ainda dominado por Amazon e Microsoft. O negócio de buscas também seguiu relevante, com alta de 19% na receita, que alcançou US$ 60,4 bilhões.
Em linha com o restante do setor, a empresa aumentou seus planos de investimento em infraestrutura. O capex (dinheiro investido por uma empresa na aquisição, melhoria ou manutenção de ativos físicos e duradouros) pode chegar a US$ 190 bilhões, impulsionado pela demanda por IA. A companhia também anunciou uma carteira de contratos de data centers de US$ 460 bilhões.
Amazon
A Amazon registrou receita de US$ 181,52 bilhões, valor acima das expectativas de Wall Street, com lucro por ação de US$ 2,78.
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A unidade de computação em nuvem AWS foi um dos principais destaques, com crescimento de 28% e receita de US$ 37,59 bilhões, superando as projeções do mercado. O negócio de publicidade também apresentou forte desempenho, com alta de 24% e faturamento de US$ 17,24 bilhões. Além disso, o e-commerce, ainda maior fonte de receita da empresa, cresceu 12%, atingindo US$ 64,3 bilhões.
Apesar dos resultados positivos, as despesas com propriedades e equipamentos chegaram a US$ 44,2 bilhões no trimestre, enquanto o fluxo de caixa livre (dinheiro que sobra em uma empresa após pagar todas as despesas operacionais e investimentos de capital) caiu 95% em 12 meses.
A empresa projeta gastos de capital de até US$ 200 bilhões este ano, impulsionados por IA, expansão de data centers e projetos paralelos, como a constelação de satélites para internet. A Amazon também anunciou a aquisição da Globalstar por cerca de US$ 11,57 bilhões, reforçando sua estratégia em conectividade.
Samsung
A Samsung Electronics apresentou um salto grande em seus resultados, com lucro operacional de 57,2 trilhões de won no primeiro trimestre, mais de oito vezes superior ao registrado um ano antes. A receita também atingiu recorde, com crescimento de cerca de 70% na comparação anual.
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O desempenho foi impulsionado principalmente pela divisão de semicondutores, responsável por mais de 90% do lucro da empresa no período. A escassez global de chips de memória, intensificada pela demanda por IA, elevou os preços e beneficiou a empresa.
A big tech também avança na produção de memória de alta largura de banda (HBM), tecnologia essencial para data centers de IA, embora ainda enfrente forte concorrência de rivais como a SK Hynix. A expectativa é de que a demanda por memória continue alta ao longo do ano, com analistas projetando que 2026 pode ser o melhor ano da história da companhia, por outro lado, o aumento dos preços pode pressionar outras divisões, como smartphones e outros eletrônicos.
Quais as expectativas?
As expectativas dos analistas para o setor tech seguem, em geral, positivas no curto prazo, mas com um nível crescente de cautela em relação ao médio e longo prazo. Os resultados recentes reforçaram a percepção de que a demanda por IA e serviços de nuvem continua forte o suficiente para sustentar crescimento de receita e lucro.
Ao mesmo tempo, analistas destacam que a principal variável de risco passou a ser o retorno sobre os investimentos. Parte do mercado ainda vê incerteza, o que explica reações mais voláteis nas ações, especialmente em empresas com planos de gastos mais agressivos.
Outro ponto importante nas análises é a pressão estrutural de custos. O aumento nos preços de memória, energia e construção de data centers deve continuar impactando margens ao longo de 2026 e, alguns analistas avaliam que esse cenário pode limitar a expansão da rentabilidade no curto prazo, mesmo com crescimento constante de receita.
Por outro lado, eles destacam que o crescimento acelerado de nuvem, publicidade digital e ferramentas baseadas em IA indica que os serviços já estão sendo amplamente monetizados. Isso reforça a tese de que as big techs têm escala e capacidade financeira para absorver os custos elevados sem comprometer sua posição competitiva.
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