Quem nunca sonhou em ter uma ideia revolucionária, que pudesse render um pouco mais de dinheiro no bolso e fama? Inventores estão sempre pensando além do seu tempo, procurando maneiras de tornar atividades corriqueiras mais práticas e ainda lucrar com isso. Porém, nem sempre a segunda parte do “plano” dá certo.

Para obter lucro com algum invento, é preciso passar por um burocrático processo de patente, o qual garante exclusividade para a exploração comercial de um produto, marca ou ideia. Toda essa complicação faz com que algumas pessoas não registrem seus inventos e acabem não levando crédito algum por eles.

O Tecmundo decidiu pesquisar algumas ideias que deram certo e que todo mundo conhece, mas que poucos sabem sua real origem. Confira abaixo uma lista com alguns criadores e suas famosas “criaturas”.

Harvey Ross Ball

  • O que: Smiley Face
  • Onde: Estados Unidos
  • Quando: 1963

Conhecido internacionalmente, o Smiley Face foi criado na década de 60 por um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. Harvey Ross Ball serviu a Guarda Nacional por 27 anos e recebeu prêmios de bravura durante a guerra, mas não é por isso que ele ficou famoso. O trabalho mais conhecido de Ball é o famoso Smiley Face, emoticon que traz uma carinha amarela sorrindo, largamente utilizado na internet.

(Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

Criado para ser utilizado na campanha interna de uma empresa, o produto ganhou o mundo no formato de bottons. Entre 1963 e 1971, cerca de 50 milhões de carinhas felizes foram enviadas aos mais diversos cantos o planeta. O Smiley Face levou cerca de 10 minutos para ser criado e rendeu US$ 45 para Ball, que nunca teve interesse em registrar patente por sua criação.

Alexey Pajitnov

  • O que: Tetris
  • Onde: Rússia
  • Quando: 1984

Menos de um mês. Esse foi o tempo necessário para que Alexey Pajitnov desenvolvesse um dos jogos mais famosos dos últimos tempos, o Tetris. Empregado na Academia de Ciência Russa durante a Guerra Fria, Pajitnov era responsável pelo desenvolvimento de pesquisas na área de inteligência artificial, o que permitia que ele criasse quebra-cabeças e jogos no trabalho.

Pajitnov fez um acordo com seus superiores: eles ajudavam o cientista a publicar o jogo e o dinheiro ia para a empresa. Também fazia parte do acordo que, após 10 anos, o governo enviasse para Alexey um cheque como forma de compensar seu trabalho.

Porém, como o governo entrou em colapso pouco tempo depois, o dinheiro nunca foi enviado. O pesquisador conseguiu os direitos pelo seu jogo, em 2004! Mais de 20 anos, 70 milhões de cópias e vários milhões de dólares após a criação de Tetris.

George Romero

  • O que: A Noite dos Mortos-Vivos
  • Onde: Estados Unidos
  • Quando: 1968

Apelidado de “Godfather of all Zombies”, George Romero é escritor e diretor do filme "A Noite dos Mortos-Vivos", que é considerado a base para sucessos como "Sexta-feira 13" e "Halloween". O filme é um enorme sucesso e, mesmo depois de 40 anos, ainda é vendido nas lojas do mundo todo. Porém, Romero não ganhou tanto quanto queria com a produção.

Nos anos 60, era preciso adicionar um aviso de direitos autorais nos filmes, declarando em alto e bom som que você era o dono da produção; do contrário, o trabalho se tornava público. Os produtores do longa-metragem se esqueceram de adicionar o copyright nas fitas distribuídas (inclusive em alguns dos remakes). Dessa forma, A Noite dos Mortos-Vivos é, na verdade, um filme de domínio público.

Mikhail Kalashnikov

  • O que: AK-47
  • Onde: antiga União Soviética
  • Quando: 1947

Depois de se ferir durante um confronto da Segunda Guerra Mundial, Mikhail Kalashnikov se viu obrigado a passar algum tempo no hospital. O soldado da então União Soviética aproveitou o tempo em repouso para projetar uma das melhores armas de combate já criadas, a AK-47. Com mais de 100 milhões de rifles circulando por aí, Kalashnikov deveria estar na lista dos homens mais ricos do mundo.

Tudo o que o soldado recebeu foi um bônus de agradecimento pelos serviços prestados. Isso porque o governo comunista não pagava os “inventores” na época em que a arma foi criada, como no caso do jogo Tetris. Cinquenta e dois anos depois, em 1999, a Izhevsk Machine Shop conseguiu patentear a arma. Mikhail deixou de ganhar centenas de bilhões com o seu projeto.

(Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

The Winstons

  • O que: The Amen Break
  • Onde: Estados Unidos
  • Quando: 1969

Retirando da música Amen Brother, do The Winstons, The Amen Break são os cinco segundos do solo de bateria mais famoso que existe. Utilizado como base para a batida de centenas de música de hip-hop e outros estilos, apenas esse pequeno trecho poderia ter enchido o bolso da banda de funk e soul norte-americana.

O problema é que o The Winstons tocava em uma época em que patentear cinco segundos de música era praticamente impossível. Mesmo depois que a batida começou ou fazer sucesso, os integrantes da banda, inclusive o baterista, não se incomodaram em correr atrás dos direitos autorais; nem quando a empresa Zero G conseguiu a patente e tentou arrecadar dinheiro com isso.