Quase uma década atrás, Miguel Nicolelis fez um estudo ambicioso. Após analisar as ondas cerebrais de um macaco interagindo com um game simples, o neurocientista brasileiro descobriu ser capaz de identificar padrões de movimento. Com isso, ele criou um sistema que permitiu ao símio jogar com a ajuda de um braço mecânico, ao mesmo tempo em que mantinha seus braços reais completamente livres.

Em 2012, no entanto, Nicolelis, em sua palestra feita no TED-MED, declarou ter feito algo ainda mais audacioso. Usando o mesmo conceito descrito acima, o pesquisador conseguiu fazer com que um macaco conseguisse controlar o andar de um robô.

E o mais curioso de tudo: o autômato estava literalmente do outro lado do mundo, mas recebia os comandos do cérebro do macaco cerca de 20 milissegundos mais rápido do que as ondas levavam para chegar a qualquer membro do primata.

De macacos a exoesqueletos

O estudo de Nicolelis não era apenas uma tentativa de provar um conceito bizarro. Segundo ele, como dito no vídeo que você vê no início dessa notícia, seu projeto tem um objetivo muito mais nobre. “Milhões de pessoas perderam a habilidade de traduzir suas tempestades cerebrais em ação, em movimento”, disse ele.

“Embora seus cérebros continuem a produzir essas tempestades e codificá-las em movimento, elas não podem atravessar a barreira que foi criada por uma lesão na espinha. Então, nossa ideia é criar uma passagem secundária, é usar esses equipamentos para ler os sinais [...] e enviá-los a um novo corpo”.

Mas o que Nicolelis quer dizer com isso? Simples: ele pretende criar um exoesqueleto que vai mover as pessoas por ele – possivelmente de maneira mais eficiente que nosso próprio corpo, visto os resultados de seus estudos.

Um sonho próximo

É claro que, para muitos, o conceito de algo assim parece simplesmente impossível ou que ao menos está há décadas de distância. Mas ele, embora não dê datas ou faça projeções precisas, dá a entender que seu projeto pode entrar em ação em um futuro não tão longe assim.

Infelizmente, é provável que as vítimas de paralisia ainda levem alguns anos até verem os protótipos de Nicolelis ganhando vida – e ainda mais tempo até que ele realmente se torne um produto que possa ser adquirido por elas. Mesmo assim, isso é uma pequena esperança de que logo uma das maiores barreiras impostas a diversos humanos seja quebrada.

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