Deflagrada na manhã de hoje (13), a Operação Pão Nosso, da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, encontrou provas de que um esquema de lavagem de dinheiro estava começando a utilizar Bitcoin para esconder valores desviados dos cofres públicos. O esquema funcionava na secretaria de administração penitenciária do RJ, através de um contrato para fornecimento de pães para os presos em penitenciárias do estado.

Luiz Henrique Casemiro, superintendente adjunto da Receita Federal no Rio, deu entrevista coletiva junto com a PF na manhã de hoje e explicou que o uso de Bitcoin para lavagem de dinheiro nesse esquema de corrupção pode ser encarado como um teste por parte dos criminosos. Segundo ele, dos R$ 73 milhões desviados com o contrato de fornecimento de pães, apenas R$ 300 mil foram transformados em Bitcoin. A intenção dos criminosos seria recuperar o dinheiro no exterior, uma vez que a criptomoeda é quase sempre impossível de rastrear e não é regulada na maior parte dos países.

As pessoas estão tentando sofisticar isso de alguma forma, talvez tentando voar abaixo do radar da Receita Federal

“O que nos chamou atenção com relação a essa operação é que, pela primeira vez, apareceram operações envolvendo Bitcoin. Isso é realmente uma novidade. As pessoas estão tentando sofisticar isso de alguma forma, talvez tentando voar abaixo do radar da Receita Federal”, comentou Casemiro na coletiva.

A PF prendeu 14 pessoas no Rio de Janeiro em virtude da Operação Pão Nosso, que é um desdobramento da Lava Jato no RJ. Entre os detidos, estão César Rubens Monteiro de Carvalho, ex-secretário de administração penitenciária de Sérgio Cabral, e o delegado Marcelo Martins, chefe das delegacias especializadas do estado.

Monteiro de Carvalho foi flagrado no esquema porque a Receita Federal notou que seu patrimônio tinha se multiplicado em 10 vezes entre os anos em que ele serviu como secretário de Sérgio Cabral.