Um dos grandes desafios enfrentados pelos engenheiros de celulares é construir aparelhos que atendam às expectativas do mercado, mas sem terem sua usabilidade comprometida.

Atualmente, temos assistido ao esforço das marcas de produzir smartphones com telas cada vez maiores, tomando, ao máximo, a parte frontal. E essa tendência parece contínua, já que o público a aceitou bem. Portanto, a grande questão é: onde ficarão a câmera frontal e o speaker utilizado para chamadas, se as telas ocuparem 100% da parte frontal?

Apple usou um entalhe  muito polêmico, inclusive , mas isso ainda foge do perfeito. A solução aparente é a utilização de uma tecnologia que consiga transmitir o áudio através da tela, sem a necessidade de dedicar o espaço a ele.

A Microsoft, recentemente, registrou uma patente com essa tecnologia, que visa à utilização de uma tela OLED + uma camada piezoelétrica que, com a vibração, emitirá o som do speaker quando necessário. Além disso, essa área poderá produzir uma resposta tátil ao toque do usuário, se tornando um ambiente para possíveis funções do aparelho.

A questão é que a Microsoft não está produzindo mais smartphones, e essa patente pode até ser uma estratégia de garantir direitos apenas, sem perspectiva para um produto  ou quem sabe viria um lançamento por aí? Por enquanto, resta a dúvida: para que a empresa quer essa patente?

Como funciona a tecnologia

Para conseguir transmitir o áudio através da tela sem a tornar inútil, é preciso que se faça uma combinação de uma camada superficial deformável transparente + uma camada de exibição visual, visível através da superfície deformável +  uma camada piezoelétrica, responsável por se comunicar com as outras e um circuito de acionamento.

Quando o áudio precisar ser emitido, o circuito enviará um sinal de acionamento elétrico para a camada piezoelétrica, para que ela deforme a superfície transparente e produza o som necessário, por meio de uma saída de áudio gerada nessa mecânica.

Achou confuso? Não é uma engenharia fácil de entender, até porque não estamos acostumados com tecnologias desse tipo em aparelhos celulares. A Vivo Apex apresentou seu aparelho com uma solução semelhante, e a Xiaomi também está seguindo o caminho.

Seria uma estratégia para desacelerar o mercado?

Quando uma empresa registra uma patente, a estratégia nem sempre é o lançamento de um produto em si. Muitas vezes, a intenção inicial pode ser desacelerar o mercado e evitar que concorrentes lancem esses produtos rapidamente.

Seguindo esse pensamento, há hipóteses de que a Microsoft visa engavetar a tecnologia e, assim, atrasar o lançamento de outras marcas. Seria isso? Ou será que a empresa tem planos de retomar sua produção de aparelhos? Vamos aguardar e ver.