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The BRIEF

Anatel mantém proibição da venda de celulares não homologados no comércio eletrônico

O órgão rejeitou um recurso interposto pelo Carrefour que contestava as medidas para combater a venda de dispositivos irregulares nas lojas online.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule16/06/2025, às 20:00

updateAtualizado em 17/06/2025, às 09:18

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) rejeitou o recurso do Carrefour que contestava as medidas cautelares referente às restrições para as vendas de celulares não homologados em plataformas de comércio eletrônico, em decisão anunciada na última semana. Dessa forma, a comercialização desses aparelhos continua proibida.

Relatora do processo, a conselheira substituta do órgão, Cristiana Camarate, ressaltou a importância de se manter as medidas previstas, diante dos incentivos econômicos “significativos” que as lojas online têm para não cumprir a determinação de maneira voluntária. De acordo com ela, as comissões de vendas dos smartphones irregulares chegam a 14%.

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Muitos consumidores buscam celulares não homologados por causa do preço. (Imagem: Getty Images)

Quais eram os argumentos do Carrefour no processo?

No recurso administrativo apresentado, a varejista tentava reverter as obrigações impostas pela agência reguladora quanto à venda de dispositivos sem homologação no ambiente digital. Em sua justificativa, a empresa mencionou uma série de argumentos para pedir a anulação das medidas.

  • Segundo o Carrefour, as decisões sobre a proibição da venda de celulares piratas deveriam acontecer em um processo normativo com consulta pública;
  • A empresa também alegou que há dificuldades técnicas para cumprir as exigências do órgão, por causa da falta de dados convergentes entre a base da Anatel e os fornecedores;
  • Houve contestação, ainda, às multas que podem ser aplicadas em caso de não cumprimento das obrigações;
  • Conforme o recurso, essas sanções previstas seriam desproporcionais.

Durante o julgamento, todos os pontos apresentados pela varejista foram rejeitados por unanimidade no Conselho Diretor. A relatora afirmou que existe um diálogo com os marketplaces há anos, no entanto, todas as tentativas de cooperação voluntária terminaram de maneira frustrada.

Ainda segundo a conselheira, a venda de smartphones que não possuem aprovação da agência reguladora consiste em uma violação à legislação vigente. Dessa forma, a imposição de medidas cautelares é essencial para acabar com a prática ilícita, sem a necessidade de abertura de processo regulatório.

Ao TecMundo, o Carrefour informa que não expõe na plataforma “produtos que não respeitem a legislação vigente”. “Como signatário do termo de cooperação de combate à pirataria, a empresa seguirá dialogando com o órgão e adotando as medidas necessárias para o controle de sua plataforma”, diz a nota da empresa.
 

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A decisão também contempla outros dispositivos sem homologação à venda na internet. (Imagem: Getty Images)

Que medidas o órgão manteve?

Com a decisão da Anatel de manter a proibição da venda de celulares não autorizados, as plataformas de comércio eletrônico só podem exibir anúncios se informarem o número de homologação fornecido pela agência. Além disso, é necessário validar o código, verificando a correspondência com o produto, marca e modelo.

Já os anúncios não validados devem ser retirados imediatamente, com o marketplace ficando responsável por excluir novas propagandas irregulares. As plataformas continuam classificadas como “conforme”, “parcialmente conforme” e “não conforme”, com as últimas ficando sujeitas a multas progressivas e outras sanções.

Vale destacar que outras lojas online também foram enquadras nas medidas, junto com o Carrefour. Além disso, o órgão negou o pedido da Câmara e-net para ingressar no processo administrativo como parte interessada.

O que você pensa sobre a comercialização de celulares sem homologação no Brasil? Dê a sua opinião comentando nas redes sociais do TecMundo.

Perguntas Frequentes

Por que a Anatel proibiu a venda de celulares não homologados no comércio eletrônico?
A Anatel manteve a proibição da venda de celulares não homologados para combater a comercialização de dispositivos irregulares que violam a legislação vigente. A agência considera que a homologação é essencial para garantir a segurança e a conformidade técnica dos aparelhos vendidos no Brasil.
O que significa um celular não homologado?
Um celular não homologado é um aparelho que não passou pelo processo de certificação da Anatel, que verifica se o dispositivo atende aos padrões técnicos e de segurança exigidos no Brasil. A venda desses produtos é considerada ilegal.
Quais foram os argumentos do Carrefour contra a decisão da Anatel?
O Carrefour alegou que a proibição deveria ser discutida em um processo normativo com consulta pública, apontou dificuldades técnicas para cumprir as exigências devido à falta de dados convergentes entre a Anatel e os fornecedores, e considerou as multas previstas desproporcionais. Todos os argumentos foram rejeitados por unanimidade pelo Conselho Diretor da Anatel.
Quais medidas as plataformas de e-commerce devem seguir para estar em conformidade com a Anatel?
As plataformas devem exibir apenas anúncios de celulares que informem o número de homologação fornecido pela Anatel e validar esse código com o produto, marca e modelo. Anúncios não validados devem ser removidos imediatamente, e os marketplaces são responsáveis por impedir novas publicações irregulares.
O que acontece com as plataformas que não cumprem as exigências da Anatel?
As plataformas são classificadas como “conforme”, “parcialmente conforme” ou “não conforme”. As que não cumprem as exigências estão sujeitas a multas progressivas e outras sanções administrativas.
Por que os consumidores compram celulares não homologados?
Muitos consumidores são atraídos pelo preço mais baixo desses aparelhos. No entanto, esses dispositivos podem representar riscos à segurança e não oferecem garantias de funcionamento adequado dentro das normas brasileiras.
Qual foi o papel da conselheira Cristiana Camarate na decisão?
Cristiana Camarate foi a relatora do processo e defendeu a manutenção das medidas cautelares, destacando os incentivos econômicos significativos que os marketplaces têm para não cumprir voluntariamente as determinações da Anatel. Ela também ressaltou que tentativas anteriores de cooperação com as plataformas foram frustradas.
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