Visibilidade trans: mais do que falar por 1 mês, é preciso agir o ano todo

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A não diversidade de gênero nos espaços profissionais, seja na Tecnologia, seja em outra área majoritariamente masculina, afeta tanto o desempenho da cultura organizacional de empresas quanto os seus lucros.

Quando analisamos o atual contexto econômico, provocado pela pandemia, constata-se uma piora no mercado de trabalho que impacta, principalmente, a vida de pessoas trans e travestis. Para reverter esse cenário, as empresas precisam agir.

Segundo a pesquisa recente da plataforma #VoteLGBT com a Box1824, 41,53% da população LGBTQIA+ está em situação de insegurança alimentar. Para pessoas trans e travestis, as camadas de mazelas sociais de desigualdade e de desrespeito aos direitos humanos são ainda mais profundas.

De acordo com mapeamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, apenas 13% das travestis moradoras da cidade declararam ter trabalho formal. O Brasil é o país que mais mata travestis, tendo expectativa de vida de apenas 35 anos. Além disso, somente cerca de 0,02% de pessoas trans estão na universidade, 72% não concluíram o Ensino Médio e 56% não completaram o Ensino Fundamental em 2018, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

É urgente as empresas buscarem aplicar, nos seus processos seletivos e principalmente nos cotidianos organizacionais, práticas inclusivas e de diversidade para a garantia de uma real sociedade com equidade e justiça. Do mesmo modo que é preciso reconhecer todo trabalho que ainda tem que ser feito no Brasil e internacionalmente.

Visibilidade Trans no trabalhoFonte: Shutterstock

Para alinhar os princípios e construir uma sociedade em que todos sejam respeitados por serem como são, incluindo boas práticas de respeito aos direitos humanos, as empresas podem buscar parcerias de instituições especialistas.

Isso vale para a sociedade e também para as empresas de todos os setores. A Intel, uma empresa de tecnologia, entende seu compromisso social em levar diversidade e inclusão para a comunidade, sendo, desde 2019, uma empresa signatária do Fórum de Direitos e Empresas LGBTI+. Em 1990, foi fundado, na instituição, o iGLOBE, que é um grupo de funcionários LGBTI+ e aliados.

Desde então, tem-se criado iniciativas que permitem um local de trabalho benéfico e seguro tanto para seus funcionários quanto para o mercado. Recentemente, podemos citar a parceria da Intel com a PrograMaria e a TransEmpregos, em que foram oferecidas 400 bolsas de estudos de programação para pessoas trans e travestis.

A TransEmpregos disponibiliza acesso ao maior banco de dados de currículos de pessoas trans a seus parceiros. O portal possibilita o contato com profissionais trans de forma a fomentar a diversidade nas empresas. Com essa parceria, a Intel busca dar mais espaço para esse grupo no mercado de trabalho e, em específico, na tecnologia. Além disso, em uma breve linha do tempo de resgate, é possível observar mudanças relevantes que impactaram positivamente o ambiente da organização e a vida dos funcionários.

É importante firmar diariamente o compromisso com a não discriminação de qualquer pessoa a fim de combater as desigualdades sistêmicas e estruturais. Esse é um trabalho de várias "mãos" e poderes, mas sem dúvida as organizações têm uma influência muito relevante nisso e precisam cumprir esse dever.

Dessa forma, espera-se que cada empresa busque cumprir com esses compromissos e que, junto aos seus diferentes stakeholders, possamos influenciar positivamente o ambiente empresarial e a sociedade.

A visibilidade trans não é um assunto que devemos abordar somente em janeiro, mas no ano todo e em todos os setores.

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Roberta Knijnik é a Gerente de Vendas e Marketing da Intel Brasil e líder da América Latina do Women at Intel Network (WIN), programa de empoderamento feminino e equidade de gênero da Intel.

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