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The BRIEF

Opera busca o Cade contra práticas anticompetitivas da Microsoft

Movimento da desenvolvedora de navegadores é mundial e busca liberdade de concorrência entre browsers.

Avatar do(a) autor(a): Rafael Farinaccio

schedule29/07/2025, às 17:15

updateAtualizado em 29/07/2025, às 17:21

A Opera, desenvolvedora de navegadores e terceira mais popular em PCs no Brasil, protocolou hoje uma representação formal junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra ninguém menos que a Microsoft.

A denúncia acusa a gigante da tecnologia de práticas anticompetitivas que restringem a concorrência entre navegadores em PCs, explorando sua posição dominante no sistema operacional Windows. Mas a encrenca toda não acontece só aqui no Brasil: a ação faz parte de uma iniciativa global da Opera para assegurar que as práticas da Microsoft não impeçam a concorrência baseada no mérito dos navegadores.

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Aaron McParlan, diretor jurídico da Opera, enfatizou que “A Microsoft impõe barreiras à concorrência de navegadores no Windows em todas as frentes. Primeiro, navegadores como o Opera são excluídos de canais importantes de pré-instalação. Depois, o sistema dificulta que o usuário baixe e use alternativas”. Ele acrescentou que a luta pela liberdade digital é global e que milhões de usuários brasileiros estão sendo privados de uma escolha genuína, merecendo acesso justo ao navegador que melhor atenda às suas necessidades.

A representação destaca diversas condutas da Microsoft que, segundo a Opera, violam a legislação brasileira de defesa da concorrência. Entre os principais pontos estão:

  • Programas de incentivo "tudo ou nada": estes programas obrigam fabricantes de PCs a definir o Edge (navegador da Microsoft) como o único navegador pré-instalado e padrão em todos os dispositivos Windows da marca;
  • Práticas de design enganosas ("deceptive design practices" ou "dark patterns"): a Opera aponta que a Microsoft utiliza estratégias para desencorajar o uso de navegadores alternativos e forçar a permanência dos usuários no Edge. Isso inclui ignorar a escolha do navegador padrão ao abrir arquivos PDF, links em e-mails do Outlook, ou links por meio de recursos como a busca do Windows, Widgets e Teams;
  • Restrições no "modo S" do Windows: em dispositivos com Windows no "modo S" – uma versão restrita do sistema – a troca do navegador padrão é completamente impedida. A Opera também alega que a Microsoft vincula a entrega de dispositivos neste modo à concessão de descontos na licença do Windows.
  • Dificuldade de instalação e definição de padrão: restrições técnicas e mensagens ambíguas dificultam a instalação de navegadores concorrentes ou a definição de outro navegador como padrão.

Padrão questionado

A Opera argumenta que, desde o primeiro momento em que um usuário liga seu computador com Windows, a Microsoft promove o uso do Edge em cada etapa, garantindo que seja o único navegador pré-instalado e padrão de fábrica.

O cenário é particularmente relevante no Brasil, onde o computador pessoal é uma porta de entrada fundamental para acessar serviços e conteúdos online, com mais de dois terços dos usuários de internet acima de 16 anos utilizando PCs para navegar, segundo a Meltwater (2025).

Futuro preocupante

A crescente adoção da inteligência artificial amplia ainda mais o papel dos navegadores de desktop, e as práticas da Microsoft preocupam a Opera por retirarem dos usuários a liberdade de escolha.

A Opera solicita ao Cade que investigue as práticas da Microsoft e imponha medidas corretivas para garantir uma concorrência justa. As solicitações incluem:

  • Cessar a exigência de que fabricantes de PCs preinstalem exclusivamente o Edge e impeçam a configuração de navegadores concorrentes como padrão;
  • Garantir que os consumidores possam instalar navegadores concorrentes e defini-los como padrão para todas as formas de navegação no sistema Windows, sem que a escolha seja ignorada ou sobrescrita;
  • Deixar de empregar estratégias persuasivas que levem os usuários ao Edge sem um consentimento claro;
  • Assegurar uma escolha real, clara e acessível por meio de uma tela de seleção de navegador, apresentando as principais opções disponíveis para usuários de PC.

Perguntas Frequentes

Por que a Opera entrou com uma representação contra a Microsoft no Cade?
A Opera acusa a Microsoft de adotar práticas anticompetitivas que restringem a concorrência entre navegadores no sistema operacional Windows. A empresa afirma que essas práticas dificultam o uso de navegadores alternativos ao Edge, impedindo uma escolha genuína por parte dos usuários.
Quais são as práticas da Microsoft apontadas como anticompetitivas?
Entre as práticas destacadas estão: programas de incentivo que exigem a pré-instalação exclusiva do Edge; design enganoso que ignora a escolha do navegador padrão; restrições no "modo S" do Windows que impedem a troca de navegador; e dificuldades técnicas e comunicacionais para instalar ou definir outro navegador como padrão.
O que são práticas de design enganosas ou "dark patterns"?
São estratégias de interface que manipulam o comportamento do usuário, dificultando escolhas alternativas. No caso citado, a Microsoft ignora a seleção de navegador padrão ao abrir arquivos PDF ou links em aplicativos como Outlook, Widgets e Teams, direcionando automaticamente para o Edge.
O que é o "modo S" do Windows e por que ele é problemático?
O "modo S" é uma versão restrita do Windows que limita a instalação de aplicativos a partir da Microsoft Store. Segundo a Opera, nesse modo é impossível trocar o navegador padrão, e a Microsoft ainda vincula descontos na licença do sistema à entrega de dispositivos com esse modo ativado.
Qual é o impacto dessas práticas no Brasil?
O Brasil é um mercado relevante, onde mais de dois terços dos usuários de internet acima de 16 anos utilizam PCs para acessar a web. A Opera argumenta que milhões de brasileiros estão sendo privados de uma escolha justa e transparente de navegador.
O que a Opera solicita ao Cade?
A Opera pede que o Cade investigue as práticas da Microsoft e imponha medidas corretivas, como: permitir a instalação e definição de navegadores concorrentes como padrão; proibir a exigência de pré-instalação exclusiva do Edge; e garantir uma tela de seleção de navegador clara e acessível aos usuários.
Essa ação da Opera é limitada ao Brasil?
Não. A representação no Cade faz parte de uma iniciativa global da Opera para promover a liberdade de concorrência entre navegadores e garantir que a escolha do usuário seja respeitada em todos os mercados onde o Windows é utilizado.
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