Depois de se deparar com tantos produtos copiados, é natural que as pessoas criam certo preconceito com os celulares chineses. Entretanto, essa desconfiança dos smartphones produzidos lá é desnecessária, já que até mesmo iPhone e outros famosos são fabricados na China.

É importante notar também que nem todos são modelos do tipo “xing-ling”. É o caso do Kingzone K1 Turbo, que tem seu design e hardware concebido do zero — ou quase isso, já que referências e tendências sempre existem em quase todos os celulares do mundo.

Este não é o primeiro celular da Kingzone e, por sinal, a marca já vende produtos no mundo todo. Inclusive alguns aparelhos são bem requisitados, como é o caso do K1 Turbo que nós levamos sorte de conseguir uma das últimas unidades no site AliExpress.

Justamente por ser uma companhia que cria produtos, esta chinesa pensa no design e nas funcionalidades, levando produtos diferentes até o consumidor. A verdade é que nós fomos atrás do produto depois que muitos leitores solicitaram a análise. Se você estava na expectativa, fique ligado que vamos falar sobre os prós e contras logo abaixo.

Especificações

Visual diferente, mas elegante

O design de um smartphone é um dos pontos mais importantes, já que as pessoas dão muita importância a tal aspecto. Nesse quesito, o K1 Turbo dá show em muita marca genérica, já que tem características próprias que garantem a diferenciação dos demais modelos que fazem no mercado.

A fabricante apostou em retas bem definidas que deixam o produto meio “quadradão”, mas não precisa ficar assustado, pois ele é elegante. A inclusão de leves curvas nas laterais, tanto na parte superior quanto na parte inferior, ajuda a deixar o visual descontraído. É valido ressaltar que apesar do tamanho avantajado, o K1 Turbo é fininho e leve (são apenas 14 gramas a mais que o iPhone 6 Plus), o que já ajuda muito no primeiro contato.

A tampa traseira traz uma textura que imita aço escovado, o que fica bem legal e diferente das concorrentes. Câmera, flash e alto-falantes ficam bem posicionados. A tampa é fácil de remover, garantindo que você possa instalar facilmente o cartão de memórias e os chips.

Na frente, a tela ocupa bem o espaço, deixando lugares estratégicos para a câmera frontal e os alto-falantes. Abaixo do display, os botões físicos ficam posicionados estrategicamente, economizando o espaço do visor para mostrar apenas a interface do sistema.

É uma pena que a marca chinesa trocou a ordem dos botões (a função voltar fica à direita) e, em vez de usar um botão para alternar entre os apps, optou por um item que dá acesso às configurações extras dos programas. Isso é algo que não vemos há um bom tempo e que sinceramente é totalmente dispensável.

Pois bem, numa das laterais, os botões ficam de fácil acesso e são bem pensados para as capinhas exclusivas do K1 (algo que não vemos disponível para modelos piratas ou smartphones genéricos). Na outra, temos conector do cabo USB, local para fones e contatos metálicos para carregamento sem fio. Uma coisa bem legal é o adaptador USB que vem com o celular, o que é ótimo para ler pendrives direto no Android.

Sistema desatualizado e sem apps de fábrica

A primeira decepção com K1 Turbo acontece quando ligamos o celular. Infelizmente, ele vem com o Android 4.4 — e em nossas verificações não encontramos atualizações disponíveis. A parte boa é que o sistema está quase intacto e só alguns ícones foram personalizados.

Os apps do sistema trazem ícones minimalistas, uma pena que não combina para outros programas baixados. O ícone do Google Chrome fica com um fundo vermelho, o que deixa a aparência péssima. Outros programas também têm seus ícones distorcidos, confundindo um pouco o usuário.

Outro probleminha é que o K1 Turbo não tem vários softwares da Google. Tirando o Google Play Store, os demais aplicativos Google Play (Music, Games, etc.) não vêm instalados. Outros programas como o YouTube e o Google Chrome não fazem parte do sistema — pois é, o navegador ainda é o antigo do Android.

Não queremos sugerir que a Kingzone deveria entulhar o sistema, mas algumas opções básicas deveriam estar aqui e facilitar a vida do consumidor. Esse processo de download de vários apps é bem demorado e certamente vai incomodar aos que buscam um produto completo.

Tela e hardware caprichados

Outro aspecto importantíssimo que é levado em conta pelos consumidores é a tela. Nesse quesito, o Kingzone K1 Turbo não faz feio. A tela de 5,5 polegadas é enorme e apresenta resultados dentro do esperado.

O display com resolução Full HD, que é o padrão para a maioria dos modelos concorrentes, mostra excelentes resultados em jogos, vídeos e imagens. O colorido da tela é sensacional, graças à tecnologia da Sharp, que realça o contraste e garante boa visibilidade mesmo em ambientes com iluminação excessiva.

No interior deste Kingzone, temos um processador MediaTek de oito núcleos e um chip gráfico Mali prontos para rodar os principais games. A configuração é praticamente igual à do Positivo Octa X800, mas o Kingzone leva vantagem por conta do clock elevado da CPU.

