Logo TecMundo
The BRIEF

Câmara aprova novo imposto para serviços de streaming

Projeto que destina taxa para desenvolvimento do audiovisual brasileiro inclui vários serviços de vídeo e oferece descontos para quem investir no setor.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule05/11/2025, às 10:53

updateAtualizado em 05/11/2025, às 12:54

A Câmara dos Deputados aprovou em votação nesta terça-feira (4) o texto base do polêmico Projeto de Lei 8.889/17. Essa é a legislação que regulamenta plataformas de streaming no Brasil e estabelece uma nova cobrança tributária desses serviços.

Mudanças no projeto ou emendas propostas por outros parlamentares ainda serão discutidas hoje e podem integrar ou alterar alguns elementos da proposta. O relator do projeto é Doutor Luizinho (PP-RJ) e a votação terminou com 330 votos a favor, 118 contra e apenas três abstenções.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

O que diz o projeto de lei

O principal ponto da regulamentação é a obrigatoriedade de pagamento de uma nova taxa por parte das empresas de streaming — desde as tradicionais, como Netflix e HBO Max, até o serviço de televisão por apps (como a Claro TV+) e de compartilhamento de conteúdo audiovisual (caso do YouTube e outras redes de vídeo).

O novo tributo é destinado para a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), um órgão que busca valorizar a produção independente e o setor audiovisual no país.

undefined
A seção que determinou a aprovação do projeto. (Imagem: Reprodução/Câmara dos Deputados)

Esse imposto é cobrado sobre a receita bruta das companhias e varia de acordo com o tipo de empresa, indo de 0,1% até 4% da renda, sem contar outro tributos indiretos incidentes e já considerando ganhos com publicidade. As plataformas tradicionais e de TV por app terão as maiores taxas.

O atual projeto prevê ainda um desconto de até 60% caso os serviços usem essa verba para "estimular a indústria de audiovisual brasileira". Além disso, é possível reduzir a cobrança em até 75% caso mais da metade do catálogo de conteúdos de uma plataforma seja brasileiro. A atual cota obrigatória de produções nacionais será de 10% do que é oferecido.

O texto ainda deixa de fora da cobrança plataformas de diferentes categorias, como: sem fins lucrativos, de caráter religioso, jornalístico, de eventos esportivos, de comunicação pública ou jogos eletrônicos, entre outros casos.

Quais os próximos passos?

O projeto foi criticado por praticamente todos os setores do audiovisual por motivos diferentes, desde a alta na cobrança quanto riscos de que a lei não auxilie produtoras independentes ou de pequeno porte.

  • Deputados da oposição apelidaram o projeto de "PL da Globo" — a empresa não tem qualquer relação com a proposta e até seria afetada por manter projetos como a Globoplay, mas o argumento é de que as consequências da taxação supostamente beneficiariam emissoras tradicionais;
  • Os parlamentares que foram contrários à proposta ainda alertam que a cobrança adicional pode resultar no aumento da mensalidade das plataformas, algo ainda não oficializado por nenhuma das envolvidas;
  • Há também dúvidas sobre o andamento da lei na fase atual. No Senado, para onde o texto da Câmara irá depois da aprovação, o PL 2.331/2022 já está em andamento e tem pontos tanto discordantes quanto similares à essa proposta;
  • Caso o texto seja aprovado também no Senado, ele segue para sanção presidencial antes de ser transformado em definitivo em lei.

Por que o Brasil precisa regulamentar os streamings o quanto antes? Entenda um dos lados do debate nesta matéria!

Perguntas Frequentes

O que é o Projeto de Lei 8.889/17 aprovado pela Câmara?
O PL 8.889/17 é uma proposta que regulamenta os serviços de streaming no Brasil e estabelece uma nova cobrança tributária sobre essas plataformas. O objetivo principal é destinar recursos para o desenvolvimento da indústria audiovisual nacional por meio da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional).
Quais plataformas serão afetadas pela nova taxa?
Serão afetadas plataformas tradicionais de streaming como Netflix e HBO Max, serviços de TV por aplicativo como a Claro TV+, e plataformas de compartilhamento de conteúdo audiovisual como o YouTube. A cobrança incide sobre a receita bruta dessas empresas, incluindo ganhos com publicidade.
Qual será o valor da nova taxa para os serviços de streaming?
A taxa varia de 0,1% a 4% da receita bruta das plataformas, dependendo do tipo de serviço. As plataformas tradicionais e de TV por aplicativo estão sujeitas às alíquotas mais altas. A cobrança não inclui outros tributos indiretos já existentes.
Há incentivos ou descontos previstos para as plataformas?
Sim. O projeto prevê descontos de até 60% na taxa caso a empresa invista na indústria audiovisual brasileira. Além disso, a cobrança pode ser reduzida em até 75% se mais da metade do catálogo da plataforma for composto por produções brasileiras. A cota mínima obrigatória de conteúdo nacional é de 10%.
Algumas plataformas estão isentas da nova cobrança?
Sim. Estão isentas plataformas sem fins lucrativos, de caráter religioso, jornalístico, de eventos esportivos, de comunicação pública, de jogos eletrônicos, entre outras categorias específicas.
Quais são as críticas ao projeto de lei?
O projeto foi criticado por diversos setores do audiovisual. Alguns apontam que a cobrança pode prejudicar produtoras independentes ou de pequeno porte. Parlamentares da oposição apelidaram a proposta de "PL da Globo", alegando que ela favoreceria emissoras tradicionais, embora a Globo também seja afetada. Há ainda preocupações de que a taxa possa resultar em aumento nas mensalidades dos serviços de streaming.
O que acontece agora após a aprovação na Câmara?
Após a aprovação do texto base na Câmara dos Deputados, o projeto segue para o Senado. Lá, ele será analisado e poderá ser comparado ou ajustado em relação ao PL 2.331/2022, que trata de temas semelhantes. Se aprovado no Senado, o texto segue para sanção presidencial antes de se tornar lei.
star

Continue por aqui