A gente falou na semana passada da disputa pelo controle do 5G, certo? Três das empresas citadas na notícia eram Qualcomm, Intel e Broadcom. Acontece que a Broadcom (que faz parte de um grupo asiático) fez duas ofertas bilionárias pela Qualcomm e deixou a Intel bastante preocupada.

Afinal de contas, a lendária fabricante de chips vê a fusão de suas concorrentes como uma ameaça à sua existência. Qualcomm e Broadcom produzem uma variedade imensa de produtos, capazes de dar vida para smartphones, modens sem fio e conectar esse monte de dispositivos móveis por meio de redes celular. Ou seja, a união criaria um "monstro" grande o suficiente para superar a Intel.

Intel strikes back

A fabricante e fundadora do Vale do Silício entende que uma das saídas para essa solução pode ser quebrar o porquinho e mostrar quem tem mais grana para a concorrência. Isso significa que a empresa está considerando (leia-se: sondando os bancos de investimento e conselheiros) a possibilidade de comprar a Broadcom. Ou seja:

Broadcom quer Qualcomm, que negou duas ofertas (mas apontou que poderia aceitar uma oferta maior, de uns USD 160 bilhões). A Intel quer resolver a parada toda comprando a Broadcom

Como nota Jean-Louis Gassée, do Monday Note, esse é mais um reflexo de uma passagem nada produtiva pela era do smartphone 2.0 da Intel. Para dar só um exemplo de "bonde perdido", a fabricante recusou a oferta de Steve Jobs para fazer a CPU original do iPhone, lá em 2005. E a lista é bem maior: estamos falando de todos os dispositivos Android que saem de fábrica embarcados com a plataforma Snapdragon, da Qualcomm.

Celular smartphoneA Intel perdeu o "bonde do mobile", mas ainda tem algumas cartas na manga

Aqui entra a Apple

Acabamos de citar a Apple, mas a verdade é que a companhia liderada por Tim Cook tem um papel mais importante nessa história. Todo mundo lembra da briga entre a marca com a Qualcomm, certo? Sabe quem conseguiu um contrato legalzinho depois que Apple e Qualcomm começaram a se estranhar? Bingo, a Intel da massa.

Acontece que a Broadcom também é uma fornecedora - das boas - da Apple. Caso a aquisição da Qualcomm se concretize, há uma probabilidade da disputa ficar por isso mesmo. Afinal, não é interessante para as duas empresas prejudicarem sua boa relação - tá funcionando até aqui. Chegamos nessa situação:

Com o "deixa disso" da Broadcom, a Intel pode perder o acordo para fornecimento dos modens wireless para a Apple. E seria jogada para escanteio nesse mercado

Ou seja, seria a maior perda de bonde da história, amigos. Enquanto isso, a Broadcom daria as cartas nesse mercado.

Logo, é melhor a Intel comprar a Broadcom e salvar sua pele? Não é bem assim, alguns analistas chamam esse movimento de suicida. Afinal, a companhia segue com boa parte de sua renda sendo levantada a base de chips x86. E a grande maioria deles roda um tal de Windows como sistema operacional. Essa linha de produtos seria mudada de forma drástica com a aquisição da Broadcom. E nada garante que isso iria resolver os problemas da companhia.

Moral da história: não é preciso nem jogar para saber que a Intel está numa sinuca de bico.

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Guerra do chip! Intel quer comprar a Broadcom, que fez oferta pela Qualcomm via The Brief