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The BRIEF

Nvidia e AMD vão voltar a vender chips de IA para empresas da China

As desenvolvedoras de IA chinesas poderão voltar a usar processadores avançados fabricados nos EUA após autorização do governo Trump.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule16/07/2025, às 09:15

updateAtualizado em 18/07/2025, às 09:45

A Nvidia revelou na segunda-feira (14) que pretende retomar a venda do chip de inteligência artificial H20 para as empresas chinesas em breve, após receber autorização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última semana. O mesmo tipo de garantia foi dado à AMD, de acordo com informações da Bloomberg.

Essa mudança de postura da Casa Branca acontece depois da pressão feita pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang. Nos últimos meses, ele vinha argumentando que os controles de exportação mais rígidos dificultavam a liderança americana em IA, fazendo a marca perder quase metade da sua participação na China.

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O CEO da Nvidia, Jensen Huang, negociou a suspensão das restrições com Donald Trump. (Imagem: Getty Images)

Por que as empresas americanas estavam proibidas de vender para a China?

O governo Trump havia decidido ampliar as restrições às vendas de produtos de tecnologia para Pequim em abril, o que afetou em cheio as fornecedoras de componentes para soluções de IA, principalmente. Desde então, as exportações passaram a depender de autorização da equipe do republicano.

  • Essas imposições seguem outras aplicadas pela primeira vez em 2022, que eram ainda mais abrangentes, com o objetivo de impedir que o gigante asiático tivesse acesso a tecnologias de ponta;
  • Os EUA temiam que a China empregasse os processadores no desenvolvimento de ferramentas de IA avançadas para suas forças militares;
  • Com isso, a Nvidia desenvolveu o chip H20 para cumprir os requisitos de exportação anteriores, porém os bloqueios recentes passaram a afetar, também, este produto;
  • A AMD foi outra marca impactada, ficando impedida de comercializar o processador MI308 para o mercado chinês.

A mudança de postura das autoridades americanas foi influenciada pela reaproximação entre Washington e Pequim nas últimas semanas, depois da guerra comercial impulsionada pelas tarifas impostas por Trump. A partir disso, a Casa Branca retirou vários controles de exportação, incluindo os aplicados sobre softwares para design de chips.

Em contrapartida, a China também relaxou algumas regras como resultado da negociação, permitindo, por exemplo, aumentar a exportação de minerais terras raras para o mercado americano. Esses materiais são essenciais para a fabricação de diferentes produtos de tecnologia.

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A Nvidia ainda vai anunciar a data de retorno das exportações para a China. (Imagem: Getty Images)

O que a mudança representa?

Com a retomada das vendas de chips de IA fabricados nos EUA para a China, as gigantes da tecnologia planejam recuperar a fatia de mercado perdida no país asiático. No caso da Nvidia, a expectativa é de reduzir a perda estimada de US$ 15 bilhões (R$ 83,3 bilhões) com as restrições.

Huang esteve recentemente no território chinês, onde se reuniu com representantes das empresas locais e funcionários do governo, discutindo como a IA pode expandir as oportunidades e aumentar a produtividade. Ele também promoveu a nova GPU Nvidia RTX Pro, anunciada como ideal para “fábricas e logísticas inteligentes”.

Já a AMD afirma ter acumulado prejuízos de aproximadamente US$ 800 milhões (R$ 4,4 bilhões) desde as restrições de abril, mas pretende mudar o cenário com o retorno das vendas do chip MI308. Logo após o anúncio feito pela companhia, as ações da marca registraram aumento de 5%.

O retorno das exportações do processador H20 e do chip da AMD também deve impactar diretamente as empresas chinesas de IA, que no momento utilizam componentes da Huawei. Apesar dos progressos da fornecedora local, marcas como Alibaba e DeepSeek ainda têm grande dependência das big techs americanas.

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Perguntas Frequentes

Por que Nvidia e AMD estavam proibidas de vender chips de IA para a China?
As restrições foram impostas pelo governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, com o objetivo de impedir que a China utilizasse tecnologias avançadas, como chips de IA, no desenvolvimento de ferramentas militares. As exportações passaram a depender de autorizações específicas, afetando diretamente empresas como Nvidia e AMD.
O que motivou a mudança na política de exportação dos EUA?
A mudança foi influenciada por uma reaproximação diplomática entre Washington e Pequim, após anos de tensões comerciais. Além disso, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, pressionou o governo americano ao destacar que as restrições estavam prejudicando a liderança dos EUA em IA e causando perdas significativas no mercado chinês.
Quais chips voltarão a ser vendidos para empresas chinesas?
A Nvidia retomará a venda do chip H20, desenvolvido para atender às exigências anteriores de exportação. Já a AMD voltará a comercializar o processador MI308. Ambos são voltados para aplicações em inteligência artificial.
Quais foram os impactos financeiros das restrições para Nvidia e AMD?
A Nvidia estima ter perdido cerca de US$ 15 bilhões (R$ 83,3 bilhões) em participação de mercado na China. A AMD, por sua vez, acumulou prejuízos de aproximadamente US$ 800 milhões (R$ 4,4 bilhões) desde abril, quando as restrições foram intensificadas.
Como a retomada das exportações afeta as empresas chinesas de IA?
Com o retorno dos chips americanos, empresas chinesas como Alibaba e DeepSeek poderão voltar a utilizar componentes de alto desempenho da Nvidia e AMD, reduzindo a dependência de fornecedores locais como a Huawei, cujos produtos ainda não alcançam o mesmo nível de desempenho.
O que são “minerais terras raras” e qual seu papel nas negociações?
Minerais terras raras são elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos tecnológicos, como chips e baterias. Como parte das negociações entre EUA e China, o governo chinês concordou em flexibilizar as regras de exportação desses materiais para os americanos.
Qual é a importância do chip H20 da Nvidia?
O H20 foi desenvolvido especificamente para atender às exigências de exportação dos EUA, permitindo que a Nvidia continuasse operando no mercado chinês mesmo sob restrições. Ele é voltado para aplicações de inteligência artificial e representa uma tentativa da empresa de manter sua presença global.
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