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The BRIEF

Celulares e TVs vão ficar mais caros: Abinee acredita em aumentos de até 30%

Aumento de custos em componentes e matérias-primas deve chegar ao consumidor nos próximos meses

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule23/04/2026, às 21:30

Um cliente observa computadores da Apple em exposição em uma loja de eletrônicos em 11 de abril de 2023, em Miami, Flórida.

A pressão no custo de produção já começa a aparecer no setor de eletrônicos e pode chegar direto ao bolso. De acordo com a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), produtos como celulares, TVs e notebooks podem ter aumento de até 30%, em um cenário que a entidade considera mais crítico do que o período da pandemia.

Se você estava pensando em comprar um eletrônico nos próximos meses, talvez seja melhor se preparar: os preços podem subir. Uma pesquisa da Abinee mostra que 47% das empresas do setor eletroeletrônico já estão pagando mais caro por componentes e matérias-primas e esse número vem subindo desde o fim de 2025 — e agora atinge o maior nível em cerca de 20 meses.

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Um dos principais motivos é o aumento no preço das memórias, peças essenciais para eletrônicos. Desde o fim de 2024, grandes fornecedores começaram a renegociar contratos com reajustes que podem chegar a 100% ao longo da cadeia. Na prática, isso pode virar um aumento de até 30% no preço final de produtos como celulares, notebooks e TVs.

Diferente do que aconteceu na pandemia, quando faltavam produtos por problemas de transporte, agora o motivo é outro. “A situação atual é considerada mais grave do que a vivida no auge da Covid-19”, diz Humberto Barbato, presidente da Abinee. Segundo ele, o que está por trás disso é o crescimento rápido dos data centers usados em inteligência artificial (IA), que precisam de muitos componentes.

O problema é que as fábricas de semicondutores não conseguem aumentar a produção na mesma velocidade, já que esse tipo de produção é complexo e caro. Com mais gente querendo comprar e pouca oferta, os preços acabam subindo e alguns itens já começam a ficar mais difíceis de encontrar.

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Outros materiais também ficaram mais caros

Não são só as memórias que pesam no preço. Materiais como cobre, alumínio, ouro e prata também subiram. O cobre, por exemplo, ficou 16,8% mais caro em março na comparação com o ano passado, enquanto o alumínio subiu 15,3%.

O plástico também entrou nessa conta, já que ele depende do petróleo, que ficou mais caro por causa de conflitos internacionais recentes e, com isso, o preço já subiu mais de 70%. 

Ainda, combustíveis mais caros aumentam o custo do transporte, o que também encarece os produtos.

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O que isso muda no dia a dia?

Com tudo mais caro para produzir, as empresas acabam repassando parte desse custo para o consumidor e isso pode reduzir as vendas e pesar no bolso de quem quer comprar eletrônicos. Também, o cenário de preços altos pode afetar a economia como um todo, dificultando a queda dos juros e o crescimento do país.

Para a Abinee, os impactos podem ir além do setor. “O resultado final pode ser o desempenho do PIB ainda menor do que o previsto”, afirma Barbato. Ou seja, o aumento no preço de celulares e TVs é só uma parte de um problema maior que ainda deve continuar nos próximos anos.

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