Testamos o PIX; veja como funciona no BB, C6 Bank e PicPay

8 min de leitura
Imagem de: Testamos o PIX; veja como funciona no BB, C6 Bank e PicPay
Imagem: clickriomafra
Avatar do autor

O PIX entrou 100% em operação nesta segunda-feira (16) após um período de testes com uma pequena parcela dos usuários que cadastraram chaves na plataforma do Banco Central por meio de seus bancos ou carteiras digitais. Agora que todos podem ter acesso à novidade, eu resolvi testá-la no Banco do Brasil, no C6 Bank e no PicPay, as três plataformas financeiras que eu utilizo com mais frequência.

Se você já testou o PIX em outros apps, eu lhe convido a compartilhar nos comentários como está a experiência em outras instituições.

Tenho a impressão de que as transações PIX que eu fiz para mim mesmo e para uma amiga foram concretizadas mais rapidamente do que um pagamento com cartão

Para começar a testar o PIX, eu fiz algumas transferências para mim mesmo entre BB, C6 e PicPay. Todas no valor de R$ 1,00 simplesmente para conferir a velocidade do sistema. Não houve nenhuma demora significativa que pudesse atrapalhar a praticidade da ferramenta. Na verdade, tenho a impressão de que as transações PIX que eu fiz para mim mesmo e para uma amiga foram concretizadas mais rapidamente do que um pagamento com cartão em uma maquininha de loja.

Em termos de segurança, os aplicativos das três instituições financeiras contam com procedimentos aparentemente seguros. Quando você confirma a chave PIX do destinatário, o nome da pessoa aparece na tela de forma destacada, bem como o nome do banco que ela está utilizando. Após confirmar o valor, é sempre necessário digitar uma senha numérica.

Banco do Brasil e C6 ainda pedem que o usuário faça login no app com a impressão digital antes de ter acesso ao PIX. Já no PicPay, isso não é necessário, pois você simplesmente abre o app e pode iniciar a operação (mas ainda assim, é preciso confirmar uma senha antes de cada transação).

Melhor experiência de uso

Das três opções que eu tive em mãos para realizar transações PIX, a mais completa e agradável de usar foi a do C6 Bak. A do Banco do Brasil é bastante completa, mas poderia ser mais intuitiva. A do PicPay é muito intuitiva e prática, mas deixa a desejar nos recursos. Vou explicar  melhor adiante.

C6 Bank

Ao abrir o app do C6, você precisa imediatamente confirmar sua biometria para ter acesso à conta. Em seguida, você precisa arrastar para cima até encontrar a seção PIX. Uma vez nessa área, você já tem atalhos para “Pagar”, “Receber”, “Transferir” e ver suas “Chaves”.

Tocando em “Pagar”, o app já abre a câmera e você pode escanear o código de um amigo ou mesmo de uma loja. A função “Receber” serve para você gerar um QR code e mostrar para alguém lhe pagar. Nessa opção, é possível colocar um valor a ser cobrado ou deixar em branco para o pagador preencher essa informação. Também é permitido editar a chave que será informada no código, para o caso de você ter mais de uma no C6 e preferir não informar dados como telefone ou CPF para estranhos na hora de uma transação.

c6 bankC6 Bank conta com vários atalhos já na tela inicial. (Imagem: TecMundo)

Ao criar um código, você pode compartilhar a imagem por mensageiros, mas a função mais prática talvez seja o “Link” (não é um link de verdade), que permite colar o código alfanumérico do QR em mensageiros, tornando mais fácil para o destinatário realizar o pagamento sem ter que fazer malabarismos com uma imagem.

Aliás, compartilhar a imagem do QR Code pelo WhatsApp, por exemplo, é algo completamente inútil na maioria dos casos, já que boa parte dos apps de bancos ainda não consegue fazer a leitura de códigos QR armazenados diretamente na memória do seu aparelho, da forma como fazem com códigos de barra em boletos PDF.

pix c6Recurso "Copia e cola" é bem prático no C6. (Imagem: TecMundo)

Quando você copia um código alfanumérico do PIX que você recebe em algum mensageiro, é possível abrir o app do C6 e, logo depois do login, o app já identifica que você tem um código copiado e sugere fazer o pagamento ali na tela inicial com apenas um clique. Muito prático.

A função “Transferir” é a mais útil, na minha opinião, pelo fato de trazer absolutamente todas as funções do PIX em uma só tela. Você consegue inclusive enviar dinheiro para alguém mesmo sem perguntar a ela qual é a chave PIX. Basta buscar o número de telefone da pessoa na sua agenda, caso você tenha essa informação a salvo. E não se preocupe, antes de fazer a transação, será possível confirmar se aquele telefone é uma chave cadastrada e se realmente está com o destinatário correto.

Banco do Brasil

O app do Banco do Brasil é o que traz mais recursos para fazer pagamentos com o PIX, mas não é tão prático e intuitivo como as outras duas opções que eu utilizei. Contudo, não quero dizer que é difícil fazer um PIX com o BB. É bem fácil, na verdade.

