A Nintendo passou os anos de 2015 e 2016 escutando analistas pregando o sucesso da empresa no mercado mobile. O movimento para as telinhas dos celulares poderia garantir que a centenária empresa de games tivesse mais alguns continues. Corta para 2018. A Big-N vendendo consoles a rodo e as iniciativas mobile dela ainda não emplacaram.

Nessa semana, a Nintendo anunciou o desligamento de seu app social Miitomo, apenas dois anos depois do lançamento. O aplicativo seguia uma estratégia de monetização freemium: o game é gratuito, mas o jogador pode comprar extras usando moedas de verdade.

Sorry, Mario...

Ok, ninguém liga muito para o Miitomo. Mas, outros jogos com a grife Nintendo também não emplacaram. Em sua reunião para acionistas no fim do ano passado, a Nintendo confirmou que Super Mario Run não chegou a um ponto de lucro aceitável para a empresa.

O game tinha uma abordagem diferente: oferecia algumas fases gratuitas e cobrava USD 10 por sua versão completa. Há uma estimativa de que o game tenha rendido USD 30 milhões. Segundo a empresa de análise de mobile-gaming Newzoo, o jogo teve uma taxa de conversão de apenas 3%. Ou seja, boa parte dos usuários baixou, jogou as fases gratuitas e foi embora.

Super Mario Run

Lançado em outubro, Animal Crossing: Pocket Camp também não foi o sucesso que a Nintendo esperava. A estratégia dessa vez é parecida com a de Miitomo, incentivar o jogador a pagar por itens diferentes no game. A App Annie aponta que o game teve um lançamento impressionante, mas não conseguiu a posição de destaque por muito tempo na App Store.

Na semana passada , o game chegou a figurar em 823º (octigentésimo vigésimo terceiro) na lojinha de aplicativos do Tio Cook. Em comparação, Super Mario Run – o app que a Nintendo diz que não faz dinheiro – se mantém entre os 200 mais baixados da App Store.

Your money is in another castle

Os verdadeiros nintendeiros já sabem disso, mas Pokémon GO foi desenvolvido pela startup Niantic. Ou seja, o game mobile de maior sucesso da Nintendo nem é da Nintendo. O que significa que a empresa japonesa ganha, basicamente, com o licenciamento dos monstrinhos para uso da Niantic – essa sim faz uma bela grana com o jogo.

Mas, a Nintendo tem motivos para se preocupar? Na verdade, não. O Switch já bateu a marca dos 10 milhões de unidades vendidas e a Nintendo estima 14 milhões de consoles entregues até março. O ritmo de vendas alucinante fez com que a empresa dobrasse sua previsão de lucro para USD 1,1 bilhão.

Sem falar do Nintendo Labo, kits de papelão + jogos que a empresa vai vender a partir de USD 69,99 e que estão fazendo a galera pirar. Não é mentira. O anúncio fez o valor de mercado da empresa aumentar em USD 1,4 bilhão. Tudo isso para dizer, a Nintendo entende mesmo é de vender console. E muito!

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A aposta da Nintendo em smartphones ainda não vingou via The Brief