Uma startup holandesa chamada “Instituto da Obsolescência Humana” está desenvolvendo equipamentos capazes de transformar o calor do corpo humano em eletricidade. A organização então usa essa energia para fazer computadores funcionarem minerando criptomoedas. Os voluntários recebem 80% do valor gerado a partir do calor de seus corpos, e o Instituto fica com o restante.

Uma transação em Bitcoin pode consumir toda a eletricidade que 10 famílias usam em uma semana inteira

O objetivo dessa iniciativa é tornar o uso e a existência das criptomoedas algo sustentável, especialmente em um mundo em que apenas uma transação em Bitcoin pode consumir toda a eletricidade que 10 famílias usam em uma semana inteira. Todo o ciclo de transações que essa criptomoeda gera por ano já ultrapassa a quantidade de energia que toda a Bulgária utiliza, e, se depender da taxa de crescimento atual, o mercado de Bitcoin poderia “consumir toda a eletricidade do mundo” nas próximas décadas.

Por isso, o projeto do Instituto da Obsolescência Humana está buscando novas formas de gerar criptomoedas sem impactar negativamente na produção global de eletricidade e, especialmente, não contribuir para o aquecimento global, uma vez que boa parte da energia do mundo vem de fontes não renováveis.

Foma como o calor é coletado para gerar eletricidade no Instituto da Obsolescência Humana

Vale a pena?

Mas será que compensa mesmo transformar o calor do corpo humano em eletricidade para minerar Bitcoin? De acordo com Manuel Beltrán, fundador do Instituto, a resposta é um grande “não”. Uma transação em Bitcoin gasta uma quantidade absurda de energia, e mesmo as moedas secundárias grandes, como Ethereum, também não trazem retorno.

Nós exclusivamente mineramos criptomoedas secundárias menores, e algumas delas tiveram apreciação de mais de 46.000%

“Nós exclusivamente mineramos criptomoedas secundárias menores, e algumas delas tiveram apreciação de mais de 46.000%. O que inicialmente eram apenas alguns poucos centavos agora já é uma boa quantidade de dinheiro”, disse Beltrán ao Motherboard.

Em outras palavras, o segredo de minerar criptomoedas transformando o calor do corpo humano em eletricidade é basicamente apostar em moedas com tendências de crescimento astronômicas. Assim, o calor capturado há muito tempo acaba ganhando valor posteriormente.

As contas

Mas o pessoal do Motherboard quis saber exatamente quão ruim seria o investimento para realizar esse mesmo processo com Bitcoin, a moeda do momento. Para fazer os cálculos, foi considerado o desempenho de um Antminer S9, que usa chips ASIC para minerar Bitcoin. Ele requer 1.375 watts por hora para minerar 0,6 Bitcoin em um ano. Dois deles geram 1,2 Bitcoin por ano consumindo 2.750 W/h.

Para conseguir algo similar usando o equipamento do Instituto da Obsolescência Humana, a situação seria bem mais complicada, uma vez que os conversores de calor conseguem capturar apenas 0,6 W/h de cada corpo humano. Para produzir 1,2 Bitcoin em um ano, seria necessário ter 4,6 mil voluntários deitados 24 horas por dia permitindo que seu calor corporal seja coletado. No fim das contas, cada uma dessas pessoas ganharia apenas US$ 3.

bitcoin

Mas esses números ruins especialmente porque os geradores termoelétricos do Instituto conseguem capturar menos de 1% do calor desperdiçado pelo corpo humano, que chega a 80 watts. Se eles pudessem obter todo esse calor extra, bem ao estilo Matrix, as coisas seriam um pouco melhores.

Nesse caso, seriam necessárias apenas 34 pessoas para minerar 1,2 Bitcoin em um ano oferecendo 24 horas por dia do seu calor extra. Cada uma sairia com US$ 349, o que ainda não é nada interessante para uma jornada de um ano inteiro deitado.

O processo do Instituto da Obsolescência Humana, contudo, não tem como objetivo lucrar absurdamente, mas sim encontrar formas de neutralizar o impacto ambiental da mineração de criptomoedas. A forma como as transações de Bitcoin vêm ficando cada vez mais caras no que tange ao consumo de energia demonstra que é necessário encontrar alguma saída como essa, caso as criptomoedas realmente se tornem o dinheiro dominante do futuro.

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