Microsoft criou algoritmo que 'prevê' gravidez de adolescentes

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Imagem: Freepik.com/DCStudio

Uma reportagem da Wired revelou que uma província da Argentina utilizou um algoritmo criado pela Microsoft para prever quais jovens tinham mais chances de ficarem grávidas ainda na adolescência — tudo de acordo com possíveis indicadores sociais e envolvendo até monitoramento presencial.

O caso aconteceu a partir de 2018 na região de Salta, no noroeste do país, e envolveu a chamada Plataforma Tecnológica de Intervención Social.

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O algoritmo chegou a ser anunciado em rede nacional, mas o governo não divulgou detalhes sobre como ele operava o que acontecia com as pessoas identificadas como mães em potencial.

Sempre de olho

Agora, detalhes sobre o sistema começaram a aparecer. Segundo a reportagem, o sistema era baseado em dados dos 200 mil residentes de Salta e envolvia diferentes variáveis — como renda da família, estrutura da casa e local de residência, por exemplo.

Além disso, o governo utilizava agentes presenciais para acompanharem de perto as jovens identificadas pelo algoritmo como mais prováveis para engravidar, enviando funcionários para realizar entrevistas, tirar fotos e gravar a localização via GPS. A maior parte das jovens consultadas eram imigrantes de países vizinhos ou de etnias indígenas locais.

Qual o problema?

O principal problema da utilização da plataforma em Salta, segundo especialistas consultados pela Wired, é a falta de transparência do algoritmo: simplesmente não há detalhes sobre o seu código. Além disso, foi detectada a ausência de avaliações externas sobre o uso dessa tecnologia e não há publicação dos dados coletados ou de informações adicionais, como ações afirmativas realizadas nas regiões monitoradas.

Além disso, o próprio algoritmo não levava em conta fatores como educação sexual e métodos contraceptivos — que são considerados essenciais no combate à gravidez na adolescência, mas muitas vezes negligenciados. Ainda assim, segundo uma universidade local, o modelo realizou previsões corretas em 98% das vezes.

Jornalistas e ativistas na Argentina também protestaram contra o algoritmo pelo contexto da região: o governo local tem um longo histórico de vigilância populacional e embates sobre direitos das mulheres. O aborto foi legalizado no país no final de 2020. Segundo a Microsoft, a plataforma é "um caso pioneiro de utilização de Inteligência Artificial" em programas sociais.

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Fontes

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