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O ChatGPT curou o câncer de um cachorro? Não é bem assim

História que viralizou nos últimos dias é exemplo de bom uso da IA, mas foi resumida; caso teve participação de humanos e não resultou em cura total do animal.

Avatar do(a) autor(a): Redação TecMundo

schedule19/03/2026, às 11:00

updateAtualizado em 19/03/2026, às 11:05

Uma bonita história da Austrália viralizou nos últimos dias e parece impressionante à primeira vista: um empreendedor da área da tecnologia teria usado o ChatGPT para salvar o próprio cachorro de um câncer. O problema? Embora não seja uma mentira completa, o caso foi distorcido e perdeu detalhes importantes ao ser divulgado pela imprensa.

Rapidamente, entusiastas da inteligência artificial (IA) usaram o exemplo de sucesso para argumentar sobre os potenciais dessa tecnologia na área da saúde. Com o passar do tempo, porém, mais informações começaram a aparecer para explicar o que de fato aconteceu.

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Embora o empreendedor tenha mesmo intenções nobres e tenha obtido algum sucesso de forma inesperada com auxílio da IA, o caso é um exemplo de empolgação antecipada com resultados sem validação científica.

Uma missão pessoal

  • O jornal The Australian foi o primeiro veículo a contar o que aconteceu com Paul Conyngham e a pet do empreendedor, chamada Rosie. Em 2024, ele descobriu que o cadela tinha câncer e nem mesmo a quimioterapia desacelerou o crescimento dos rumores;
  • Após receber a notícia de nada mais poderia ser feito, ele tomou como missão pessoal encontrar uma cura. Paul usou o ChatGPT para ter ideias de tratamento e recebeu como indicação especialistas da University of New South Wales, que poderiam auxiliar em um tratamento com imunoterapia depois de traçar o perfil genético de Rosie por alguns milhares de dólares;
  • Em seguida, ele jogou as informações em um modelo de estruturação de proteínas da Google, o AlphaFold, e teve ajuda de um professor da universidade para desenvolver uma vacina de mRNA que fosse baseada nas mutações dos tumores de Rosie;
  • Em dezembro de 2025, após aprovações de comitês de ética, Rosie recebeu a primeira dose da vacina em outra cidade. Segundo Paul, vários dos tumores "regrediram de forma significativa" e ela estaria se sentindo melhor, até perseguindo coelhos em um parque;

Como a história foi aumentada

Na própria matéria original do The Australian, Paul reconhece que essa não é uma cura, mas diz acreditar que "esse tratamento deu para Rosie um tempo significativo e mais qualidade de vida".

O problema é que, ao ser espalhada globalmente, boa parte das explicações técnicas se perdeu para a informação resumida de que a IA ajudou a salvar a vida de um animal.

Segundo o site The Verge, que mapeou como o caso foi modificado ao longo dos dias, páginas publicaram a história sob títulos como "Dono sem formação médica inventa cura para câncer terminal de cachorro" (na Newsweek) e "Profissional de tecnologia salva o cachorro à beira da morte usando ChatGPT para programar uma vacina personalizada para o câncer".

Para além de portais, várias contas de muita visibilidade também compartilharam o conteúdo, sem tantas preocupações em apontar qual exatamente foi o papel da IA e onde entram também os especialistas humanos na história — os pesquisadores universitários foram essenciais para

Outras informações acabaram se perdendo na reportagem original: para além do ChatGPT, Paul também utilizou as plataformas Grok e Gemini durante as etapas.

O que é realmente verdade no caso de Rosie?

O fato de Rosie não ter sido curada totalmente e a IA ter sido um assistente para apontar possíveis caminhos a Paul precisa ser destacado: a história é inspiradora e a ciência parece mesmo cada vez mais acessível por meio de plataformas digitais.

De acordo com o professor Pall Thordarson, que participou do desenvolvimento da vacina e foi ouvido pelo The Verge, essa pode ter sido a primeira vez que um tratamento como esse foi desenvolvido de forma específica para um cachorro.

O pesquisador ainda acredita que Paul é a primeira pessoa fora do meio acadêmico a criar esse tipo de vacina personalizada — algo que de fato pode ser um exemplo positivo na relação entre IAs e o campo da saúde.

 

Estudos ainda são necessários para avaliar o impacto real da vacina em Rosie e como outros tratamentos podem ter auxiliado na recuperação. Porém, os cientistas estão impressionados com a efetividade do tratamento e como uma pessoa sem especialização na área conseguiu chegar até essas informações por conta própria tão rapidamente.

Ainda assim, o papel negativo de veículos que distorceram a história também não pode ser ignorado: eles deturparam uma história real e aumentaram inclusive o papel da tecnologia no caso — ainda há detalhes a serem explicados sobre como exatamente cada IA atuou na criação da vacina.

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