A diferença para os demais é que a interface do app é mais densa, com mais informações em texto e poucos ícones facilmente reconhecíveis. Isso faz com o que o usuário leve uns instantes a mais para navegar pela ferramenta, mas não se trata de uma experiência difícil. O app do BB no celular é extremamente completo, sendo possível realizar uma quantidade imensa de operações sem ir a uma agência, e botões apenas com texto acabam facilitando o desenvolvimento de uma ferramenta assim. A interface que eles criaram para o PIX segue a mesma lógica.

Para acessar o PIX do BB, você precisa fazer login com sua biometria ou senha, tocar no ícone do PIX na tela inicial do app e, em seguida, escolher uma opção de pagamento, leitura de QR Code ou fazer uma cobrança.

pixBanco do Brasil aposta na quantidade de ferramentas. (Imagem: TecMundo)

Ali já tem também a opção “Pix copia e cola” para você colar o código alfanumérico de uma cobrança que você recebeu por WhatsApp, por exemplo. Assim como o C6 Bank, não é possível ler um QR que você tenha recebido por imagem. Contudo, o BB permite gerar um código por imagem e compartilhá-la em mensageiros.

No entanto, a opção “Pagar com PIX” do BB é a melhor que eu testei até agora. Na mesma tela, você tem ferramentas simples para selecionar e digitar todos os tipos de chave e, acima, ainda é possível conferir as transações recentes que você fez para fazer um preenchimento automático. Tem também um atalho que traz a sua agenda de contatos do smartphone para dentro do app do BB, assim você pode pesquisar o destinatário do seu pagamento pelo nome e enviar o PIX através do número de telefone dele.

pixBanco do Brasil permite alternar entre os tipos de chave com mais facilidade. (Imagem: TecMundo)

Existe ainda a possibilidade de digitar os dados da conta bancária do destinatário. Assim, ele pode receber dinheiro mesmo que não tenha uma chave PIX cadastrada em lugar algum. Essa função essencialmente substitui as TEDs e os DOCs.

PicPay

Essa carteira digital é a mais fácil de usar no PIX entre as opções que eu consegui testar. Quando você abre o PicPay, não é preciso fazer login para ter acesso às funções do app. Só é preciso confirmar sua senha na hora de realizar transações. Isso garante praticidade, mas de fato é uma barreira de segurança a menos.

Ainda assim, eu não acredito que seja uma barreira absolutamente importante, considerando que você mantém o seu celular bloqueado com senha ou biometria. Se você compartilha seu celular com crianças ou qualquer outra pessoa, a falta de login de início pode ser um problema sério.

Voltando ao assunto PIX, ao abrir o PicPay, você já se depara com um ícone do novo sistema de pagamentos brasileiro. Tocando ali, você é levado para uma nova página com opções para enviar dinheiro digitando as chaves do destinatário manualmente, sejam elas telefone, e-mail ou número aleatório.

picpayInterface do PicPay é a mais simples entre as três que testei. (Imagem: TecMundo)

Você tem ainda um atalho para ler QR codes PIX e outro para inserir dados de contas bancárias de pessoas que ainda não utilizam o PIX. Ao realizar qualquer transação PIX no PicPay, você precisa digitar uma senha numérica para finalizar a atividade.

Apesar da praticidade, faltam recursos no PicPay. Você não pode, por exemplo, buscar o número de telefone de alguém que esteja salvo na sua agenda telefônica. Assim, sempre será preciso pedir o telefone das pessoas na hora de digitar esse tipo de chave PIX.

Também não existe um histórico das suas transações para que você possa reenviar dinheiro via PIX para quem você já fez isso no passado.

pixNão existe ferramenta para acessar a agenda de contatos do celular para obter chaves via número de telefone. (Imagem: TecMundo)

Nos meus testes, o PicPay retornou com um erro sempre que tentei pagar um PIX via QR Code. Isso aconteceu tanto arrastando a tela inicial para a direita para relevar o leitor principal do app ou mesmo mexendo nas opções do próprio PIX no PicPay. Eu suspeito que esse problema deva ser resolvido em breve, mas ele é realmente grave para uma ferramenta em lançamento e que já vinha sendo testada desde o início de novembro.

Qual é o melhor?

Dentre os três apps que eu utilizei para fazer os testes iniciais com o PIX, minha experiência preferida foi a do C6 Bank. A do Banco do Brasil, apesar de não ser tão intuitiva, ainda é melhor do que a apresentada pelo PicPay, simplesmente por funcionar 100% do tempo. Não consigo menosprezar o problema para transações PIX via QR Code no PicPay. Juntando isso ao fato de não ser possível acessar a agenda de contatos do celular para iniciar pagamentos, o PicPay acaba sendo a pior experiência que eu tive até agora.

Eu pretendo fazer mais testes com essas e outras ferramentas nas próximas semanas, bem como trazer impressões mais completas, do dia a dia mesmo. Enquanto isso, se você testou o PIX em outros bancos e carteiras digitais, não deixe de compartilhar suas experiências conosco nos comentários.

News de tecnologia e negócios Deixei seu email aqui, e welcome to the Jungle.
Testamos o PIX; veja como funciona no BB, C6 Bank e PicPay