O blockchain é a palavra do momento. A tecnologia, que mantém as informações descentralizadas com segurança, pode eliminar alguns intermediários e validar transações de diversos negócios. Mas, no momento, não é possível aplicar este formato em outros setores com tanta facilidade assim. Então, é preciso dosar as expectativas em relação ao sistema e, ao mesmo tempo, vislumbrar como ele pode ser útil nos mais diversos setores.

Da pesca à elétrica

Durante a Blockspot Conference Latam 2018, que aconteceu nessa semana, em São Paulo, especialistas do mercado debateram sobre como o blockchain pode ser utilizado em um contexto mais próximo da nossa vida real/oficial.  O gerente sênior de desenvolvimento da CPqD Foundation, José Reynaldo Formigoni explica que, em conjunto com a Internet das Coisas, é possível criar sistemas que rastreiem todos os elementos de uma cadeia produtiva, como a da pesca, por exemplo.

O especialista também usou o exemplo da tecnologia para gestão de energia elétrica para provar que é possível reduzir o papel de concessionárias de energia. Caso mais cidadãos invistam em energia solar, com um modelo que inclua blockchain, seria possível compartilhar a energia excedente com a comunidade. No modelo atual, só há a possibilidade de trocar esse excedente por créditos na conta de energia elétrica provida por concessionárias.

“O blockchain é uma ameaça para as concessionárias. No caso do Brasil, temos uma amarra regulatória já que só podemos vender energia solar para a própria concessionária”, comenta Formigoni.

Conteúdo e consciência

Já o cofundador da distribuidora de vídeos Paratii, Felipe Sant Ana falou sobre o mesmo tipo de modelo aplicado ao conteúdo. Sant Ana explicou que o “modelo YouTube” – onde apenas 3% dos youtubers profissionais recebem mais do que um salário mínimo – pode ser substituído por uma versão que promova uma web descentralizada e, assim, remunere melhor a criação e curadoria de conteúdo.

BlockspotEvento reuniu especialistas em várias áreas relacionadas ao blockchain em SP

Usando as criptomoedas como exemplo, o palestrante aposta que é possível produzir e pensar em formatos que vão além dos anúncios de “cinco segundos antes de um vídeo começar”. Para Sant Ana, “as redes mais bem sucedidas não são as que capturam mais valor e sim as que distribuem melhor esse valor”.

O blockchain não salva o mundo

Formigoni comenta que é preciso equilibrar expectativas, modelos de negócio e até a regulação de soluções tecnológicas antes de aplicá-las. E, não, o blockchain não tem a resposta para todas as questões do mundo. Apesar de valer como ponto de partida.

“Acho que o blockchain não é a reposta para uma série de desafios da economia digital, como dizem os entusiastas. Mas, vai desempenhar um papel importante e até alavancar aplicações de internet das coisas”, explica o gerente de tecnologia da CPqD Foundation.

Para saber mais sobre Blockspot Conference Latam 2018, acesse o site oficial do evento.