Funcionários de armazéns da Amazon em vários países da Europa organizaram uma greve durante a Black Friday e estão interrompendo as atividades durante toda essa sexta-feira (23). Em alguns lugares, o protesto deve se estender pelo sábado, podendo chegar à próxima semana. Os trabalhadores que estão participando reclamam das condições de trabalho nos locais, que classificam como desumanas.

Na Espanha, a paralisação acontece no maior centro de distribuição da Amazon no país, localizado na cidade de San Fernando. De acordo com o comitê de greve, a expectativa é de que cerca de 70% dos funcionários pare de trabalhar nesta sexta. Entre as demandas, eles pedem a garantia de aumento salarial acompanhando a inflação e a possibilidade de negociar acordos coletivos.

No Reino Unido, o GMB Union, sindicato geral do país, publicou um vídeo em apoio a causa no qual trabalhadores afirmam que não querem ser tratados como robôs. Segundo a organização, ambulâncias foram chamadas para armazéns da Amazon mais de 600 vezes nos últimos três anos e há centenas de denúncias feitas ao governo por causa de acidentes envolvendo fraturas e contusões nos locais de trabalho. Para o sindicato, essas são práticas de trabalho dignas da Era Vitoriana.

Enquanto isso, na Alemanha, a previsão é de que um total de 600 funcionários de dois armazéns da empresa participem da greve. Também há relatos de protestos na Polônia, na Itália e na França. Em muitos casos, a fortuna acumulada por Jeff Bezos, que se tornou o homem mais rico do mundo, e o alto valor de mercado da Amazon são citados como provas de que seria possível manter a operação da companhia com o pagamento de salários dignos e melhores condições de trabalho.

Em resposta, a Amazon do Reino Unido emitiu um comunicado afirmando que os locais de trabalho da empresa são seguros e que qualquer afirmação que diga o contrário está “simplesmente errada”. A companhia ainda encorajou as pessoas a comparar os benefícios oferecidos por ela com o de outras empresas do ramo. Na Espanha, a Amazon local disse que a greve não iria afetar a operação durante o período.

Essa não é, no entanto, a situação narrada por quem já visitou os prédios da companhia. Em abril, o caso recebeu mais atenção quando um escritor infiltrado em um dos depósitos da Amazon relatou histórias de funcionários que urinavam em garrafas no meio do expediente porque não tinham tempo suficiente para ir ao banheiro sem comprometer as altas metas impostas pela gerência da empresa.