O dia 14 de dezembro de 2017 entrou para a história dos Estados Unidos como a data em que a Terra do Tio Sam deu início ao fim da neutralidade da rede por lá. Nesse dia, o princípio que garante isonomia por parte das operadoras no tratamento do tráfego de internet de seus clientes foi revogado e o seu “enterro” já tem data marcada: 11 de junho.

A confirmação foi dada à Reuters pela Federal Communications Comissions (FCC), órgão responsável pela regulamentação do mercado de telecomunicações nos EUA e responsável pela revogação. Com isso, daqui a um mês, as operadoras poderão privilegiar determinados serviços em detrimentos de outro na hora de liberar banda larga. Estará permitido, também, fazer como em Portugal, onde os clientes pagam valores específicos por cada pacote de serviços que utilizam.

Apesar de contar com o apoio de empresas de telefonia e internet, como Comcast e AT&T, as grandes beneficiadas do novo esquema, a medida enfrenta a resistência de corporações e organizações sem fins lucrativos que atuam na internet, como Google, Facebook, Amazon, PornHub e Mozilla. Algumas figuras icônicas da web e da tecnologia, como o cofundador da Apple Steve Wozniak e o "pai da web" Tim Berners-Lee, também são contra o fim da proteção.

Mesmo com data para acontecer, o fim da neutralidade pode ser revogado na semana que vem, quando o Senado dos EUA vota uma proposição de senadores do Partido Democrata para tentar frear as mudanças. Os democratas acreditam que conseguirão vencer a batalha por um placar bem apertado de 50 a 49 votos.

Neutralidade da rede

Um possível cenário sem neutralidade de rede, com a oferta de serviços de internet comandada pelas empresas de telecomunicações, foi bem explicado por um ativista, que usou a bicicleta para deixar o trânsito lento e por uma rede de fast food, que atrasava o lanche de quem pagava apenas o preço do cardápio.

No Brasil, informações de bastidores ainda no ano passado davam conta de que as operadoras que atuam por aqui estariam se movimentando para pressionar o governo por mudanças semelhantes em território nacional. O governo federal, porém, garante que a neutralidade de rede permanecerá intacta. Se isso se confirmará, de fato, só o tempo dirá.

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