Quem costuma pedir refeições por delivery constantemente acaba entrando em uma espécie de rotina: você ou acaba escolhendo sempre a mesma coisa ou passa mais tempo selecionando a refeição do que de fato se alimentando. Quebrar esse ritmo é o objetivo de uma startup curitibana que opera há apenas um mês, mas está cheia de ideias para conquistar o coração (e o estômago) de muita gente.

É a Rango!, criada pelos sócios Artur Marturelli e Matheus de Lima e até agora atuante apenas em Curitiba. A dupla divide um apartamento e se identificava com as duas situações descritas acima, até que teve uma ideia. E se quem vai fazer o pedido deixar que outra pessoa escolha a comida?

Nas mãos do acaso

À primeira vista, o sistema parece um pouco arriscado, mas é na base da confiança que a Rango! pretende alavancar. Ao entrar na plataforma, você inicia o pedido e escolhe uma das categorias – assim como no Uber, porém separadas por valor da refeição por pessoa e variando dos pratos mais simples aos mais elaborados.

Em seguida, em vez de dizer o que quer comer, o cliente indica o que não gostaria de receber. As opções variam entre pizza, hambúrguer, comida árabe ou japonesa. É aqui que pessoas com restrições ou opções alimentares indicam as exceções. O mesmo vale para as bebidas, que são opcionais.

É possível até indicar qual a situação do momento para que a refeição seja pensada com base no contexto, como uma festa com amigos ou encontro de casal. Segundo a dupla, o pedido não demora 30 segundos e já inclui o valor da entrega.

O pedido feito no site é recebido pela dupla do Rango!. Eles utilizam um algoritmo que seleciona o prato que mais se enquadra no pedido e, servindo de intermediário (ou “assistente pessoal”, como eles mesmos se definem), agendam a entrega na sua casa. Por enquanto, são oito restaurantes parceiros e média de dez pedidos por dia.

A ideia é que você não saiba nem quais são os parceiros do Rango!, com a revelação do restaurante acontecendo somente quando chega a entrega. Quem gostou muito da escolha surpresa poderá em breve pedir que o prato se repita, mas a graça está mesmo no processo às escuras.

Sem gula

A empresa ainda está só nos aperitivos. Ela participou de uma rodada de investimentos que permitiu o desenvolvimento do protótipo do serviço, mas aguarda um novo aporte para lançar um aplicativo até o fim do ano. Durante o evento Geek City, que aconteceu em Curitiba entre os dias 1º e 3 de setembro, os sócios apresentaram o serviço em um estande e até conversaram com investidores locais em busca de dicas ou, quem sabe, até um novo parceiro.

O objetivo é partir para o populoso mercado de São Paulo em 2018 e conseguir mais restaurantes parceiros no modelo de seleção. Faixas de preço menores também são estudadas e o custo da comida pode diminuir com a popularização do app. Restaurantes menores podem brigar com grandes marcas no sistema inteligente do Rango!, e essa é uma das ideias para atrair negócios de todos os tamanhos.

A seleção dos restaurantes parceiros é tão criteriosa que o Rango! não aceita qualquer restaurante em parcerias.

Ao contrário de outros aplicativos do ramo, como o iFood, a escolha com base na qualidade e por pratos que fujam do padrão. Atualmente, Artur e Matheus mantêm uma tabela para não favorecer somente um estabelecimento.

Porém, se o local não se enquadra em nenhum dos questionários preenchidos, eles mesmos entram em contato com o parceiro para explicar a situação e solicitar variações de pratos que façam sucesso. A ideia é distribuir bem os pedidos, tanto que você não vai repetir o mesmo pedido se for usar o serviço pela segunda vez.

“Quando a gente fala assim, parece que a expectativa é muito grande, mas não é. Se você pede algo, você vê a foto do produto e espera exatamente que venha aquilo. Se não, ela desaponta. Com a gente, só em não saber o que vem já é legal o suficiente”, explica Artur.

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