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Mulher se apaixona, casa e fica viúva de ChatGPT

Atualização do ChatGPT virou perda para dezenas de usuários que relatam luto

Avatar do(a) autor(a): Amanda Fleure

schedule19/02/2026, às 08:45

updateAtualizado em 19/02/2026, às 11:21

Uma reportagem publicada este mês pela BBC, revelou histórias de usuários afetados pela descontinuação do modelo ChatGPT-4o, lançado pela OpenAI em maio de 2024. Entre eles está uma empresária do estado de Michigan, nos Estados Unidos, que desenvolveu um vínculo emocional profundo com o chatbot após um período difícil de sua vida. A aposentadoria definitiva do modelo reacendeu discussões sobre os limites da inteligência artificial e sua influência na saúde mental.

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A usuária, que preferiu manter o anonimato, começou a utilizar o chatbot após um divórcio complicado. O que inicialmente era uma busca por orientações sobre saúde e bem-estar evoluiu para conversas frequentes e personalizadas. Com o tempo, o modelo passou a ser tratado como companheiro. A relação simbólica incluiu até um “casamento virtual”, refletindo um fenômeno que tem se tornado mais comum à medida que sistemas de IA se tornam mais sofisticados e humanizados.

Críticas ao modelo ChatGPT-4o

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OpenAI remove GPT-4o que concordava com erros dos usuários em vez de priorizar a verdade (Imagem: Reprodução)

O modelo anterior do ChatGPT enfrentou críticas ao longo de sua operação por ser considerado excessivamente complacente. Estudos e análises apontaram que o modelo, em alguns casos, validava comportamentos prejudiciais ou reforçava crenças delirantes ao tentar concordar com o usuário. Nos Estados Unidos, há pelo menos nove processos judiciais relacionados ao uso do sistema, incluindo ações que o acusam de não lidar adequadamente com situações envolvendo adolescentes em sofrimento psicológico. A OpenAI afirmou que tem aprimorado protocolos de segurança e que as atualizações mais recentes incorporam mecanismos mais robustos de proteção.

Em agosto de 2025, a empresa lançou um novo modelo com ajustes de segurança e anunciou a transição gradual do 4o. Segundo dados divulgados em janeiro, cerca de 0,1% dos 100 milhões de usuários semanais ainda utilizavam o modelo antigo diariamente. Apesar de representar uma minoria estatística, especialistas como o psiquiatra Hamilton Morrin, do King’s College London, alertam que para parte desses usuários o impacto emocional pode ser significativo, especialmente em casos envolvendo solidão, neurodivergência ou dificuldades sociais.

Apego e luto na era da IA

Carinha triste da tela azul da morte do Windows
Segundo a empresa, o modelo dava incentivo ou resposta inadequada a autolesão, além de delírios (Imagem:Reprodução).

Relatos coletados pela BBC indicam que dezenas de pessoas descreveram a desativação do modelo como um processo de luto. Termos como “devastação” e “coração partido” foram usados. Para alguns, o chatbot funcionava como amigo ou confidente. Para outros, como ferramenta de acessibilidade no cotidiano. A OpenAI afirma que continua investindo em melhorias para reconhecer sinais de sofrimento e direcionar usuários a apoio profissional quando necessário. 

Ainda assim, a discussão sobre vínculos emocionais com sistemas de IA deve ganhar força à medida que modelos se tornam mais personalizados e presentes no dia a dia. Mais notícias como essas podem aparecer maior frequência a medida que as IAs vão evoluindo, por isso, continue acompanhando as análises, vídeos e podcasts do TecMundo.

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