Apesar de o assunto ter esfriado consideravelmente nos últimos tempos, a polícia parece continuar a trabalhar exaustivamente para encontrar os responsáveis por popularizar o jogo da Baleia Azul no Brasil. Prova disso é que, nesta terça-feira (18), a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) colocou em prática uma série de mandados de prisão – e também de busca e apreensão – relacionados a suspeitos dessa atividade.

De acordo com uma reportagem publicada no site do jornal O Dia, a Operação Aquarius ocorre simultaneamente em nove estados brasileiros e abrangem ao menos 20 municípios, indo do Rio de Janeiro ao Amazonas. Até agora, apenas um indivíduo foi preso, mas a expectativa é que essa captura ajude as autoridades a chegar a outras pessoas envolvidas com a “brincadeira” virtual que incita crianças e adolescentes a cumprirem uma série de tarefas até chegar a um desafio final: cometer suicídio.

Mateus Moura (Divulgação)

Moura usava de todo tipo de estratégia para atrair suas vítimas

Mateus Moura foi preso em Nova Iguaçu nesta manhã e confessou ser um dos curadores do jogo no país. Segundo o depoimento do pedreiro e com base em informações contidas nos computadores e celulares apreendidos em sua casa, foi descoberto que Moura usava de todo tipo de estratégia para atrair suas vítimas. A principal delas? Criar comunidades feitas sob medida para atrair o público-alvo do Baleia Azul, geralmente jovens entre 8 e 15 anos que aceitavam se submeter aos testes e torturas propostos pelos organizadores.

Daniela Terra, titular da DRCI, contou ao Dia que a prisão do suspeito é fruto de investigações iniciadas no começo do ano, nas quais agentes se infiltraram nos grupos para entender o modus operandi dos criminosos. Adicionalmente, o fato de muitas vítimas começarem a procurar a delegacia também ajudou a acelerar as descobertas em torno do caso. Não se sabe exatamente quantas das pessoas que relataram ter participado do Baleia Azul forma aliciadas por Moura, mas ele afirmou ter atraído pelo menos 30 pessoas durante sua “curadoria”.

Desvendado os mistérios do Baleia Azul

A delegada-adjunta Fernanda Fernandes explica que, entre as vítimas ouvidas pela polícia, estão desde pessoas que chegaram à DRCI com cortes profundos e a poucos passos de chegar ao suicídio a crianças que não tinham nem ideia do desfecho fatal da brincadeira. Um menino de apenas 9 anos, por exemplo, disse aos policiais que “participou do jogo porque queria ver os anjinhos” – levantando o alerta para pais e responsáveis sobre o que seus filhos andam fazendo na internet, além de qual a necessidade de eles estarem nas redes sociais.

Conseguir a cooperação de plataformas como o Facebook, no entanto, tem se revelado algo difícil até mesmo para as autoridades. Segundo Fernandes, a rede criada por mark Zuckerberg não repassou à delegacia informações essenciais para a resolução do caso e pode ter feito com que mais vítimas fossem expostas ao Baleia Azul. “Se passassem as informações que pedimos outras crianças estariam preservadas e muitas vidas não estariam em risco”, afirmou a delegada-adjunta em entrevista ao jornal carioca.

Marcar o símbolo do jogo na pele é um dos testes do Baleia Azul

Tudo deve mudar em fases posteriores da operação, já que, até agora, a iniciativa tinha caráter preventivo. A ideia é que todo material apreendidos e depoimentos tomados dos suspeitos e das vítimas ajudem a formar um cenário mais sólido em torno do jogo mortal no Brasil. Uma conversa inicial com Moura, por exemplo, revelou que, só no estado do Rio de Janeiro, há pelo menos mais cinco pessoas dedicadas à aliciação e aplicação de testes e punições às crianças e aos adolescentes.

Atualização

Nesta quarta-feira (19), um porta-voz do Facebook contatou o TecMundo e enviou um comunicado oficial em relação ao assunto para dizer que, sim, a empresa tem uma política de colaboração com as autoridades em casos mais delicados e que infrinjam as leis. Confira na íntegra o texto da companhia:

“Não permitimos conteúdo na plataforma que promova ou incentive suicídio ou automutilação, e colaboramos com as autoridades em casos que envolvam ameaças diretas à segurança física das pessoas.”

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