Em um post em seu blog, a Canonical, responsável pelo Ubuntu e proprietária da loja de aplicativos Snapcraft, identificou um programa disponibilizado em sua plataforma que estava minerando criptomoedas em segundo plano.

O programa era open-source e possuía licenças que permitiam a inclusão de um software de mineração. Esse fato torna plausível a possibilidade de que talvez o desenvolvedor não tivesse conhecimento sobre a monetização através de mineração. Como forma de precaução, todos os snaps inseridos por ele foram retirados da loja, com as identificações sendo mantidas em sigilo.

Não surpreende que a questão seja tratada assim, considerando que a Canonical procura transformar o projeto em uma referência para programas no Linux. A situação, além de expor o problema, coloca em questão a legitimidade de se utilizar a mineração de criptomoedas como modo de monetizar um software.

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A possível utilização desse recurso tem aparecido mais frequentemente nos últimos tempos. Como exemplo, temos o site de notícias Salon, que apresenta um aviso para quem utiliza bloqueadores de notícias, dando a opção de desativar a função ou autorizando que o site minere criptomoedas enquanto a pessoa acessa o conteúdo.

A própria Canonical, no post feito, diz que não existem regras proibindo a mineração em segundo plano por programas ou plugins. O grande problema está em não ter o consentimento do usuário, e foi isso que levou a empresa a retirar todos os softwares do desenvolvedor da plataforma.

O conteúdo disponível na Snapcraft é verificado de forma automatizada e, quando um alerta é emitido, passa por uma análise manual. Apesar disso, devido à complexidade dos programas, é impossível verificar o código linha a linha; sendo assim, segundo eles, a melhor forma de evitar esse tipo de problema é focar na origem do software, e não nos programas já publicados.

A Canonical informou também que esperava situações semelhantes, considerando o crescimento da plataforma, mas que medidas serão tomadas para que a segurança se mantenha.