Por que o Pix ainda não substituiu o cartão de débito e o dinheiro?

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Equipe TecMundo

@tec_mundo

Lançado em novembro de 2020, o Pix já se tornou o recurso mais utilizado pelos brasileiros para realizar transferências de dinheiro de pessoa para pessoa (P2P), superando amplamente o TED e o DOC.

Segundo dados do Banco Central, neste ano mais de 286 milhões de operações foram efetuadas por Pix até meados de fevereiro, enquanto as TEDs somaram 53,2 milhões de transferências no mesmo período — 18,5% do volume total do Pix. Esse cenário já era esperado, afinal as transferências com Pix são gratuitas e podem ser realizadas 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados.

Esse cenário tende a demorar um pouco mais para ocorrer

Durante o período de pré-lançamento, a previsão era que o Pix pudesse também angariar uma fatia relevante de pagamentos feitos com dinheiro e cartão de crédito no comércio varejista, eventualmente substituindo ou suplantando esses "concorrentes". Porém, esse cenário tende a demorar um pouco mais para ocorrer. Dados do Banco Central revelam que os pagamentos de pessoas para empresas (P2B) representaram apenas 8,3% do total transacionado via Pix em janeiro.

2 grandes entraves

Isso acontece porque as redes varejistas encontram dois grandes entraves para oferecer o novo meio de pagamento aos clientes. O primeiro é em relação à tecnologia para implementação do Pix; é preciso buscar fornecedores de tecnologia para oferecer a modalidade, integrando com o sistema de frente de caixa. Tal investimento gera um custo extra considerável, ainda mais em momento de indefinição econômica com o recrudescimento da pandemia.

O outro ponto diz respeito às tarifas cobradas dos comerciantes tanto para envio quanto para recebimento do Pix. Após um período gratuito, Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander passaram a cobrar pelas transações instantâneas do BC, enquanto Caixa e outras fintechs continuam isentando. Sem uma visibilidade clara sobre as taxas cobradas por cada movimentação, os lojistas preferem aguardar os próximos passos para se decidir definitivamente em relação à utilização do Pix.

Compras parceladas

O Pix também não deixa de ser uma grande incógnita às marcas que têm o crediário como seu carro-chefe. Apesar de facilitar o pagamento das parcelas, a modalidade não retira a necessidade de crédito por parte dos consumidores.

Além disso, sua implementação pode ser um tiro na água, pois uma grande parcela desse público é desbancarizada e convertê-la não será uma tarefa fácil. Portanto, o processo de adaptação deve ser ainda maior para quem tem o bom e velho carnê como mola propulsora de vendas.

Mesmo quando são vencidas todas as barreiras, o comerciante se depara com a falta de hábito dos clientes em realizar transações no varejo via Pix. Muitas vezes, as lojas que já implementaram o meio de pagamento não realizam um treinamento adequado para o time de vendedores e operadores de caixa — outro fator determinante para a baixa quantidade de pagamentos até aqui.

Lojas que já implementaram o meio de pagamento não realizam um treinamento adequado para o time de vendedores

A verdade é que o momento exige maior ensinamento sobre a utilização do Pix, apresentando os benefícios que as redes varejistas ganham na adesão ao meio de pagamento. Além do BC, as empresas privadas do setor financeiro precisam incentivar e estimular esse movimento de uma maneira mais incisiva, fazendo um trabalho de promoção e treinamento, se possível até mesmo mostrando a eficiência do funcionamento dele no ponto de venda. É hora de arregaçar as mangas.

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Jeison Schneider, autor deste artigo, é sócio-fundador e CEO do Meu Crediário. Tem mais de 15 anos de experiência profissional na liderança de softwares de gestão de risco para crediário no Brasil.

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