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The BRIEF

Fake news sobre taxação do Pix ajudou PCC a lavar dinheiro, diz Receita

Receita Federal entendem que a revogação da norma pavimentou o caminho para a permanência de esquemas fraudulentos de desvio de dinheiro

Avatar do(a) autor(a): Felipe Vitor Vidal Neri

schedule01/09/2025, às 14:15

updateAtualizado em 01/09/2025, às 16:44

Na última semana, diversas autoridades brasileiras deflagraram uma megaoperação que mirava fintechs e outras empresas acusadas de lavagem de dinheiro para o PCC. Após as ações, a Receita Federal indica que as fake news sobre taxação no Pix, por parte do vídeo do político Nikolas Ferreira, teriam facilitado a vida dos criminosos.

A subsecretária de fiscalização da Receita, Andrea Costa Chaves, aponta que a onda de fake news disseminada culminou nessa revogação das normas previstas para a fiscalização do Pix. “Mais de 200 fintechs permaneceram fora do alcance da Receita, o que impactou diretamente a visibilidade sobre os fluxos financeiros usados pelo crime”, explica Andrea.

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Na ocasião, a proposta discutida é que quaisquer transações acima de R$ 5.000 de pessoas físicas e R$ 15.000 de empresas, fossem notificadas à Receita. O objetivo era que o órgão pudesse analisar e encontrar movimentações suspeitas de dinheiros, levando as autoridades até as raízes de golpistas e esquemas de lavagem de dinheiro sujo.

O que Fintechs e Pix tem a ver com o PCC?

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Fintechs eram elo em comum para lavar e enviar dinheiro aos criminosos do PCC (Imagem: Receita Federal)

Nikolas Ferreira, deputado federal pelo PL, foi um dos articuladores da oposição contra a medida. Em um vídeo que obteve mais de 200 milhões de visualizações nas redes sociais, o político associava a análise da Receita com uma possível futura taxação do Pix, no que muitos entendem que foi um conteúdo de fake news e pressionou o governo para voltar atrás.

  • A Polícia Federal realizou a operação Carbono oculto, que mirava diversas empresas que serviam ao PCC;
  • Em especial, as Fintechs era responsáveis por lavar o dinheiro dos criminosos da facção, que controlavam postos e redes de combustíveis;
  • Mais de 1.400 agentes cumpriram mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados para desarticular um esquema de mais de R$ 7,6 bilhões;
  • Com as fake news do Pix e o fim da análise das transações por parte das Receitas, o caminho dos criminosos ficou mais livre para não serem detectados.

Em meio aos valores bilionários de desvio de dinheiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a exigir que as fintechs fizessem reportes financeiros ao governo. Essa será uma medida para auxiliar no descobrimento de mais esquemas com maior rapidez, já que é um processo investigativo extremamente longo.

Para mais informações sobre Pix, fintechs e escândalos de corrupção relacionados com o mundo da tecnologia, fique de olho no TecMundo
 

Perguntas Frequentes

O que motivou a recente operação contra fintechs no Brasil?
A operação foi motivada por suspeitas de que diversas fintechs e empresas estariam envolvidas em esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Receita Federal e a Polícia Federal identificaram que essas instituições facilitavam o envio e ocultação de recursos ilícitos, especialmente por meio de transações via Pix.
Como as fake news sobre taxação do Pix ajudaram o crime organizado?
Segundo a Receita Federal, a disseminação de fake news — como o vídeo do deputado Nikolas Ferreira que sugeria uma falsa taxação do Pix — gerou pressão popular e política que levou à revogação de normas de fiscalização. Isso impediu que a Receita tivesse acesso a dados de transações suspeitas, facilitando a atuação de criminosos e dificultando o rastreamento de dinheiro ilícito.
Qual era a proposta original da Receita Federal para fiscalizar o Pix?
A proposta previa que transações acima de R$ 5.000 realizadas por pessoas físicas e acima de R$ 15.000 por empresas fossem notificadas à Receita Federal. O objetivo era identificar movimentações financeiras suspeitas e combater esquemas de lavagem de dinheiro.
Por que as fintechs foram alvo da operação?
As fintechs foram identificadas como elo comum no esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Elas eram utilizadas para movimentar grandes quantias de forma menos visível às autoridades, especialmente após a revogação das normas de fiscalização do Pix.
Quem é Nikolas Ferreira e qual seu papel nesse contexto?
Nikolas Ferreira é deputado federal pelo PL e foi um dos principais opositores à proposta de fiscalização do Pix. Em um vídeo que alcançou mais de 200 milhões de visualizações, ele associou a medida a uma suposta taxação, o que foi considerado fake news pela Receita. Essa ação contribuiu para a revogação da norma e, indiretamente, beneficiou esquemas criminosos.
Qual foi o impacto da revogação das normas de fiscalização?
Com a revogação, mais de 200 fintechs permaneceram fora do alcance da Receita Federal, dificultando o monitoramento de fluxos financeiros suspeitos. Isso permitiu que o crime organizado operasse com maior liberdade e menor risco de detecção.
O que é a operação Carbono Oculto?
É uma operação da Polícia Federal que teve como alvo empresas ligadas ao PCC, especialmente fintechs e redes de combustíveis usadas para lavar dinheiro. A ação mobilizou mais de 1.400 agentes em oito estados e visava desarticular um esquema que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões.
Quais medidas estão sendo propostas para melhorar a fiscalização?
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a exigir que fintechs façam reportes financeiros ao governo. A medida visa acelerar investigações e facilitar a identificação de esquemas de lavagem de dinheiro, tornando o processo mais eficiente.
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