O desempenho no sistema é satisfatório, bem como a execução de múltiplos apps. Os joguinhos 3D funciona sem problemas e títulos 2D não devem dar qualquer tipo de estresse ao processador.

É claro que o chip aqui não é tão poderoso como um Qualcomm, por isso os resultados em benchmarks não são tão bons, como você pode conferir logo abaixo. De qualquer forma, acreditamos que este smartphone atende bem às necessidades do dia a dia.

Benchmarks

Vellamo

AnTuTu

3DMark IceStorm

Som e câmeras mais ou menos

É claro que um smartphone de preço baixo não pode ter todo seu hardware otimizado. Para conseguir baratear o custo, a Kingzone poupou investimentos na parte de som e câmera. O áudio do K1 Turbo não é de todo ruim, mas com certeza está longe do que ouvimos nos alto-falantes de produtos de marcas de renome.

Em alguns casos é possível perceber sons estridentes ou pequenas distorções. Não é o fim do mundo, mas se você busca um produto excepcional nesse quesito, certamente este Kingzone não está entre os mais recomendados.

Bom, quanto à parte de fotografias, podemos dizer que a câmera atende às necessidades básicas e produz fotos legais. Isso não quer dizer que temos aqui uma câmera matadora. No máximo dá pra dizer que ela cumpre suas funções básicas, quebrando um galho em fotos do dia a dia. Contudo, ela está longe de se comparar a de outros celulares que vemos no Brasil.

A câmera do K1 Turbo é a prova de que o item “megapixels” pode ser só um número. Mesmo com 14 MP, ele produz imagens com qualidade que não se comparam às que conseguimos na câmera de 8 MP do Nexus 5. O foco não funciona muito bem quando aproximamos de alguns objetos. Repare que na imagem acima foi preciso afastar o K1 Turbo para obter algum foco.

Felizmente, a Kingzone colocou alguns recursos inteligentes (como é o caso do rastreio de objeto, em que o aparelho mantém o foco em um determinado item selecionado) que deixam o aparelho mais atraente, mas ainda não é algo que surpreenda aos que estão acostumados com marcas famosas.

Se a câmera principal não é aquela coisa impressionante, a câmera frontal consegue decepcionar em várias situações. Ela demora muito para focar e em alguns casos não conseguimos ajustar o foco de maneira alguma. É preciso aguardar até que o smartphone processe a cena e estabilize a luminosidade, para então fazer fotos que prestem. Uma pena.

Bateria vergonhosa

A Kingzone pode até acertou em vários pontos, mas certamente o descuido na parte da bateria é algo questionável. O componente energético é simplesmente péssimo e, conforme conferimos em nosso teste prático, ele não aguentou nem três horas de vídeo.

Sem usar o aparelho, a bateria pode até chegar a durar 24 horas, mas qual o propósito de um celular se você não pode usá-lo? Nos apps de benchmark, chegamos a um máximo de quatro horas de uso contínuo, o que é uma vergonha considerando as necessidades do cotidiano.

Falando em energia, nós compramos a capa especial para carregamento sem fio. Ela é prática e ajuda a proteger a tela do celular, só deixa a desejar por não ter um esquema que garanta o fechamento total da capa frontal. O tempo de carregamento depende do carregador, mas funciona bem e pode ser uma opção legal para quem já tem carregador sem fio.

Vale a pena?

Gostamos de ver que tem marcas chinesas que pensam em oferecer coisas originais com alguma qualidade, uma pena que eles ainda estão longe do que algumas grandes empresas oferecem. O Kingzone K1 Turbo não é um celular tão bom quanto os da LG, Samsung e de outras marcas, mas é um modelo que tem bons recursos.

Design atraente, hardware poderoso e câmera razoável são algumas das qualidades notáveis. É claro que o processador é muito mais propaganda do que desempenho, já que temos aqui um octa-core que perde para muito quad-core que tem por aí. O mesmo vale para a câmera que é de 14 MP e na prática não apresenta resultados tão impressionantes.

No fim das contas, o problema mesmo é que a bateria do K1 Turbo é bem fraquinha. Só vale a pena mesmo para quem conseguir por um bom preço. Nós compramos o produto por R$ 820 e achamos que o investimento é válido, porém o produto foi retido e tivemos que investir mais 300 reais.

Num casos desses, em que o investimento chega a mais de mil reais, já não podemos dizer que o gasto seja tão interessante, visto que tem smartphones famosos e de melhor qualidade pelo mesmo preço (como é o caso do novo Moto X, que dá uma surra nesse Kingzone).

Também é importante pensar que independente do valor que você paga, seu smartphone chinês não tem garantia e assistência no Brasil, o que é bem complicado considerando que celulares apresentam defeitos com frequência.

Enfim, não é um celular de se jogar fora, mas está longe de alcançar a qualidade que vemos em marcas famosas. Se você faz questão de economizar uns trocados e não tem medo de marcas chinesas, então o Kingzone pode ser uma opção, já que pelo menos tem acessórios e não é uma mera cópia de outros Androids.

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