Para quem não sabe, minerar Bitcoin é introduzir unidades no sistema e adicionar ao livro razão público as transações realizadas ao longo do dia, tudo por meio de tecnologia blockchain. Essa atividade vem sendo exercida por um número cada vez maior de pessoas, especialmente àquelas que veem nisso uma forma de driblar a crise. Entretanto, em tudo que é novo, ainda falta regulamentação e o governo venezuelano, que vê milhares de desempregados se dedicando ao garimpo digital, decidiu exigir um registro oficial para isso.

Um dos mineradores foi preso sob acusação de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, crimes informáticos, financiamento de terrorismo, fraude cambial e danos ao sistema elétrico nacional

“Queremos saber quem são, onde estão e qual o equipamento estão usando para isso”, questiona Carlos Vargas, o primeiro “superintendente de criptomoedas” de um país. Como a exploração da Bitcoin explodiu na Venezuela, devido à hiperinflação massiva, muita gente decidiu partir para o setor onde o dinheiro parece estar mais abundante.

Os extratores que usam e distribuem a moeda digital de forma ilegal contribuem para os argumentos da administração federal. No dia 9 de dezembro, uma equipe de investigações criminais do estado de Lara invadiu um armazém na cidade de Barquisimeto e apreendeu 21 computadores. O proprietário, Daniel Andrés Di Bartolomeo Viloria, de 31 anos, foi preso sob acusação de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, crimes informáticos, financiamento de terrorismo, fraude cambial e danos ao sistema elétrico nacional.

bitcoin"Chácara" de Bitcoin apreendida pela polícia venezuelana

"A moeda digital não é endossada por nenhuma instituição bancária no mundo nem foi aprovada por nenhum país. Ela está sendo comercializada com aparência legal, mas, em essência, ela opera em segredo", comunicaram os oficiais.

“Observatório Blockchain” começa o registro de mineradores nesta sexta-feira (22)

A indústria de mineração de Bitcoin vem acontecendo desde as pequenas até as largas escalas, com “garimpos caseiros” em milhares de computadores escondidos em armazéns e prédios. Como o Estado oferece subsídio ao custo da eletricidade, a prática fica ainda mais rentável. Com a criptomoeda, os usuários podem importar alimentos e medicamentos em sites de varejo, a exemplo  da Amazon e Walmart.

Medida não é muito bem vista pelos mineradores, que temem o confisco de suas Bitcoin por parte do governo

Ser um minerador não é ilegal na Venezuela, mas, como os atrativos são grandes, os crimes relacionados à atividade vêm se multiplicando. Como resposta, além das prisões, o presidente Nicolás Maduro anunciou a criação de uma criptomoeda nacional, a Petro, e a criação de um grupo de profissionais especialistas, o “Observatório Blockchain”, para regulamentar o setor no país. O registro dos mineradores digitais começa nesta sexta-feira.

bitcoin criptomoeda venezuelaO "superintendente de criptomoedas" da Venezuela, Carlos Vargas

Ainda que muita gente encare as mudanças como uma forma de proteção ao trabalhador, outra enorme parcela, incluindo o mineiro digital David Fernando López Torres, vê as medidas do governo com cautela. “Se ainda estivesse na Venezuela, não iria me inscrever”, disse ele, atualmente em São Francisco. "Eles (o governo) não estavam protegendo os direitos dos mineiros sem um registro, como podemos confiar que vão fazer isso agora? Primeiro eles precisam divulgar como o registro será usado, porque não podemos confiar em suas intenções."