Você acha o iPhone caro no Brasil? Ele é, mas alguns países estão em situação pior. É o caso da Venezuela, em que uma única unidade do modelo mais tradicional do iPhone 6 pode custar até R$ 145 mil.

De acordo com a Bloomberg, esse valor é atualizado de acordo com a taxa oficial de câmbio, que é imposta pelo governo local. Como o aparelho não é comercializado oficialmente, restam as ofertas em sites de anúncios, como o Mercado Livre ou o mercado paralelo.

Além de preços absurdos (que não precisam ser seguidos, como explicamos logo abaixo), o povo local sofre com baixo estoque de produtos, o que faz com que os venezuelanos tenham que colocar o nome em uma lista de espera por aparelhos — e não são os tops de linha, mas modelos mais modestos e populares, como o Samsung Galaxy Fame.

Como pode um preço desses?

O valor absurdo é explicado por uma série de fatores, mas o principal é a presença de uma correção monetária na moeda do país, o bolivar. De acordo com o programa Conta Corrente, o câmbio de moeda na Venezuela opera a partir de dois valores: o oficial, que é do governo, e o paralelo, organizado na própria sociedade e tido como o valor "de verdade".

O câmbio do governo possui dois valores: 6,30 bolivares por dólar ou 12 bolivares por dólar. Porém, o dólar é muito mais caro no câmbio paralelo: uma unidade da moeda norte-americana equivale a 456 bolivares.

Na cotação paralela, o iPhone 6 custa 657 dólares, um preço bastante aceitável para um celular, ainda mais no país latino. Porém, de acordo com a conversão oficial, o valor pode ultrapassar os US$ 47 mil, que daria mais ou menos R$ 145 mil. Não acredita? Veja a listagem abaixo (também disponível no site do Mercado Libre).

Claro que ninguém vai ser ingênuo o suficiente para comprar o dispositivo pela cotação oficial, mas é bizarro perceber que o smartphone (e outros modelos populares no país, como o Moto G) atingem valores tão exorbitantes.

O que mais explica?

A situação da Venezuela é muito mais delicada do que a simples conversão de moeda. O país sofre com a falta de dólares no local, além de uma desvalorização do bolivar como moeda corrente. Somado a tudo isso está a alta inflação, uma das maiores do mundo atualmente.

O smartphone ainda sofre com baixo estoque no país, o que ajuda a elevar o preço de bens duráveis e não duráveis — isso se repete também com produtos de necessidade muito maior, como remédios e alimentos.

A Reuters explicou em uma galeria de imagens feita em 2014 como isso afeta outros produtos: por praticamente os mesmos fatores, um quilo de cenoura custa R$ 59 reais no país, enquanto um balde de quase 20 litros de tinta sai por mais de R$ 1,5 mil.

Há a questão ainda da burocracia: o país não importa o produto direto das fabricantes. Ele tem que passar pelos serviços da operadora intermediária do governo, a Telecom Venezuela, e isso automaticamente encarece os serviços.

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