A estreia do PIX e a bancarização pelo celular

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Novembro marca o início da operação do PIX, o primeiro meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil com a ideia de ser usado principalmente em smartphones. Nesta segunda-feira (16), o serviço terá seu uso aberto após passar por um período de 2 semanas de testes por alguns usuários selecionados.

Para usar o novo meio de pagamento é necessário cadastrar uma chave junto ao banco ou instituição de pagamento — uma das opções para criar essa chave é o número do celular. Com isso, a pessoa consegue facilmente gerar um QR Code, com o qual um pagador pode transferir recursos para a conta correspondente instantaneamente. Para pagar, usa-se o celular para ler o QR Code de quem vai receber, funcionando como o código de barras nos pagamentos de boletos, com a diferença de que o dinheiro chega na hora para quem recebe.

O PIX vem após uma notável operação de inclusão de pessoas de baixa renda no sistema financeiro, pois o pagamento do Auxílio Emergencial e a liberação do saque emergencial do FGTS levaram à abertura de 100 milhões de poupanças sociais digitais. O setor de telecomunicações contribuiu decisivamente para a distribuição, pelos celulares, desses recursos à população. Isso aconteceu principalmente pelo grande esforço do setor na popularização da telefonia móvel e do uso de smartphones em todo o país.

Setor de telefonia dispensou a cobrança de internet para acesso aos aplicativos do Auxílio Emergencial

Além disso, durante 2020, o setor de telefonia dispensou a cobrança de internet para acesso aos aplicativos do Auxílio Emergencial e de abertura de contas de poupança social digital. O número dessas contas chegou a 100 milhões no início deste mês, de acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF), que nelas disponibilizou pagamentos a 67,8 milhões de brasileiros. Para isso, foram feitos mais de 127 milhões de downloads do aplicativo Auxílio Emergencial e mais de 267 milhões do outro app.

Instrumento de democratização

Por sua popularidade, o celular tem se mostrado um instrumento de ampliação do acesso de parte da população ao sistema financeiro. São mais de 228 milhões de aparelhos no Brasil, de acordo com os dados mais recentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) referentes a setembro.

Com os dispositivos, o novo meio de pagamento também tem potencial para atrair públicos de baixa renda para contas bancárias ou de instituições de pagamento. O PIX pode ser muito útil, por exemplo, para pequenos comerciantes ou prestadores de serviço, como diaristas, feirantes e encanadores, que poderão receber instantaneamente dos clientes pelo celular, inclusive aos sábados e domingos, e com isso não precisarão receber em dinheiro vivo ou arcar com os custos de uma maquininha de cartão.

PIX pode ser muito útil, por exemplo, para pequenos comerciantes e prestadores de serviço

O que muitos chamam de "revolução das fintechs" aumenta a concorrência no setor, por exemplo, ao oferecer contas sem tarifa bancária em celulares. Os bancos estabelecidos há mais tempo, por sua vez, também estão digitalizados, investem em tecnologia, e a conectividade e os telefones móveis são destaque em sua estratégia. O atendimento dos bancos aos clientes por meio de smartphones foi o maior impulsionador de transações bancárias em 2019, seguido pelo atendimento via computador, segundo a Federação Brasileira de Bancos.

De acordo com a entidade, o chamado mobile banking cresceu 19% no ano passado e pode chegar em breve a representar metade das operações. Os smartphones já são vistos pelos bancos como um canal-chave para a contratação de produtos e transações financeiras. Como base para tudo isso estão a conectividade e a mobilidade proporcionada pelas operadoras e empresas do setor de telecomunicação.

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Marcos Ferrari, colunista mensal no TecMundo, é presidente-executivo da Conexis Brasil Digital, nova marca do SindiTelebrasil. É doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi diretor de Infraestrutura e Governo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento de 2016 a 2018 e secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Além disso, exerceu o papel de presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo.

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