O que começou como um processo de quebra de patentes contra a Kaspersky Labs acabou por tomar uma guinada das mais curiosas: agora é a famosa empresa de segurança que quer ser paga para não levar esse caso aos tribunais. Ficou confuso? Calma, a gente explica a história.

Tudo começou com um daqueles casos que já se tornaram comuns na indústria, quando um texano em busca de alguns trocados chamado Steven Trolan resolveu, lá em 2000, se aproveitar do sistema de patentes do país. Assim, ele essencialmente conseguiu registrar nada menos do que a tecnologia de firewall de rede (algo que já existia quase 20 anos antes) e, desde então, tentou processar uma série de companhias.

Na maioria dos casos, o resultado era o mesmo: ao que tudo indica, o troll simplesmente pedia um acordo por uma baixa soma em dinheiro para não levar a briga aos tribunais, segundo o Ars Technica. E todas as companhias, diante do baixo custo pedido e das altas despesas potenciais da disputa judicial, preferiu simplesmente aceitar a oferta. Todas menos a Kaspersky Labs, claro, que preferiu se defender.

Tem que pagar para sair

Foi então que, ao estudar o caso, o advogado encarregado da defesa da Kaspersky, Casey Kniser, encontrou informações dos outros processos e seus acordos. Além disso, havia uma diferença fundamental na patente de Trolan: “A patente deles era para uma firewall que não era configurável pelo usuário”, disse Kniser ao Ars.

O advogado ainda continua: “Eles sabiam que a nossa era configurável. Então eles começaram a tomar posicionamentos estranhos, dizendo basicamente que ‘Bom, você só pode configurar ela um pouquinho.’ Eu acho que isso teria colocado eles em problemas quando o assunto é validação [de patentes].”

Nós falamos, na verdade, que US$ 10.000 estava bom. Por que você não paga para nós US$ 10.000?

Tudo se tornou ainda mais óbvio quando o pedido original do acordo desceu de US$ 60 mil para meros US$ 10 mil – um valor ridiculamente baixo para qualquer acordo relacionado à quebra de patentes. Foi aí que a Kaspersky (que estava determinada a não pagar a eles um centavo que fosse) mudou sua postura: “Nós falamos, na verdade, que US$ 10.000 estava bom. Por que você não paga para nós US$ 10.000?”, contou Kniser.

Acredite se quiser, a postura deu certo. No fim das contas, o advogado da companhia de patentes que representava Steven concordou em pagar US$ 5 mil para que ambos os lados retirassem suas acusações.

Mais uma para a lista

É importante comentar que essa não é a primeira vez que um caso como esses ocorre. Como notado pelo próprio fundador da companhia de segurança, Eugene Kaspersky, em uma postagem de seu blog pessoal, a postura da empresa é de jamais deixar que donos de patente “trolls” saiam ganhando.

A longo prazo, as empresas é que saem perdendo: uma vez que o troll sente o gosto do dinheiro fácil, ele volta para mais de novo e de novo

Como resultado, a companhia já venceu um total de cinco processos de patente contra eles vindos desse tipo de acusação mal-intencionada. É claro que, apesar de eles não terem precisado pagar nada, houveram prejuízos pelos custos legais envolvidos, mas Eugene vê diferente: para ele, deixar isso acontecer é uma porta para mais problemas.

“As companhias apenas pagam a soma relativamente pequena ao troll para fazer ele calar a boca para que eles possam voltar a trabalhar em algo que vale a pena. No entanto, a longo prazo, eles é que saem perdendo: uma vez que o troll sente o gosto do dinheiro fácil, ele volta para mais de novo e de novo”, explicou ele.

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