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Redes podem estar censurando conteúdos sobre aborto até em regiões que permitem a prática

As restrições, que afetam de postagens educativas a anúncios em locais onde a prática é legal, teriam relação com a automatização da moderação de conteúdos.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule17/09/2025, às 09:00

updateAtualizado em 17/02/2026, às 07:57

Postagens relacionadas ao aborto estão sendo censuradas no Instagram, Facebook, TikTok e até o LinkedIn, entre outras redes sociais, mesmo que não violem as políticas dessas plataformas. É o que denunciam entidades, clínicas e criadores de conteúdo que tratam do assunto em seus perfis.

Conforme noticiou a Fortune nesta terça-feira (16), as restrições acontecem principalmente nos Estados Unidos e em países da América Latina, incluindo lugares em que a prática abortiva é legalizada. Há a suspeita de que o uso de inteligência artificial na moderação de posts, substituindo os humanos, tenha relação com as remoções em excesso.

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Postagens informativas sobre medicamentos abortivos estavam entre as que foram removidas. (Imagem: Getty Images)

Que tipo de conteúdos foram censurados?

O grupo de direitos digitais Eletronic Frontier Foundation (EFF) afirma ter recebido pelo menos 100 relatos de remoções de conteúdos ligados ao tema ou suspensão de perfis nos últimos meses. Um desses casos é o da criadora do TikTok, Brenna Miller, que trabalha com saúde reprodutiva.

  • No vídeo removido pela plataforma chinesa, ela aparecia desembalando um pacote de pílulas abortivas da organização sem fins lucrativos Carafem, dos EUA, e discutia a administração dos medicamentos;
  • A gravação ficou disponível durante uma semana, em dezembro passado, até ser removida sob a alegação de que não seguia as políticas da plataforma;
  • Uma clínica do estado de Minessota (EUA), onde o aborto é legal, teve a conta suspensa no Facebook após divulgar seus serviços e tentar transformar a postagem em anúncio;
  • Já no Instagram, um exemplo é o do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva da Universidade Emory (EUA), cujo perfil acabou excluído ao divulgar informações sobre o uso de um remédio abortivo.

Este último caso terminou com a entidade conseguindo reativar o perfil após um longo processo que incluiu contato direto com representantes da Meta. Durante a apelação, ficou claro que a big tech havia punido a universidade por tentativa de compra, venda ou divulgação de drogas ilícitas, o que na verdade não acontecia.

A clínica também passou por uma acusação semelhante e, igualmente, precisou recorrer da decisão para ter a conta de volta. No caso entre a influencer Brenna e o TikTok, o vídeo censurado voltou a ficar disponível meses depois, sem maiores explicações por parte da empresa.

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Contas de influenciadores, entidades e clínicas nos EUA foram suspensas após tratarem do assunto. (Imagem: Getty Images)

O que dizem as redes sociais?

À reportagem, a Meta disse que as políticas relacionadas aos conteúdos que tratam de medicamentos de aborto permanecem as mesmas. Elas também não foram afetadas pelas alterações na moderação anunciadas no início deste ano, levando ao fim do programa de checagem de fatos da companhia.

“Permitimos postagens e anúncios que promovem serviços de saúde como o aborto, bem como discussão e debate em torno deles, desde que sigam nossas políticas — e damos às pessoas a oportunidade de apelar das decisões se acharem que erramos”, ressaltou, em comunicado.

Já o TikTok geralmente permite compartilhar informações sobre o tema ou remédios associados à prática, mas restringe a comercialização de medicamentos  entre os usuários da plataforma e proíbe a desinformação.

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Perguntas Frequentes

Por que conteúdos sobre aborto estão sendo censurados nas redes sociais?
Conteúdos relacionados ao aborto estão sendo censurados em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn, mesmo que não violem as políticas dessas redes. A suspeita é que a moderação automatizada por inteligência artificial esteja removendo excessivamente esses conteúdos.
Em quais regiões as restrições estão ocorrendo?
As restrições estão ocorrendo principalmente nos Estados Unidos e em países da América Latina, incluindo locais onde o aborto é legalizado.
Que tipo de conteúdos sobre aborto foram removidos?
Postagens informativas sobre medicamentos abortivos, como vídeos de criadores de conteúdo discutindo a administração desses medicamentos, foram removidas. Um exemplo é o vídeo da criadora do TikTok, Brenna Miller, que foi retirado da plataforma após uma semana.
Qual é o papel da inteligência artificial na moderação de conteúdos?
A inteligência artificial está sendo utilizada para substituir humanos na moderação de conteúdos nas redes sociais. No entanto, há suspeitas de que essa tecnologia esteja causando remoções excessivas de postagens relacionadas ao aborto.
Quem está denunciando essas censuras?
Entidades de direitos digitais, clínicas e criadores de conteúdo que abordam o tema do aborto em suas redes sociais estão denunciando as censuras. A Eletronic Frontier Foundation (EFF) relatou ter recebido pelo menos 100 denúncias de remoções de conteúdos ou suspensões de perfis.
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