Vendedores chineses que comercializam serviços de publicidade na plataforma online Taobao estão usando crianças africanas para vender vídeos e fotos para anúncios na China. Essas pessoas vão à África e oferecem às crianças recompensas praticamente insignificantes frente ao trabalho que elas fazem ou mesmo ao dinheiro gerado pelas propagandas. Segundo o Beijin Youth Daily, muitos dos anúncios com crianças são feitos para promover conteúdo adulto e mostrar os menores dizendo palavrões em mandarim.

Diversas publicações chinesas estão condenando a prática e ressaltando o racismo que envolve isso, especialmente pelo fato de as crianças normalmente receberem apenas alguma comida por uma sessão inteira com várias fotos e vídeos. Esse material pode ser encomendado com a mensagem que o cliente quiser e não parece haver nenhum tipo de bom senso para na composição do texto.

De acordo com a Hong Kong Free Press, alguns dos vendedores de vídeos e fotos de crianças africanas no Taobao afirmam que o dinheiro vai para organizações de caridade na África, mas eles não sabem dizer quanto exatamente fica com essas supostas instituições nem como as crianças ou suas famílias recebem ajuda.

Um fotógrafo que participa da produção desses conteúdos afirmou anonimamente ao People’s Daily Online que o pagamento é irrisório, o que basicamente caracteriza exploração da pobreza. “As crianças ganham muito pouco dinheiro para participarem dessas filmagens. A maioria ganha só alguns lanches ou itens de papelaria como recompensa”, explicou.

Um dos vendedores chegou a explicar que esses anúncios fazem sucesso na China por causa das diferenças culturais. A grande maioria dos chineses nunca saiu do país e tudo o que é estrangeiro os fascina. Combinando isso a preços baixos, os anúncios com crianças negras acabam fazendo sucesso de alguma forma.

Depois das acusações de racismo e exploração, o Taobao resolveu abrir uma investigação desses anúncios, mas não para proteger as crianças. Segundo a plataforma, alguns vídeos violam a legislação chinesa sobre a propaganda, que proíbe o uso de adjetivos como “melhor”, “mais forte” e outros.

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