Se alguma vez você ou um de seus entes queridos passou por uma cirurgia das sérias, então provavelmente sabe como esse tipo de ocasião pode ser angustiante. Mesmo quando o objetivo do procedimento é atingido com sucesso, sempre há o risco de que complicações imprevistas e falhas no pós-operatório aconteçam e tenham consequências graves. Muitas vezes, problemas do tipo são causados por erros humanos, mas esse fator pode estar perto de ser eliminado.

As chances de sucesso de uma operação dependem pesadamente das habilidades e experiência dos médicos envolvidos, que costumam passar por anos quase incontáveis de estudo e um treinamento prático árduo antes de exercer a profissão. Mesmo assim, lidar com vidas humanas é algo que pode ser muito estressante para os cirurgiões o que eventualmente pode levar a erros. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores diz ter encontrado a solução: robôs.

Os robôs-cirurgiões podem realizar procedimentos com menos erros do que os médicos humanos

A equipe de estudiosos, que conta cirurgiões atuantes, desenvolveu um robô capaz de realizar todos os procedimentos que um humano teria que realizar durante uma operação, mas com menos chances de acidentes.  Chamado de Robô Autonômico Supervisionado (“Supervised Autonomic Robot”, em inglês) e apelidado de STAR, o aparelho apresenta vantagens sobre seus predecessores mecanizados por ter capacidade de operar em tecidos macios dentro do corpo de pacientes.

Como funciona?

Descrita em um artigo publicado recentemente, a máquina foi testada com procedimentos em intestinos de porcos. De acordo com os pesquisadores envolvidos, os resultados cirúrgicos do STAR “foram mais consistentes e tiveram menos enganos” do que os dos seus próprios criadores. “O resultado, para nossa surpresa, foi não só comparável, mas melhor”, afirmou um dos membros da equipe, o cirurgião geral e torácico Peter Kim.

No lado físico, o robô consiste basicamente de um braço móvel equipado com uma ferramenta para cirurgias, um sensor de força capaz de determinar quanta pressão aplicar em cada local e um sistema de visão para que saiba onde fazer cortes e outras ações necessárias. O mais importante, no entanto, é o “cérebro” do STAR, constituído por um algoritmo baseado nas melhores técnicas já desenvolvidas para a realização de operações médicas.

Usando os sensores da máquina, o algoritmo sabe exatamente quanta força deve aplicar nos cortes e suturas

Interagindo com o sistema de imagens tridimensionais da máquina, o software usa capacidades de posicionamento com precisão de menos de um milímetro para mirar em locais estreitos e fazer cortes sem erros. Depois disso, o robô é capaz de criar um plano para fazer suturas usando a força e profundidade de perfuração certeiras.

Menos erros, menos mortes

Como o STAR se baseia nas técnicas mais avançadas e é capaz de realizar os procedimentos sempre da mesma forma, ele já sai na frente de cirurgiões que ainda não tenham muita experiência ou que estejam com seu conhecimento desatualizado. Além disso, o robô nunca se esquece dos requisitos básicos e é incapaz de se distrair, apresentando resultados muito mais consistentes do que os de seres humanos.

“Às vezes, lembrar de fazer 19 coisas de uma lista de 20 não é bom o bastante. Você precisa estar atento a tudo”, explica Kim. Estatísticas mostram que, somente no ano de 2009, complicações cirúrgicas resultaram na morte de 80 em cada 100 mil cidadãos norte-americanos. De acordo com os pesquisadores, a utilização de um robô como o STAR poderia reduzir muito esse número.

A equipe responsável pelo STAR acredita que o robô pode reduzir o número de mortos por complicações cirúrgicas

Questionado se criar esse tipo de aparelho não poderia eventualmente acabar com os empregos de profissionais como ele mesmo, Peter Kim não demonstra preocupação. “O objetivo ideal não é substituir cirurgiões, mas das a eles as ferramentas com as quais podem trabalhar para aumentar suas capacidades. Como um médico, por que eu não desejaria algo assim? Por que não abriria mão de um pouco do controle para que o resultado seja melhor?”, conclui.

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