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Lula envia ao Congresso projeto de regulação das big techs e vai aprovar texto contra 'adultização'

Além do texto que prevê a criação de regras antitruste para as gigantes da tecnologia no Brasil, o presidente vai sancionar o "PL da Adultização".

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule17/09/2025, às 12:15

updateAtualizado em 17/09/2025, às 17:26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envia hoje (17) ao Congresso uma nova proposta de regulação das gigantes da tecnologia no Brasil que tem como foco o aspecto econômico. O texto prevê uma série de proibições para evitar monopólio e traz diversas obrigações para as empresas do setor.

Ao longo do dia, o governo também deve sancionar o chamado “PL da Adultização”, que cria regras para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. Por outro lado, o projeto para regular conteúdos nas redes sociais e aumentar a responsabilização das plataformas pela postagem de materiais nocivos ainda não avançou.

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As novas regras visam reduzir as tentativas de monopólio no setor. (Imagem: Getty Images)

Quais serão as obrigações das big techs?

Desenvolvida pelo Ministério da Fazenda, a proposta estabelece regras antitruste para as big techs, de maneira a evitar abusos e garantir a competitividade em um segmento composto por várias organizações internacionais. Uma delas é a proibição de práticas que limitem a participação de concorrentes do mesmo setor ou áreas adjacentes.

  • No texto, também há a obrigação da oferta de recursos que permitam transferir dados gratuitamente para usuários finais, bem como de mecanismos para a interoperabilidade sem custos;
  • As gigantes da tecnologia deverão, ainda, permitir que empresas e profissionais visualizem dados de desempenho de seus produtos e serviços comercializados na internet;
  • Outra obrigatoriedade é sobre a alteração das configurações padrão de serviços e produtos para usuários finais, possibilitando a adequação para necessidades específicas;
  • Além disso, as companhias deverão melhorar as ferramentas para abordar as reclamações e disputas de usuários e disponibilizar serviços em igualdade de condições para todos.

Também chamado de “PL Concorrencial”, o documento reforça a importância do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Com mais poderes, o órgão passará a atuar mais diretamente na fiscalização econômica das gigantes da tecnologia — até então, só entrava em ação ao identificar violações ao equilíbrio do mercado.

Esse trabalho ficará a cargo da Superintendência de Mercados Digitais, que será chefiado por uma pessoa com experiência jurídica e/ou econômica. O presidente Lula fará a nomeação após a aprovação do projeto no Senado e o escolhido terá mandato de dois anos.

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O projeto de lei que reforça a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais também faz parte da pauta do dia. (Imagem: Getty Images)

PL da “Adultização”

Aprovado no fim de agosto, o projeto de lei de 2022, que será sancionado nesta quarta-feira (17) por Lula, voltou ao debate após as denúncias do youtuber Felca sobre a exploração de menores nas redes sociais. O documento prevê a criação de mecanismos para impedir o contato de crianças e adolescentes com conteúdos nocivos.

Outras determinações são o armazenamento de dados dos responsáveis pela divulgação destes materiais por seis meses e a comunicação às autoridades quando tais conteúdos forem identificados. A implementação de ferramentas de controle parental e o investimento em tecnologias mais eficazes de verificação de idade também estão no projeto.

A proibição do uso de informações de menores para direcionar publicidade é outro trecho em destaque. Já quanto às punições, as big techs que não cumprirem as novas normas poderão receber multas de até R$ 50 milhões ou 10% do faturamento a cada infração, além da possibilidade de suspensão ou proibição no Brasil.

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Perguntas Frequentes

O que prevê o novo projeto de regulação das big techs enviado por Lula ao Congresso?
O projeto, com foco econômico, estabelece regras antitruste para evitar monopólios e garantir a competitividade no setor de tecnologia. Ele impõe obrigações às big techs, como permitir a transferência gratuita de dados, garantir interoperabilidade sem custos, oferecer acesso a dados de desempenho e melhorar mecanismos de reclamação e disputa.
Quais são as principais obrigações impostas às big techs pelo projeto?
As empresas deverão: permitir a transferência gratuita de dados para usuários finais; garantir interoperabilidade entre serviços sem custos; oferecer acesso a dados de desempenho de produtos e serviços; permitir a alteração de configurações padrão para atender necessidades específicas; e disponibilizar serviços em igualdade de condições para todos os usuários.
Qual será o papel do Cade na nova regulação das big techs?
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) terá poderes ampliados para fiscalizar economicamente as big techs. A atuação será feita por meio da nova Superintendência de Mercados Digitais, que será liderada por um especialista nomeado pelo presidente Lula após aprovação do projeto no Senado.
O que é o “PL da Adultização” e por que ele foi criado?
O “PL da Adultização” é um projeto de lei que visa proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. Ele foi impulsionado por denúncias de exploração de menores nas redes sociais e estabelece mecanismos para impedir o acesso a conteúdos nocivos, além de exigir o armazenamento de dados dos responsáveis por tais conteúdos e a comunicação às autoridades.
Quais medidas de proteção infantil estão previstas no PL da Adultização?
O projeto prevê o uso de ferramentas de controle parental, investimento em tecnologias de verificação de idade, proibição do uso de dados de menores para publicidade direcionada e a obrigação de armazenar dados de responsáveis por conteúdos nocivos por seis meses.
Quais são as punições previstas para as big techs que descumprirem as novas regras?
As empresas que não cumprirem as normas poderão ser multadas em até R$ 50 milhões ou 10% do faturamento por infração. Também há possibilidade de suspensão ou proibição de funcionamento no Brasil.
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