Todo mundo gosta de uma história de superação. E essa é das boas. Uma empresa chamada Ring foi notícia em todo o mundo ontem, depois de a Amazon anunciar que estava comprando o negócio pela bagatela de USD 1 bilhão. A companhia, que produz campainhas inteligentes, se tornou assim a segunda maior aquisição da gigante do e-commerce, atrás apenas da cadeia de supermercados Whole Foods Market (que custou USD 13,7 bilhões).

Mas essa história, na verdade, começou com uma bela porta na cara.

Tubarões não atendem (ou entendem) campainhas

Em 2013, a startup (que se chamava DoorBot na época) participou da quinta temporada de Shark Tank. Para quem não faz ideia do que é Shark Tank, o Google está aí para essas coisas. Daí que Siminoff foi ao programa para pedir um investimento de USD 700 mil para a empresa. Ele estimava que o negócio tinha um valuation de USD 7 milhões. Assim, o figurão que topasse a ideia levaria 10% da companhia. Só que o pitch foi rejeitado por três jurados do programa: Robert Herjavec, CEO da empresa de segurança de TI Herjavec Group, Daymond John, criador da marca FUBU e Mark Cuban, dono do time de basquete Dallas Mavericks. Já o investidor Kevin O'Leary fez uma oferta que não era lá muito o que Siminoff imaginava.

Habemus: um vídeo desse “não” aqui.

Ring

Continue a nadar

Mas o pitch rejeitado pelos tubarões acabou fisgando dois peixões do mercado tech. Fora Jeff Bezos, que acabou de adquirir a Ring, Richard Branson colocou uma graninha no negócio logo após o episódio de Shark Tank. Ano passado, inclusive, os investidores do show lembraram do pitch de Siminoff, num especial do programa sobre as ideias que eles se arrependiam de ter rejeitado. Isso porque, passados quatro anos desde que estrelou no Shark Tank, a Ring já tinha um valuation de USD 460 milhões - um recorde para o reality show.

A ex-rejeitada Ring se tornou a segunda maior aquisição da Amazon

A missão da companhia e do seu produto principal, a campainha Video Doorbell, é ajudar a tornar vizinhanças mais seguras, com recursos que já são carne de vaca no celular (Wi-Fi, sensores infravermelhos e aplicativos). Em outras palavras, dá para dizer que Siminoff trouxe a boa e velha campainha para o mundo moderno. Daí você pergunta: e qual o interesse de Bezos nesse rolê? É que, combinada com a Amazon Key, a fechadura inteligente da Amazon, a Ring tem potencial para revolucionar o sistema de segurança doméstica. Quem diz não é a gente, mas analistas entrevistados pela Reuters.

Fica a lição: tubarões não atendem a campainha. Ou melhor, às vezes você tem de continuar batendo. Uma hora alguém abre a porta.

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Opportunity knocks: a história da Ring, a startup de USD 1 bilhão via The Brief