Muita gente gosta de chamar carinhosamente seu carango de “nave”, mas desta vez quem está aproximando seu carro dos aviões a jato é a tecnologia automobilística. Assim como nos caças, o head-up display é capaz de imprimir informações importantes sobre a navegação direto no para-brisa, evitando que o motorista desvie sua atenção de onde mais importa: a estrada. A ideia não é nova, mas aliado aos novos recursos da indústria, o HUD ainda vai revolucionar a maneira como guiamos.
Direto dos aviões
GPS, controle de tração, sistema de navegação inteligente, computadores de bordo, todos estes equipamentos se preocupam com a segurança do motorista, mas ironicamente acabam desviando o olhar e a atenção do motorista. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley, Califórnia, um motorista demora cerca de 2 segundos para fazer a leitura de um instrumento no painel e voltar a focar sua atenção na direção. Se deslocando a 100 km/h, isso corresponde a cerca de 90 metros sem a atenção do condutor.

Muito mais conforto ao dirigir

Implementado nos caças no início dos anos 80, o sistema HUD ou head-up display (visor para cabeça erguida em uma tradução livre) melhorou o desempenho e a precisão dos pilotos. Agora, a mesma preocupação se aplica aos motoristas, o display é capaz de reduzir o tempo de reação dos pilotos para 0,5 segundos, segundo os mesmos estudos. Se no exato instante em que o condutor desvia sua atenção surgir algum obstáculo à sua frente, ele terá mais tempo para frear ou desviar.
Instrumento moderno?
Já em 1988, o Oldsmobile Cutlass Supreme foi o primeiro veículo a adotar um sistema de head-up display. Além de outros acessórios luxuosos e de dimensões elegantes, seu motor avantajado e cintos de segurança de quatro pontas comprovam sua almejada posição entre as 500 milhas de Indianápolis. Para ele, o HUD foi de grande importância, pois colaborou para manter a atenção do piloto grudada na estrada.

Chevrolet Corvette, o esportivo foi o primeiro a contar com HUD colorido (imagem de divulgação)

As diferentes cores em um HUD apareceram em 2001 no Chevrolet Corvette. Pode parecer de pouca utilidade à primeira vista, mas ilustrar a rotação do motor em padrões coloridos é de grande utilidade diante de seus mais de 500 cavalos de potência (do modelo Z06 atual).

Até então, a preocupação maior do head-up display era a de ajudar a domar carros que se comportam como verdadeiros jatos, sua função se resumia a uma nova disposição dos instrumentos mais importantes. Integrando novas tecnologias e sensores ao display, não demorou às montadoras investir em suas possibilidades.
A evolução do aparelho
As montadoras perceberam que todos os instrumentos de segurança em um veículo têm sua importância, desde que no momento apropriado. Ao invés de cobrir todo o para-brisa do veículo com várias funções de uma só vez, a solução adotada pela nova BMW 750i (disponível no mercado nacional) foi a de integrar os recursos de maneira inteligente.

Imagine que, além de mostrar a velocidade em que seu veículo viaja, o HUD da BMW alerta o motorista quando este excede o limite da via. Seu programa dispensa configurações manuais, ele trata de fazer a leitura das placas de sinalização através de sensores e reconhecer automaticamente a velocidade máxima.

Entre aviso de passageiros que não estiverem usando o cinto de segurança, abertura de portas e auxílio para a centralização na pista, o head-up display do 750i alerta o motorista quanto a aproximações perigosas e recomenda a frenagem. Já com a navegação do GPS ativa, o motorista será informado de quantos metros faltam até a próxima guinada e para qual direção.