O governo chinês controla a forma como as informações do mercado de criptomoedas são distribuídas no país. Para evitar que esse controle se perca, as autoridades começaram a vasculhar as redes sociais em busca de fontes de informações alternativas.

Nessa coação, o WeChat, app de mensagens instantâneas tipo o Whatsapp, da Tencent, que possui 1 bilhão de usuários, se tornou o mais novo alvo da censura. A Tencent, maior provedora de serviços online da China, ajudou o governo a identificar e tirar do ar vários canais de informações sobre moedas digitais e blockchain. Pelo menos 9 canais foram desativados, incluindo o Coindaily, Huobi Zixun, Shenlian e Caijing, considerado um dos mais importantes canais sobre o assunto do WeChat.

Inicialmente o WeChat disse que as contas derrubadas violaram as regulamentações da China para serviços de mensagens instantâneas, mas não especificou quais foram as regras. Mais tarde, informaram à imprensa que as contas eram suspeitas de estar emitindo ofertas iniciais de moedas (ICOs, em inglês) e espalhando boatos sobre a comercalização de moedas.

Lembrando que a China já proibiu tanto o comércio de moedas quanto os ICOs. Depois disso decidiram criar sua própria moeda digital. Agora estão restringindo a divulgação de informações no WeChat. A ação é parte de um esforço maior para regulamentar outras mídias sociais, e que pode acabar afetando outros aplicativos.

Wang Peng, fundador da Shenlian, disse que, apesar do baque, os canais afetados já estavam esperando o golpe desde o início do mês, e que daqui para a frente serão 100 vezes mais fortes. Um dos investidores da Shenlian, disse que a razão da Tencent deve ser interpretada como um sinal de alerta para aqueles que estão abertamente apoiando as ICOS.

O governo chinês incentiva que os cidadãos aprendam sobre as criptomoedas somente através de canais oficiais. Este mês o Partido Comunista Chinês publicou o Blockchain: Um Guia para Cidadãos, uma compilação de 20 artigos já publicados por meios estatais.