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The BRIEF

A morte do SEO: como coloquei meu projeto em 1º lugar no ChatGPT

A IA mata o funil de vendas e exige GEO para que sua marca não seja eliminada pela nova regra de uma única linha de código.

Avatar do(a) autor(a): Harold Schultz

schedule27/10/2025, às 18:40

updateAtualizado em 29/10/2025, às 09:26

Semana passada, o Google tirou uma linha de código que valeu bilhões. Literalmente.

Eles removeram o parâmetro NUM100 das pesquisas. Na prática, os resultados de busca caíram de 100 para 10. Sites que viviam de tráfego orgânico viram seus acessos despencarem. O Reddit — que havia fechado um acordo de US$ 60 milhões com o Google para fornecer dados de treinamento — viu suas ações caírem 15% no mesmo dia.

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Uma linha de código. Bilhões em valor de mercado evaporados.

É o tipo de mudança que mostra: o jogo mudou. E quem ainda joga pelas regras antigas vai perder feio.

Do funil para o prompt

No ano passado, subi no palco do evento da 7th e mostrei como as conversas naturais com IA estavam matando o tráfego orgânico de grandes plataformas. A curva só piorou de lá para cá.

Agora, com os apps integrados no ChatGPT, o cenário ficou mais brutal. Você não precisa mais sair da plataforma para reservar hotel, comprar passagem, fazer transação. O Booking.com, a Expedia — todos terão que repensar do zero como chegam ao cliente.

Steve Jobs disse que o iPhone era “a vida no seu bolso”. A OpenAI está propondo algo diferente: sua vida em um prompt. Eles compraram a consultoria do Johnny Ive (o designer da Apple) para criar um device AI-native. A estratégia é clara: concentrar nosso portal para a web na IA generativa.

Quando sua vida é comandada por um prompt, o funil de vendas morre. E nasce outra coisa.

GEO: a nova sigla que você precisa conhecer

Esqueça SEO (Search Engine Optimization). O futuro agora é GEO — Generative Engine Optimization. Ou AEO, se você preferir chamar de Answers Engine Optimization.

Com o modo Search do ChatGPT e o AI Mode do Google Gemini, os usuários nem chegam mais aos links. Eles só recebem respostas. O SimilarWeb mostra crescimento exponencial no número de domínios recebendo tráfego do ChatGPT. A Vercel revelou que 10% dos novos sign-ups já vêm da IA da OpenAI.

E foi nesse cenário que consegui colocar o Red Tape Index — um projeto que estou liderando no Vale do Silício — em primeiro lugar numa pesquisa do ChatGPT.

As 3 dicas que funcionaram

1. Vibe coding: deixe a IA falar com a IA

Construí a plataforma no Lovable. Sei que isso vai infartar alguns desenvolvedores front-end, mas tem um motivo estratégico nisso.

Qual é a melhor linguagem para a IA entender? Markdown. HTML limpo. JSON para dados estruturados. Quanto mais próximo da linguagem de máquina, melhor a IA generativa processa.

Quando você usa plataformas como Lovable, Bolt ou v0.dev, é uma IA estruturando um site para outra IA ler. O vibe coding faz sentido não pela obsolescência do desenvolvedor, mas pela forma como a IA conversa com a IA.

2. Timing: trending topics ainda reinam

Compramos o domínio Red Tape Index um mês antes do governo Trump lançar o AI Action Plan, que trazia “Remove Red Tape” logo na primeira página. Lançamos o site duas semanas depois do documento oficial.

Coincidência? Talvez meu sócio tivesse informações privilegiadas. Mas o ponto é: timing continua sendo tudo. A diferença é que agora você precisa ser ainda mais rápido.

3. URL semântica: a resposta no próprio endereço

Red Tape Index. O nome já diz o que é: um índice sobre burocracia. Para a IA generativa, não há dúvida de que aquele é o melhor canal para aquela resposta.

A plataforma Profound mostrou que URLs semânticas ganham 11,4% mais citações. Parece pouco? Dependendo da empresa, isso significa milhões de dólares em faturamento.

