O evento chamado GovTech Brasil reuniu cinco candidatos à presidência nesta terça-feira (07) em São Paulo. Eles foram convidados a discutir, ciência, tecnologia e educação em uma rodada de entrevistas com o apresentador Luciano Huck. João Amoêdo (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) estiveram presentes, mas todos os presidenciáveis com mais de 1% de intenções de voto em pesquisas preliminares foram convidados, segundo a organização do evento.

É importante destacar que não houve um debate, mas sim entrevistas cronometradas com cada um dos candidatos presentes. Entre outros temas, o mais comentado pelos entrevistados foi o da “identidade digital”. O Brasil já tem um programa para promover a criação de um documento nacional único, mas, incialmente, ele não vai reunir todos os documentos dos brasileiros em um só.

Sem isso, temos que lembrar que a vida de quem mais será afetada é dos mais pobres

“Isso vai beneficiar a área da Saúde – desde o prontuário eletrônico até a marcação de exames, passado pelas receitas. Isso vai ajudar a desburocratizar, um problema que gera tanto custo, especialmente aos mais pobres”, comentou João Amoêdo do partido Novo. Para ele, um documento dessa natureza tem potencial de minimizar custos para o governo e também para a população. “Tem que ter uma identidade digital que funcionaria para uma série de coisas - transporte, medicina... Sem isso, temos que lembrar que a vida de quem mais será afetada é dos mais pobres”, concluiu.

Há formas de participação que precisam ser valorizadas

Guilherme Boulos (PSOL), vê o documento único digital como um primeiro passo para integrar a sociedade às decisões tomadas pelo governo. É preciso uma unificação dos documentos e, a partir daí, fazer uma ouvidoria, usar a tecnologia como forma de participação e consulta das pessoas. As pessoas precisam participar das decisões — [se fosse assim] metade daqueles que compõem o Congresso já estariam fora de lá. Há formas de participação que precisam ser valorizadas”, disse o candidato do PSOL.

Simplificar a confusão

 Para isso precisa de um geek como presidente

Já Henrique Meirelles, do MDB, pensa que é preciso simplificar a “digitalização do governo” para que o cidadão tenha acesso. Ele destaca que existem 48 apps diferentes do governo disponíveis para baixar, mas eles não conversam entre si. “Você pega os documentos digitais: são seis. Nenhuma sinergia! Ao invés de copiar modelos que funcionam, considerando que a qualidade do serviço deveria ser o ponto de partida, temos uma serie de aplicativos feitos por cada ministério. Precisamos de algo unificado, centralizado, único. Para isso precisa de um geek como presidente”, destacou o presidenciável.

Na visão de Geraldo Alckmin (PSDB), a digitalização do documento no Brasil serve mais para modernizar a sociedade e criar oportunidades em novas áreas do mercado, como nas startups. “Eu diria que é uma mudança cultural. O Brasil tem uma cultura de cartório. Uma cultura do carimbo, do selo, do documento. Temos que mudar essa cultura”, exclamou.

Marina Silva, da Rede, também vê a identidade digital como uma plataforma que pode eventualmente se possibilitar a criação de um hub de serviços do governo acessível a todos. “Algo capaz de potencializar as ações, capaz de associar toda essa tecnologia de forma simples, com pessoas reais, criando um sistema de alerta em enchentes, em incêndios. Um celular pode mandar informação e isso torna mais ágil o socorro, evitando ou auxiliando no atendimento de catástrofes ambientai, deslizamentos”, disse Marina.

Mais temas

Paralelamente a esse tema, os cinco candidatos também falaram sobre investimentos em pesquisa. Boulos, do PSOL, destacou que o Brasil investe menos de 1% do PIP em ciência e tecnologia, o que acaba prejudicando o desenvolvimento da ciência de base, o grande pilar dos granes inventos no setor privado. “O iPhone foi criado com dinheiro público, não foi a Apple que financiou a pesquisa. A ciência e a tecnologia no mundo vêm do investimento público. No Brasil, hoje, menos de 1% do PIB é destinado à Ciência e Tecnologia”, destacou o candidato.

Amoêdo falou ainda sobre produtividade, algo que poderia ser incrementado no Brasil com o uso de tecnologia. Meireles acredita que é necessário usar a tecnologia para darmos saltos na qualidade da educação, saúde e segurança pública. Alckmin citou o fato de os 17 mil km de fronteira seca do Brasil com outros países não ser efetivamente monitorada por falta de tecnologia viável.