Brasileiro é solidário e admira empresas que se envolvem em causas sociais

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Apesar da sensação de sermos um país solidário, o Brasil aparece apenas em 54º lugar. Estar abaixo da 50ª posição nos mostra o quanto temos a evoluir quando o assunto é “se doar”. Embora o número não seja animador, ele aponta um avanço significativo e diz muito sobre o nosso comportamento, principalmente durante a pandemia, na qual a solidariedade teve um boom por aqui.

Para se ter uma ideia do crescimento, no mesmo relatório, entre os anos de 2009 e 2019, o Brasil não passou do 74º lugar. Portanto, ainda que tenhamos que melhorar, vejamos também o “copo meio cheio”, o País teve um crescimento significativo de 20 posições, que pode ter tido como motivador principal a pandemia e a maneira como o brasileiro enxerga a caridade.

Roberta Faria, presidente do Instituto MOL — Organização não Governamental (ONG) de fomento à cultura da doação —, tem uma fala com a qual concordo bastante: “Nossa cultura de doação é centrada na caridade e é pautada por emergência, quando tem enchente, desabamento, entre outras. Não é um investimento privado em uma causa, de forma recorrente, mês após mês”.

Nesse sentido fica claro que o surto de coronavírus ativou o senso de urgência no brasileiro, que esteve mais aberto para se doar a uma causa. Foi visível e muito positivo o engajamento da população em causas sociais, que envolveram doações de alimentos à EPIs. Mas não apenas isso, o senso de urgência trouxe à tona a necessidade de que grandes empresas também se posicionem e se envolvam em causas sociais.

A sociedade, especialmente os jovens, entendem esse movimento como essencial.

Segundo pesquisa feita pela Lynx, 82% dos cidadãos entre 14 e 29 anos acham que as empresas devem ajudar em causas sociais. Além disso, 72% se interessam em conhecer de que forma o apoio acontece na prática e 64% confiam mais em empresas que se importam em transformar o mundo positivamente.

Junto a esses dados, segundo Edelman Earned Brand, 22% dos brasileiros aceitam pagar até 25% a mais por um produto ou serviço de empresas que defendem uma causa social a qual se identifiquem e 53% tornam-se tão fiéis à marca, que não só a recomendariam como também a defenderiam perante os concorrentes, se necessário.

Brasileiro é solidário Fonte: Shutterstock

Por mais que existam dificuldades nesse trajeto, o movimento tem sido positivo e colaborativo com a sociedade como um todo. Particularmente, venho trilhando um caminho em que incentivo muito a solidariedade, conectando pessoas e empresas. Costumo dizer que, muitas vezes, não são necessários recursos financeiros: doa-se tempo, expertise, sabedoria, networking, conexões.

O conceito de give back casa muito bem com esse pensamento. A prática que, em tradução literal, significa “dar de volta”, apresenta a retribuição como parte intrínseca do “ser grato”. Quem um dia recebeu tanto, pode devolver ao universo o bem que alguém lhe fez. Como dito, não se trata de dinheiro, tampouco de fazer algo para a mesma pessoa que lhe ajudou. Funciona como uma troca de boas energias, em que você pode doar o que tem de melhor a alguém. É aquela máxima: “gentileza gera gentileza”, sabe? Um círculo virtuoso em que todos só têm a ganhar.

O give back é o pilar essencial do projeto Vamos Subir, startup social que ajuda jovens recém-ingressados no mercado de trabalho a crescerem mais rapidamente em suas carreiras, e conta com a participação de empresas como o iFood, Loggi, Oracle, Schneider Electric, Zendesk, entre outras. E o apoio fundamental de alguns executivos como Rodrigo Galvão da Oracle, Tânia Cosentino da Microsoft, João Branco e Paulo Camargo do McDonald's e Paula Bellizia ex-Microsoft e Google, que aceitam interagir e engajar sem a cobrança de cachê ou qualquer outro benefício. Eles efetivamente acreditam no give back e querem inspirar, impactar e ajudar no direcionamento e na transformação dos jovens.

Os números são preocupantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos é de mais de 30%. Por isso, entre as principais iniciativas lideradas pelo projeto estão quatro programas para desenvolver competências socioemocionais, técnicas, conexões e empregabilidade. No projeto ainda existem programas como o Executive Talk, conectando nossos jovens aos principais c-levels do Brasil. Trilhas, nas quais se ensina temas como descoberta de propósito, escolha de carreira, networking, entrevistas de emprego e mais. Top habilidades, em que as 10 principais habilidades socioemocionais são ensinadas. E, por fim, o programa chamado Carreiras, no qual carreiras de Marketing, Vendas, Sucesso do Cliente, Gestão de Pessoas e Tecnologia, podem ser aprendidas. Na última edição foram mais de 25 mil participantes, de forma gratuita e social.

Tudo foi pensado, porque apesar de esbarrar em inspirações valiosas pela vida, faltava a mesma identificação no mundo corporativo. Na maioria das vezes é difícil encontrar um mentor inspirador, principalmente pela visão de um jovem.

Considerando minha jornada e o olhar especial para educação, percebi o quanto era importante o desenvolvimento das soft skills, que geralmente acabam ficando de fora do aprendizado regular e técnico. Esse é o diferencial do projeto Vamos Subir, que olha com carinho para o desenvolvimento de características necessárias para a jornada, oferecendo conexões valiosas e muita inspiração.

Quantos outros jovens não precisam, hoje, do mesmo apoio que precisei lá atrás, não é mesmo? Eu não perderia a oportunidade de contribuir com isso. É a minha missão, meu give back!

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Flavio Generoso Valiati, CEO da Vamos Subir e líder do segmento de Educação da Zoom no Brasil.

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