O que vem por aí

Vejo um futuro de real-time landing page development. O fluxo será:

  1. Identificar trending topic relacionado à sua marca
  2. Comprar domínio semântico que responde àquela pergunta
  3. Gerar automaticamente landing page com FAQ (formato ideal para IA)
  4. Capturar tráfego das buscas em IA generativa

Você vai precisar de um volume gigantesco de domínios semânticos, com landing pages sendo criadas automaticamente. É isso ou ficar invisível.

Sinais de campo

A Geração Z já mostra queda de 23% no uso de redes sociais. As respostas prontas da IA estão substituindo o scroll infinito. Minha filha de 4 anos vai viver num mundo completamente diferente do que construímos até aqui.

O Google já havia mostrado isso em 2018, com o artigo “The Messy Middle”. O funil havia morrido — era tudo sobre exploração e avaliação em loop. Agora, com IA generativa, esse loop é unificado em um único ponto. A exploração e avaliação acontece pela própria IA. Você só diz “compra esse”.

Conclusão

A morte do SEO não é hipérbole. É só observar os números: uma linha de código derrubando 15% do valor do Reddit, plataformas de IA canibalizando 10% dos sign-ups de empresas consolidadas, e a Geração Z abandonando redes sociais.

A pergunta não é se o GEO vai substituir o SEO. É quanto do seu tráfego — e do seu faturamento — você vai perder antes de se adaptar.

Pensar em IA generativa como “mais um canal” é o erro fatal. Ela está se tornando o canal. E as regras são completamente diferentes.

Perguntas Frequentes

O que significa a "morte do SEO" mencionada no texto?
A "morte do SEO" refere-se à perda de relevância do Search Engine Optimization (otimização para mecanismos de busca) diante do avanço da IA generativa. Com ferramentas como o ChatGPT e o Google Gemini oferecendo respostas diretas, os usuários deixam de clicar em links, o que reduz drasticamente o tráfego orgânico dos sites. Isso exige uma nova abordagem chamada GEO (Generative Engine Optimization).
O que é GEO e como ele difere do SEO tradicional?
GEO, ou Generative Engine Optimization, é a otimização de conteúdo para mecanismos de resposta baseados em IA generativa, como o ChatGPT. Diferente do SEO, que busca ranquear páginas nos resultados de busca, o GEO foca em estruturar informações de forma que a IA consiga entender, citar e priorizar o conteúdo diretamente em suas respostas, sem depender de cliques em links.
Como a remoção de uma linha de código pelo Google impactou o tráfego orgânico?
O Google removeu o parâmetro NUM100, que permitia exibir até 100 resultados por busca. Com isso, os resultados passaram a mostrar apenas 10 links, reduzindo drasticamente a visibilidade de muitos sites. Essa mudança causou quedas significativas de tráfego e até perdas bilionárias no mercado, como no caso do Reddit, que teve suas ações desvalorizadas em 15% no mesmo dia.
Quais estratégias foram usadas para colocar o Red Tape Index em primeiro lugar no ChatGPT?
Três estratégias principais foram aplicadas: (1) Vibe Coding, utilizando plataformas como Lovable para gerar código limpo e estruturado que a IA entende melhor; (2) Timing, lançando o site logo após um evento político relevante, aproveitando o pico de interesse; e (3) URL semântica, escolhendo um nome de domínio que já responde à pergunta do usuário, facilitando a identificação pela IA.
Por que o formato de FAQ é ideal para IA generativa?
O formato de FAQ organiza informações de forma clara, direta e estruturada — exatamente como a IA prefere consumir e apresentar dados. Isso aumenta as chances de o conteúdo ser citado diretamente nas respostas geradas por IA, melhorando a visibilidade e o tráfego do site.
O que é "vibe coding" e por que ele é importante no contexto atual?
"Vibe coding" é a prática de usar plataformas que geram código limpo e estruturado (como Markdown, HTML e JSON) para facilitar a leitura por IA. A ideia é que uma IA construa o site de forma que outra IA consiga interpretá-lo com mais eficiência, otimizando a presença digital para mecanismos generativos.
Como a IA está mudando o comportamento dos usuários na internet?
A IA está centralizando a experiência do usuário em prompts, eliminando a necessidade de navegar por múltiplos sites. Isso substitui o tradicional funil de vendas por uma jornada direta, onde a IA realiza a exploração e avaliação de opções. Como resultado, há uma queda no uso de redes sociais e uma mudança no modo como as pessoas consomem informação e tomam decisões online.
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