Microsoft: qual a relação da compra da Activision e o metaverso?

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A aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft por cerca de US$ 69 bilhões, anunciada nesta terça-feira (18), continua dando o que falar. Enquanto a compra só deve ser finalizada em 2023, os desdobramentos sobre o assunto seguem rendendo movimentações no mercado de games.

Além de todas as possibilidades de lidar com franquias de sucesso, plataformas com um alto número de jogadores, uma geração consistente de receita e um valor de mercado em queda devido aos escândalos internos, a negociação também envolveu uma palavra que está na moda no setor: o metaverso.

Mas, afinal, que papel terá a Activision Blizzard nos planos da nova dona para esse segmento?

Construindo um mundo

É bastante óbvio que o metaverso não é o motivo principal que levou a Microsoft a comprar a empresa, que abriga sagas como Diablo e Call of Duty. A compra bilionária aumenta ainda mais o portfólio de games nas mãos da divisão Xbox, que podem figurar em serviços como o Game Pass.

Entretanto, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, citou que a compra "terá um papel chave no desenvolvimento de plataformas do metaverso" no comunicado oficial da compra. O problema? Ele simplesmente deixou essa frase solta, sem detalhar como isso acontecerá.

Ainda assim, o executivo já chegou a abordar o tema em 2021, durante a conferência Ignite da empresa. "Quando falamos de metaverso, descrevemos tanto uma plataforma nova quanto uma nova forma de aplicação, similar a como falávamos sobre a web e os sites no começo dos anos 1990. Não é só apenas sobre jogar algo com os amigos, você pode estar no jogo com eles", explica.

WoW é exemplo de construção de mundos interativos com um universo rico.WoW é exemplo de construção de mundos interativos com um universo rico.Fonte:  World of Warcraft 

A partir disso, é possível juntar algumas evidências sobre os planos do executivo. A companhia já é dona de Minecraft, plataforma que permite diferentes interações e formas de construção de mundo, mas pode ir além com os novos títulos — World of Warcraft é um dos MMORPGs mais importantes e bem sucedidos do gênero e têm muito a ensinar sobre manutenção de base de usuários e construção de universos complexos.

O metaverso não pode ser reduzido a um grande jogo, mas a companhia parece decidida a focar nesse ponto para se diferenciar de concorrentes. E a aquisição de tantas franquias pode encorpar planos futuros.

A questão de equipamentos

Outro ponto que separa a Microsoft de lançar uma plataforma do tipo tão rapidamente envolve a falta de iniciativas publicamente divulgadas sobre lançar um metaverso interativo, como é o caso da Meta (ex-Facebook). Nesse quesito, a Activision Blizzard não pode colaborar tanto, já que não desenvolve equipamentos do tipo.

A companhia de Nadella, porém, ao menos já trabalha no desenvolvimento de tecnologias de hardware que facilitem uma implementação futura.

Um exemplo é a utilização da Mesh para, a partir de servidores em nuvem da Azure, realizar reuniões e compartilhar experiências via Realidade Virtual — meses depois, o serviço até foi integrado ao Microsoft Teams.

O HoloLens pode servir de base para futuros headsets focados no metaverso e em jogos.O HoloLens pode servir de base para futuros headsets focados no metaverso e em jogos.Fonte:  Microsoft 

Além disso, ela fechou uma parceria com a Qualcomm para ajudar a desenvolver chips para óculos de Realidade Aumentada, uma alternativa menos convencional para a entrada no metaverso. A própria Microsoft possui o HoloLens, já na segunda geração, mas esse dispositivo é mais voltado para a utilização no ensino e em áreas profissionais.

Os desafios na implementação são muitos e ainda deve levar algum tempo para que a aquisição seja finalizada e incorporada à Microsoft. Porém, os planos são ambiciosos e muitas divisões da empresa têm a ganhar com a entrada do estúdio.

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