Um e-mail enviado pelo Google a um pré-adolescente, convidando-o a desativar os controles parentais da conta, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. A mensagem gerou repercussão de responsáveis e especialistas, que acusam a empresa de incentivar menores a abandonar a supervisão dos pais por interesse financeiro.
O caso ganhou notoriedade após a manifestação de Melissa McKay, presidente do Digital Childhood Institute. “Uma corporação bilionária está contatando diretamente todas as crianças para dizer que elas já têm idade suficiente para ‘se formar’ e deixar de ser supervisionadas pelos pais”, afirmou. Segundo ela, o e-mail explica como a criança pode remover os controles parentais sozinha, sem o consentimento ou sequer o envolvimento dos responsáveis.
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Apesar da repercussão, a possibilidade de encerrar a supervisão parental não é novidade. Crianças podem decidir interromper esse tipo de monitoramento ao atingir 13 anos de idade — ou a idade mínima definida pela legislação local. O envio do e-mail, inclusive, está previsto na página de suporte do Google, que também informa que os pais são notificados sobre essa possibilidade.
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Quando a supervisão é removida, a conta passa por mudanças significativas. Entre elas:
- O YouTube Kids deixa de ser utilizável com a Conta do Google, e conteúdos antes bloqueados passam a ficar disponíveis no YouTube tradicional;
- As ferramentas de supervisão do YouTube são desativadas;
- Os pais não conseguem mais definir horários de descanso nem permitir ou bloquear aplicativos;
- O compartilhamento de localização é desligado — ficando a critério do adolescente decidir se deseja mantê-lo ativo.
Caso o menor não opte por remover a supervisão, a conta permanece monitorada normalmente, sem alterações nas configurações definidas pelos responsáveis.
Para McKay, porém, a prática ultrapassa um limite. Na visão dela, o Google “está reivindicando autoridade sobre uma fronteira que não lhe pertence”. “Ele redefine a figura dos pais como um incômodo temporário que será superado e posiciona as plataformas corporativas como a solução padrão”, escreveu.
“Chame isso pelo que é: manipulação para engajamento; manipulação para obtenção de dados; aliciamento de menores para obter lucro”, concluiu a especialista.
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