Ninguém precisa entender o “Open Banking” para lucrar com isso

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A TecBan, a empresa responsáveis pelos caixas eletrônicos Banco24Horas que você vê por toda parte, resolveu fazer um hackathon para simular algumas possibilidades de uso do conceito do Open Banking no Brasil, e o projeto selecionado como vencedor da competição, o “Bicos”, mostra que não é preciso entender esse tal de “Open Banking” para se beneficiar dele.

O Bicos – projeto idealizado pelo trio paraense Thayana Mamoré, Tiago Danin, Lucas Cardoso Rodrigues, junto com Guilherme Vieira da Silva de São Paulo – é um exemplo bem direto dessa possibilidade. De quebra, o projeto ainda procura oferecer microcrédito para trabalhadores informais e desbancarizados que nunca conseguiriam levantar capital em um banco comum para empreender.

Para tal, a ferramenta funcionaria como uma plataforma conectando pessoas que precisam de algum serviço a quem pode resolver o problema por meio de algum tipo de trabalho informal de oportunidade, o famoso “bico”.

bicosFerramenta pretende conectar trabalhadores informais com clientes ao passo que as insere no sistema bancário (Reprodução/Bicos)

A ideia é que o cliente pague pelo serviço do trabalhador diretamente pelo aplicativo, de maneira totalmente digital. A pessoa que forneceu o serviço então receberia o dinheiro em uma carteira digital dentro do Bicos e, com isso, poderia gerar dados de transações que permitiriam aos bancos saberem quanto ela ganha por semana, por mês e por aí vai.

Seria quase como ter um comprovante de renda digital, que o trabalhador informal poderia usar para obter empréstimos e, eventualmente, conseguir construir um negócio formal e mais lucrativo. Esse é o aspecto social do Open Banking: permitir que mais bancos tenham acesso a dados de mais pessoas e, com isso, terem alguma segurança para ajudá-las com dinheiro quando necessário.

Só que o Bicos tem uma proposta ainda mais pontual. “O prestador de serviços tem acesso a várias funções, como o histórico de transações dele e linhas de microcrédito”, revelou Lucas Cardoso Rodrigues, idealizador do projeto, em entrevista exclusiva ao TecMundo.

 Às vezes, eles não têm dinheiro para comprar os materiais e ferramentas, e acabam pegando emprestado com amigos ou familiares

“Isso é muito importante porque esses trabalhadores informais normalmente não possuem dinheiro para começar a fazer os seus bicos. Às vezes, eles não têm dinheiro para comprar os materiais e ferramentas, e acabam pegando emprestado com amigos ou familiares. Quando o cliente paga, eles devolvem. Então pensamos que é possível facilitar isso com o microcrédito”, concluiu.

Rodrigues também destacou que chegou a conversar com algumas pessoas que, no caso do lançamento do Bicos, poderiam ser usuárias da plataforma. A ideia foi bem recebida, mas ele nem precisou tocar no assunto central, o Open Banking, para convencer o pessoal. “A nossa ideia é inserir esses trabalhadores no mundo do open banking, no mundo da tecnologia mesmo, sem eles se quer terem ideia de que estão tendo acesso ao Open Banking”, revelou.

Dinheiro na mão

O projeto vencedor do hackathon, apesar de ser uma proposta baseada em tecnologia e conceitos modernos como Open Banking, prevê o saque de fundos da carteira digital dos usuários.

Seria possível ir a um caixa eletrônico e fazer o saque ao escanear um QR Code na tela do terminal com o celular. Nesse procedimento, não entra conta bancária tradicional, cartão de débito, bandeira, senha numérica ou alfanumérica e qualquer outra coisa do tipo.

O dinheiro físico ainda é muito usado pelos cidadãos de menor renda, especialmente no contexto da pandemia do novo coronavírus. “São 45 milhões de brasileiros desbancarizados que eram invisíveis e só foram aparecer agora, com o pagamento do Auxílio Emergencial”, destacou Rodrigues.

bicosSaque fácil permitiria usar dinheiro físico e, ainda assim, ter dados para conseguir crédito no sistema bancário (Reprodução/Bicos)

“Com saque fácil do Bicos, não existe todo aquele procedimento para fazer um saque normal, o que muita gente não consegue ou não sabe fazer. A ideia é sempre facilitar as coisas para elas”, concluiu, revelando que o saque com QR é muito mais simples no que diz respeito à operação da máquina.

É importante notar que o Bicos está em fase de projeto e, consequentemente, ainda não está no mercado. 

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