Crise econômica: como o novo mercado de baixa se compara a 2008?

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Na véspera de um mercado de baixa, a Bolsa de Nova York encarou mais um dia de tensão na última sexta-feira (20), quando o Índice Dow Jones chegou a desvalorizar quase 2,51% e totalizou uma queda de 17% desde seu último topo histórico. Importante, o marcador financeiro representa as trinta mais valiosas empresas da indústria norte-americana, sendo utilizado para avaliar o desempenho e a saúde do mercado geral há pelo menos 126 anos.

Embora tenha terminado a sessão de negociação "no verde", um resultado 0,03% melhor que o dia anterior, o cenário não está otimista para o Índice Dow Jones — e o restante da economia internacional. Para alguns especialistas, somente uma queda superior a 20% abaixo do último topo histórico pode indicar um mercado de baixa, porém, outros já se antecipam e sugerem que o temido contexto já se iniciou.

Gráfico de negociação diária do Índice Dow Jones. (Fonte: TradingView)Gráfico de negociação diária do Índice Dow Jones. (Fonte: TradingView)Fonte:  TradingView 

Independente da perspectiva adotada, é notável que o S&P 500 — outro importante índice, representativo das quinhentas maiores empresas norte-americanas — tenha fechado a última sexta-feira com uma queda total de 19% abaixo de seu maior desempenho. Para Jeremy Grantham, investidor especialista em identificar bolhas financeiras, é provável que a desvalorização dobre, no mínimo.

Mas, simplificando, o que essas métricas podem representar para o consumidor comum? Sem resposta exata, é possível apenas especular com eventos similares no passado, que frequentemente predizem margens para ocasiões futuras. Assim, o TecMundo elaborou um artigo comparando o atual cenário econômico com às duas últimas grandes crises: A Crise Financeira de 2008 e a Bolha da Internet. Confira!

Queda (in)esperada?

Em uma análise mais ampla, contextualizando, é possível que o período seja apenas uma retomada do movimento de queda iniciado ainda em fevereiro de 2020, aparentemente corrigindo um longo período de alta — que se estende desde dezembro de 2018. Na época, a desvalorização foi bruscamente intensificada pelo início da pandemia, quando o Índice Dow Jones chegou a enfrentar uma queda de 33,5%.

No entanto, as bolsas de valores em todo o mundo não demoraram para iniciar uma recuperação vertiginosa, fortemente apoiada pelas incentivos financeiros contra os efeitos da pandemia e sua respectiva quarentena. Certeira, a decisão não apenas anulou a abismal queda do Índice Dow Jones, como promoveu uma alta "extra" de 26% até janeiro deste ano, quando um novo período de correção parece ter se iniciado na fase "pós-pandemia".

Inflação desenfreada

Desde então, possivelmente devido ao avanço da inflação — impulsionada, em partes, pelos incentivos financeiros oferecidos pelo governo norte-americano —, o movimento de queda mais recente do Índice Dow Jones é o maior e mais brusco em dois anos. Com os preços de alimentos, energia e combustível subindo, o consumidor injeta cada vez menos dinheiro no mercado, seja direta ou indiretamente.

Para piorar, a queda parece estar enraizada nas ações do nicho da tecnologia, que receberam novos investidores com a popularização de empresas "jovens", como a GameStop e a Tesla. Antecipando-se para uma possível nova crise, até mesmo os especuladores mais inexperientes estão evitando investimentos de alto risco, diminuindo a demanda pela categoria e removendo aportes aplicados anteriormente.

"Saldão Tech": pior que a Crise de 2008?

Mesmo com as expressivas quedas no nicho da tecnologia, representado pelo mercado Nasdaq, o cenário moderno ainda está distante da última grande crise, em 2008 — com ressalvas, porém. Na época, o desempenho do índice chegou a distanciar-se 56% de seu último valor máximo, uma desvalorização apenas superada pelo rompimento da Bolha da Internet, nos anos 2000, quando uma queda de 78% foi registrada. Atualmente, o recuo mais recente alcançou 31,52%.

Apesar de soar "reconfortante", a métrica ainda possui alguns dados alarmantes. Conforme denota o Barron's, o desenvolvimento da "nova crise" parece muito mais íngreme que o de suas antecessoras. Considerando os primeiros 119 dias de negociação após a máxima do índice, marcados pelo dia 11 de maio, a fonte detalhou que a queda já havia alcançado uma mínima de 29%, contra "apenas" 17% e 19% no mesmo intervalo, em 2008 e 2000, respectivamente.

Desenvolvimento das últimas crises, comparado através da queda após a última máxima de negociação. (Fonte: FactSet via Barrons / Reprodução)Desenvolvimento das últimas crises, comparado através da queda após a última máxima de negociação. (Fonte: FactSet via Barrons / Reprodução)Fonte:  FactSet via Barrons 

Caso utilizada como guia, a análise aponta que o atual cenário não é apenas mais íngreme, como também não deve ter muitos períodos de valorização no futuro breve — sugerindo também uma vindoura recessão.

Recessão a caminho?

Embora não seja uma regra, o início do mercado de baixas tende a preceder também o início de uma recessão generalizada na economia. Nesse período, há pelo menos dois trimestres consecutivos de recuo no crescimento de um país, com diminuição (e encarecimento) na produção de bens e serviços. Considerando a queda das bolsas de valores e o avanço implacável da inflação, é possível que o cenário financeiro internacional encare certa volatilidade nos próximos meses.

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