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Sete em cada dez alunos do Ensino Médio no Brasil já usam IA em tarefas, mostra estudo

Pesquisa mostra ainda que tecnologia não é abordada em sala de aula; apps de vídeo são tão usados quanto buscadores para estudo.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule17/09/2025, às 14:30

updateAtualizado em 17/09/2025, às 18:16

Os estudantes brasileiros estão usando cada vez mais recursos de inteligência artificial (IA) para tarefas de aprendizado, mas ainda há pouca instrução de professores sobre o tema em sala de aula. Essa é uma das conclusões da nova edição do estudo TIC Educação, publicado nesta terça-feira (16).

A pesquisa é realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que faz parte do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Além de avaliar o impacto já existente da IA no ensino, o estudo traz dados sobre a adoção de outras tecnologias por jovens, como smartphones e plataformas de vídeo.

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Os resultados da 15ª edição do estudo TIC Educação, que contou com a participação de mais de 10 mil pessoas por meio de entrevista, podem ser conferidos no estudo completo no site do Cetic.br.

IA nas escolas

Em média, 37% dos estudantes que usam a internet e estão no Ensino Fundamental ou Médio dizem usar IA generativa para "realizar pesquisas escolares". Essa proporção, entretanto, é bem diferente entre crianças de 6 a 10 anos de idade (15% das respostas) e do Ensino Médio (70% dos alunos), onde está a maior proporção de respostas positivas.

A resposta envolve o uso de plataformas como ChatGPT e Gemini, mas não se aprofunda sobre outras utilizações, como a capacidade de criar textos. Por outro lado, segundo a pesquisa, apenas 32% dos alunos do Ensino Médio (e 19% no geral) dizem ter recebido qualquer orientação nas escolas sobre "como aplicar a tecnologia em atividades de aprendizagem".

Fora a ausência do conteúdo em sala, só 40% dos gestores escolares dizem que já fizeram reuniões com professores, funcionários ou pais e responsáveis sobre o uso de IA por alunos ou docentes. Essa é a primeira vez que o tema surge na pesquisa e, a partir das próximas edições, vai permitir estudos comparativos.

Celular na escola e apps de vídeo

Além da avaliação sobre IA, o estudo também detectou padrões interessantes no uso de outras tecnologias por alunos e professores das escolas brasileiras. Confira a seguir alguns destaques da pesquisa.

  • A proibição do uso de dispositivos móveis durante a aula está ajudando na "redução de uso de telefones celulares pelos alunos" em todas as categorias de instituições, de colégios particulares a pequenas escolas da zona rural;
  • 96% das escolas brasileiras possuem acesso à Internet, mas desigualdades no acesso ainda estão presentes: na rede municipal de ensino, só 27% dos alunos "utilizam a Internet para fazer atividades solicitadas pelos professores";
  • Os buscadores de internet (usado por 74% dos alunos) estão quase sendo ultrapassados por "canais e aplicativos de vídeo" (como YouTube e TikTok) para pesquisas escolares — esses serviços já são usados por 72% dos entrevistados;
  • Fora da escola, os jovens usam a internet para fazer principalmente as seguintes atividades escolares: "buscar informações sobre uma matéria ou exercício que não entendeu bem" (86% dos entrevistados), "pesquisar para fazer trabalhos escolares" (84%) e "usar a Internet ou aplicações para praticar algo" (78%);
  • Em média, 54% dos professores fizeram no máximo há 12 meses "atividades de desenvolvimento profissional contínuo" sobre o uso de tecnologias digitais para ensino e aprendizagem — como capacitação em plataformas, softwares e aplicativos de criação de materiais didáticos;

Quer saber mais sobre como a IA está transformando as universidades e o futuro da educação? Saiba mais do tema neste artigo!

Perguntas Frequentes

Quantos alunos do Ensino Médio no Brasil já utilizam inteligência artificial em tarefas escolares?
Segundo a pesquisa TIC Educação, 70% dos alunos do Ensino Médio que usam a internet afirmam utilizar ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT e o Gemini, para realizar pesquisas escolares. Esse é o maior índice entre as faixas etárias analisadas.
As escolas estão ensinando os alunos a usar inteligência artificial de forma educativa?
Não de forma significativa. Apenas 32% dos alunos do Ensino Médio disseram ter recebido alguma orientação sobre como aplicar a tecnologia em atividades de aprendizagem. No geral, esse número cai para 19% entre todos os estudantes entrevistados.
Qual é o papel dos gestores escolares na discussão sobre o uso de IA?
O envolvimento ainda é limitado: apenas 40% dos gestores escolares afirmaram ter realizado reuniões com professores, funcionários ou responsáveis para discutir o uso de IA por alunos ou docentes. Essa é a primeira vez que o tema aparece na pesquisa TIC Educação.
Quais tecnologias os alunos mais utilizam para estudar fora da escola?
Os estudantes usam principalmente a internet para buscar informações sobre matérias ou exercícios que não entenderam bem (86%), fazer pesquisas para trabalhos escolares (84%) e praticar conteúdos com aplicativos ou plataformas (78%).
Os buscadores ainda são a principal ferramenta de pesquisa dos alunos?
Os buscadores ainda lideram com 74% de uso, mas estão quase sendo ultrapassados por canais e aplicativos de vídeo, como YouTube e TikTok, que já são utilizados por 72% dos alunos para fins escolares.
Como está o acesso à internet nas escolas brasileiras?
Embora 96% das escolas tenham acesso à internet, há desigualdades no uso. Por exemplo, apenas 27% dos alunos da rede municipal utilizam a internet para realizar atividades solicitadas pelos professores.
O uso de celulares em sala de aula está sendo controlado?
Sim. A proibição do uso de dispositivos móveis durante as aulas tem contribuído para a redução do uso de celulares por alunos em todos os tipos de instituições, desde escolas particulares até unidades rurais.
Os professores estão se capacitando para usar tecnologias digitais no ensino?
Em média, 54% dos professores participaram de atividades de desenvolvimento profissional contínuo nos últimos 12 meses, focadas no uso de tecnologias digitais para ensino e aprendizagem, como plataformas e softwares educacionais.
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